Quando saiu a escalação da Bélgica, um pouco mais de uma hora antes do jogo, vieram as duas mudanças da escalação: saíram Carrasco e Mertens, entraram Chadli e Fellaini. A dúvida, então, era como seria a disposição tática do time e Roberto Martínez. Com a bola rolando, foram muitas mudanças. De Bruyne, Hazard e Lukaku se mexendo muito, com o centroavante inclusive caindo pelas pontas, e um meio-campo muito forte, técnica e fisicamente. Com isso, os belgas enfiaram o dedo em uma ferida brasileira: o meio-campo. Foi nesse setor que a Bélgica causou um grande estrago, atropelou o Brasil e saiu com dois gols de vantagem no primeiro tempo, contando também com atuações individuais brasileiras muito, muito ruins no primeiro tempo.

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Tite demorou a entender o problema no primeiro tempo. O time em campo também. As atuações individuais do Brasil foram ruins, é verdade, com Fernandinho indo mal, Paulinho sendo um problema defensivo e ofensivo, Philippe Coutinho fazendo uma partida fraca, sendo até omisso em alguns momentos. Com um meio-campo marcando mal e tendo dificuldades na criação, o Brasil sofreu. Mais ainda quando perdia a bola.

Ao contrário do que aconteceu contra o México, Tite não conseguiu corrigir o problema e os primeiros minutos bons da Bélgica acabaram resultado em um gol, o que não tinha acontecido na fase anterior. O Brasil torceu para que o primeiro tempo acabasse logo e, assim, os erros pudessem ser corrigidos. Ou, ao menos, essa era a expectativa.

Só que o Brasil voltou para o intervalo com uma substituição surpreendente. Tite tirou Willian e colocou em campo Roberto Firmino, deslocando Gabriel Jesus, outra vez apagado, na ponta direita. O técnico pareceu não concordar que o problema era no meio-campo. Ou talvez achasse que era possível corrigir com os jogadores que estavam em campo, corrigindo o posicionamento. A primeira alteração pareceu trazer a segunda: com apenas 13 minutos do segundo tempo, Tite sacou Gabriel Jesus e colocou Douglas Costa.

A entrada do atacante da Juventus era importante, até por característica, mas seguia o problema no meio-campo. Paulinho era um jogador que, como em outros jogos, ajudava pouco na construção, além de marcar também pouco. Era um jogador que contribuía pouco, ainda mais em um dia que o time tecnicamente não ia bem em campo. Foi só na terceira alteração que Tite mexeu no setor de meio-campo, efetivamente: tirou Paulinho e colocou em campo Renato Augusto.

Assim como no caso de Douglas Costa, Renato Augusto era um jogador que poderia ter entrado por característica. Seria importante para melhorar a construção, em um time que perdia o jogo, no lugar de um Paulinho que pouco que conseguia fazer. Essa terceira alteração, já aos 28 minutos, deu pouco tempo para o Brasil buscar os dois gols. Conseguiu um. Contra o relógio, contra os próprios erros e contra um bom time do outro lado, não foi suficiente.

Martínez mudou o time tentando corrigir os problemas que encontrou no jogo contra o Japão. Conseguiu fazer o seu meio-campo dar um banho no Brasil nos primeiros 45 minutos. Tite, que já teve outros ótimos momentos lendo o jogo, como foi contra o México, desta vez demorou a corrigir os problemas. Quando o fez, os estragos eram grandes. E até teve chances para buscar o gol, de empatar, talvez de virar, ou mesmo entrar na prorrogação mais forte psicologicamente.

Tite acabou eliminado abraço demais em algumas convicções, como Gabriel Jesus, titular por tempo demais nessa Copa, ou Paulinho, que pouco conseguiu contribuir para o time em vários momentos – como no gol contra a Sérvia e no jogo contra o México, quando soube segurar o meio-campo.

Foram erros que Tite cometeu neste jogo e que resultaram na eliminação. De maneira alguma, porém, isso significa que o trabalho de Tite seja ruim. Os erros que custaram a eliminação, o que acontece. É do jogo também. Tite tem mais pontos positivos que negativos para serem ressaltados. Há uma boa base, um time que apresentou bons momentos e que pode, em 2019, ir novamente em busca de um título, a Copa América, que será justamente no Brasil. Há pontos positivos. Os erros precisam ser absorvidos, analisados e, finalmente, corrigidos.

Há, sem dúvida, jogadores que podem ter chegado ao fim do seu ciclo. Essa é uma avaliação que precisa ser feita em alguns dias. A melhor opção para a Seleção, neste momento, é renovar o contrato de Tite. E cobrá-lo, para que ele consiga se adaptar a situações como a deste jogo contra a Bélgica. O saldo é mais positivo, ainda que o gosto seja muito amargo e a eliminação nas quartas de final seja sempre precoce para um gigante pela própria natureza como é o Brasil. A demolição das ideias, quando elas são boas, acaba sendo pior. Em uma Copa, um detalhe é suficiente para ser eliminado. Mas há caminhos para que o Brasil siga na sua trajetória e jogue cada vez melhor. Afinal, é o que se espera de um time como o Brasil. É o que se espera da Seleção.


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