Belo Horizonte vive a decisão da Libertadores. Não a cidade em si, mas as pessoas que nela vivem. Nos últimos dias, qualquer agrupamento de dez belo-horizontinos terá pelo menos um com a camisa do Atlético Mineiro. É o assunto dos bate-papos, na revista-pôster no estilo “já ganhou” que o jornaleiro coloca em destaque na banca, nos programas de rádio e de TV. Não tem como ignorar.

Mas tudo isso é mérito do torcedor de Belo Horizonte (incluindo os secadores cruzeirenses, pois eles ajudam a criar o clima de tensão pré-final na cidade). Se dependesse da organização da Libertadores, era bem fácil isso passar batido. A capital mineira recebe um de seus maiores eventos esportivos nos últimos tempos, e há pouquíssima menção a isso.

O Mineirão está lá, como se observasse imponente a Lagoa da Pampulha. Mas ninguém o vestiu devidamente para a festa da qual ele será anfitrião. Há algumas sinalizações para quem ainda procurava ingresso para a decisão, nada além disso. Não há faixas celebrando a chegada da principal partida do ano no calendário sul-americano ao estádio, um quiosque com produtos especiais da Libertadores ou da final, nada.

O mesmo ocorre no resto da cidade. A Conmebol trata o jogo como um jogo, e não como “o” jogo. A entidade não armou nenhum ponto que servisse de referência ao torcedor e ao turista, com exposição histórica, venda de produtos, conversa com antigos ídolos e qualquer coisa do gênero.

O máximo é o “Tour da Taça”, organizado pela Bridgestone. O troféu da Libertadores foi colocado à exposição no Mercado Central. O local é interessante, bem localizado e de interesse turístico. A exposição tem relevância, tanto que olimpistas e até cruzeirenses foram dar uma conferida no troféu.

Mas o evento não é feito como se fosse nobre. A sinalização dentro do Mercado Central é ruim, e mal se sabe onde realmente está ocorrendo. A reportagem da Trivela viu vários atleticanos zanzando entre os queijos, pimentas e frutas sem saber para que lado ir. E não era para ir a lado algum, mas para cima. Tudo porque instalaram a exposição no estacionamento. Se não havia espaço mais nobre para fazer o evento dentro do mercado, que fizessem em outro local (que tal a Praça Liberdade?), onde ele fosse visto por muito mais gente, mesmo que sem querer.

A falta de cuidado na divulgação, em enobrecer o momento, é só mais um dos tantos erros da Conmebol como promotora de sua principal competição. Algo que se vê quando não exige que os clubes sejam dispensados de outros compromissos entre as decisões (os clubes é que precisam pedir às federações para adiar jogos dos campeonatos nacionais), quando marca uma outra final para o mesmo dia da partida de ida, quando redige um regulamento sem clareza e permite discussão sobre os estádios da decisão. E, convenhamos, nada disso seria muito difícil fazer. Basta um pouco de criatividade e carinho com seu torneio.

A Libertadores merecia muito mais. Merecia o tratamento que os torcedores em Belo Horizonte estão dando. Ainda bem que eles existem.