O Sistema de Saúde Nacional do Reino Unido, NHS, está oferecendo atendimento psicológico para torcedores do Bury FC, clube que foi expulso da Football League depois de 134 anos. O futuro do clube foi colocado em xeque com a situação e torcedores ficaram desolados com o possível desaparecimento do seu time de coração. A notícia da expulsão, que significa ao menos que o clube ficará sem jogar até 2020, causou enorme comoção na cidade de Bury, na grande Manchester. Torcedores relataram sentirem-se sem raízes, perdidos, como se tivessem perdido parte do que são.

Gerações de famílias cresceram torcendo para o clube, que leva o apelido de Shakers. O Bolton, time tradicional que estava na mesma situação, conseguiu se salvar. A perda do clube, para a comunidade, se equivale à perda de uma pessoa da comunidade, segundo Kate Kubacki, que faz parte do Bury Healthy Minds, serviço de saúde mental administrado pela Pennine Care NHA Foundation Trust e que atende em toda região da Grande Manchester e Derbyshire.

“Enquanto muitas pessoas podem dizer que é apenas uma perda de um clube de futebol, é mais do que um clube de futebol. É um modo de vida, é o seu apoio social, são suas redes de contatos sociais, é algo que fazem regularmente, que os faz sair de casa, serem ativos”, afirmou Kubacki. “Para muitas pessoas que estão frequentando o clube de futebol por muitos anos, as pessoas estão vivendo a perda de amigos e da comunidade. Será sentida em várias famílias”.

Segundo Kubacki, várias pessoas entraram em contato com o Bury Healthy Minds para perguntar que tipo de apoio o instituto poderia fornecer para os torcedores do clube, que entrou em processo de falência e não teve uma compra bem-sucedida. Sem isso, o Bury não conseguiu oferecer as garantias financeiras necessárias para terminar a temporada. Assim, acabou expulso da liga e, se quiser voltar a existir, precisará começar nas divisões inferiores do país. A enorme dívida vinculada a hipotecas do estádio torna essa possibilidade bastante improvável.

“Nós tivemos pessoas entrando em contato com o serviço perguntando que tipo de apoio poderíamos oferecer, nós tivemos muitos pedidos pelas redes sociais pedindo nossa resposta ao que aconteceu com o clube de futebol”, contou a líder de equipe Kate Kubacki. Segundo ela, a sessão não seria um debate sobre questões financeiras do clube, mas sim sobre bem-estar e lidar com as perdas, assim como acontece quando as pessoas perdem um ente querido, por exemplo.

Foi montada uma coalizão para tentar salvar o clube que é liderada por Andy Burnham, prefeito da grande Manchester, que poderia permitir que o clube voltasse à Football League na próxima temporada, 2020/21. Se a tentativa não for bem-sucedida, o clube entrará em falência e terá que recomeçar no chamado non-league, ou seja, as divisões inferiores, amadoras. Isso se o clube conseguir uma solução para as dívidas ou for refundado com outro nome.