Ser da “cidade grande” não garante sucesso no futebol. E a prova disso é dada nos campeonatos estaduais. Dos 40 municípios mais populosos do Brasil segundo o IBGE, dez não contam com clubes na primeira divisão regional. Todos com ao menos 480 mil habitantes e potencial econômico enorme, mas também com torcedores carentes de um representante de peso.

Uma deficiência que, na maioria dos casos, é explicada pela proximidade das capitais. Oito das cidades que compõem o ranking se localizam em regiões metropolitanas. A maioria dos clubes destes municípios sequer possui tradição na elite local, com o interesse do público sugado pelos grandes vizinhos – e também sem grandes perspectivas de ascender em um futuro próximo. Acompanhe o Top 10, com os detalhes de cada cidade:

1º – Guarulhos / SP – 1,244 milhões de habitantes
Décima terceira cidade mais populosa do Brasil, Guarulhos nunca teve um representante na primeira divisão paulista. A proximidade de São Paulo não ajuda, com os clubes locais sem grandes incentivos. Transitando entre o amadorismo, o Flamengo se profissionalizou em definitivo em 1998, mas nunca foi além da segunda divisão estadual – atualmente, os rubro-negros militam na Série A3. O outro representante do município é o AD Guarulhos, que nunca passou do terceiro nível e hoje disputa a quarta divisão.

2º – São Gonçalo / RJ – 1,016 milhões de habitantes
Importante polo industrial, São Gonçalo ganhou o apelido de “Manchester Fluminense”, mas nunca conseguiu repetir a representatividade da cidade inglesa também no futebol. Berço do craque Zizinho, o município terá três representantes no estadual, todos na terceira divisão. O Bela Vista, mais antigo clube da cidade, atuou nas competições profissionais durante a década de 1990, voltando em 2005, mas sequer chegou à segundona. Já São Gonçalo EC (treinado por Roberto Brum) e São Gonçalo FC foram fundados a partir de 2009 e ainda se firmam na federação.

3º – Santo André / SP – 680 mil habitantes
A cidade do Grande ABC já viveu épocas melhores no futebol. Nome recorrente na elite paulista desde a década de 1980, o Santo André teve seu auge nos últimos dez anos, quando conquistou a Copa do Brasil e alcançou a primeira divisão do Brasileiro. No entanto, desde que foi vice-campeão estadual, em 2010, o Ramalhão despencou. Em três anos, foi rebaixado nas Séries B e C do Brasileiro e na A1 do Paulista. Para a A2 deste ano, o time conta com Sérgio Mota, Ramalho e Márcio Careca entre as figuras carimbadas.

4º – Osasco / SP – 668 mil habitantes
Osasco nunca teve um clube na elite paulista, mas ensaia uma mudança neste quadro desde a última década. O Esporte Clube Osasco foi o primeiro time da cidade a buscar a ascensão, mas acabou com o departamento de futebol desativado em 2007. No mesmo ano, com o apoio da prefeitura, foi fundado o Grêmio Osasco, que conseguiu dois acessos seguidos em seus dois primeiros anos e retornou à Série A2 para esta temporada. Tendo o folclórico Vampeta como vice-presidente, o clube conta com um bem desenvolvido projeto para as categorias de base.

5º – Jaboatão dos Guararapes / PE – 654 mil habitantes
Localizada na região metropolitana de Recife, Jaboatão dos Guararapes é outra cidade ofuscada pela capital quando o assunto é futebol. O único time local que irá disputar o Campeonato Pernambucano deste ano é o Jaguar, da segunda divisão. Fundado em 2012 com o apoio da prefeitura, a equipe fez campanha modesta em sua estreia no estadual, ocupando a décima colocação na A2. Por conta das condições precárias de seu estádio, o Jaguar não manda seus jogos no município, dividindo o Ademir Cunha, em Paulista, com o mítico Íbis.

6º – São José dos Campos / SP – 643 mil habitantes
A segunda cidade mais populosa do interior do Brasil não conta com um clube na elite estadual desde 1999. Vice-campeão paulista em 1989, o São José EC possui uma torcida apaixonada e médias de público respeitáveis, mas somente o apoio das arquibancadas não tem sido suficiente para o acesso – desde que voltou à Série A2, em 2007, a Águia do Vale morreu nas fases finais quatro vezes. Neste ano, a nova tentativa será comandada por Márcio Bittencourt. Além do São José, a cidade ainda conta com o Atlético Joseense, que subiu recentemente à A3.

7º – Uberlândia / MG – 619 mil habitantes
A maior cidade do interior de Minas Gerais concentra sua tradição futebolística no Uberlândia EC, que completou 90 anos em 2012. Somando cinco participações na elite do Campeonato Brasileiro, a Máquina Verde não tem conseguido se firmar na primeira divisão mineira ao longo dos últimos anos. Depois de conquistar o acesso em 2008, o clube retornou ao Módulo II em 2010. Em 2013, a expectativa é pelo clássico do Triângulo Mineiro contra o Uberaba. Na terceira divisão, a cidade também é representada pelo CAP Uberlândia.

8º – Contagem / MG – 613 mil habitantes
Nos últimos tempos, o único evento relacionado ao futebol que tem chamado atenção em Contagem é o julgamento do goleiro Bruno. A cidade na região metropolitana de Belo Horizonte conta com apenas uma equipe no estadual: o Contagem EC, que disputa o terceiro nível do futebol mineiro. Fundado em 2006, nunca conquistou o acesso, terminando a última temporada na 12ª colocação do torneio. Apoiado pela prefeitura, o clube promete um moderno centro de treinamentos para os próximos anos.

9º – Niterói / RJ – 491 mil habitantes
A capital do antigo Estado do Rio de Janeiro possui rica ligação com o futebol, mas que anda adormecida: em 2013, não terá nenhum time nos estaduais. Grande clube da cidade, o Canto do Rio figurou a elite entre 1941 e 1964, quando foi expulso do futebol carioca. Alternando períodos de profissionalismo desde então, o Cantusca jogou a terceirona pela última vez em 2010. Situação pior viveram os clubes que disputavam o Campeonato Fluminense, fadados à extinção. Já o estádio de Caio Martins, antiga casa do Botafogo, não recebe jogos oficiais do alvinegro desde 2004.

10º – Ananindeua / PA – 483 mil habitantes
Vizinha à Belém, a cidade tinha seu clube na primeira divisão do Campeonato Paraense até o ano passado. O Ananindeua foi fundado em 1978, mas registrou seus maiores sucessos a partir de 1996, quando conquistou a segunda divisão. Foram 11 participações consecutivas na elite, que incluem um vice-campeonato em 2006. Em 2012, contudo, a Tartaruga foi vice-lanterna e acabou rebaixada. Apesar de sua sede, a equipe costuma mandar seus jogos no Estádio da Curuzu, na capital.

As cidades mais populosas de cada estado fora da elite:

Sul – Santa Maria / RS (263 mil habitantes), São José / SC (215 mil habitantes), Maringá (367 mil habitantes);
Sudeste – Guarulhos / SP (1,244 milhões habitantes), São Gonçalo / RJ (1,016 milhões habitantes), Uberlândia / MG (619 mil habitantes), Vila Velha / ES (424 mil habitantes);
Centro-oeste – Águas Lindas de Goiás / GO (167 mil habitantes), Várzea Grande/ MT (258 mil habitantes), Ponta Porã / MS (80 mil habitantes), Planaltina / DF (164 mil habitantes);
Nordeste – Camaçari / BA (255 mil habitantes), Rio Largo / AL (68 mil habitantes), Caucaia / CE (336 mil habitantes), Santa Rita / PB (121 mil habitantes), Jaboatão dos Guararapes / PE (654 mil habitantes), Campo Maior / PI (45 mil habitantes), Parnamirim/ RN (214 mil habitantes), São Cristóvão / SE (81 mil habitantes), Timon / MA (159 mil habitantes);
Norte – Sena Madureira / AC (39 mil habitantes), Parintins / AM (103 mil habitantes), Ananindeua / PA (483 mil habitantes), Paraíso do Tocantins / TO (45 mil habitantes), Cacoal / RO (79 mil habitantes), Rorainópolis / RR (25 mil habitantes), Laranjal do Jari / AM (41 mil habitantes).

Notas:
– Números extraídos da estimativa divulgada pelo IBGE em 2012.
– No Distrito Federal, foram consideradas as regiões administrativas.
– Luziânia é a cidade mais populosa sem clube no Campeonato Goiano, mas a Associação Atlética Luziânia disputa o Campeonato Brasiliense.
– Os participantes dos estaduais em Roraima e Amapá não haviam sido definidos até a publicação da matéria, sendo considerados os clubes de 2012.