Time húngaro usa biometria no estádio, mas torcedores protestam por violação de privacidade

Ferencvaros obriga torcedores a cadastrar impressão digital para entrar no estádio, torcedores se revoltam e boicotam jogos do time

O Ferencvaros resolveu tomar uma medida drástica contra a violência no futebol. O clube húngaro, um dos mais importantes do país, implantou um sistema de identificação biométrica no seu estádio, o Gourpama Arena, em Budapeste, para saber exatamente quem entra em casa um dos jogos. A atitude, claro, desagradou muitos torcedores. Os mais exaltados são os torcedores organizados, que alegram que esse tipo de ação é um atentado contra a privacidade das pessoas. O clube alega que é uma medida importante contra a violência.

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Criada pela empresa húngara BioSec, os scanners analisam o padrão único nas mãos dos torcedores. O aparelho é ligado a um cartão de identificação que os torcedores devem passar no scanner junto com a palma de suas mãos. Todos os torcedores acima de 16 anos precisam seguir esse processo para comprar ingressos para os jogos. Por isso, muitos torcedores não estão satisfeitos com essa medida.

Um grupo de torcedores organizados do Ferencvaros está boicotando todos os jogos do time na temporada como forma de protesto. A alegação é que sua privacidade está sendo invadida. A questão da violência, para eles, não é assim tão relevante. “É desse jeito desde os anos 1970. Nós já nascemos nessa atmosfera. Nossos pais estavam batendo uns nos outros da mesma forma que nós fazemos”, declarou um torcedor.

A medida pode ter desagradável, mas os administradores do estádio esperam que os torcedores se acostumem. “Como esse é um serviço totalmente novo, as pessoas estão céticas, mas nós acreditamos que esses céticos irão entender em breve que essa medida serve apenas a um propósito: nós podermos identificar se o dono do cartão que tem o direito de entrar no estádio tem o cartão”, disse um porta-voz da empresa que administra o estádio ao jornal Washington Post.

O problema é que essa medida impede que os torcedores que têm os carnês de temporada vendam o ingresso de jogos específicos, porque a identificação biométrica irá barrar. O debate sobre o uso do sistema está forte no país. Sò o Ferencvaros usa a identificação biométrica e a insatisfação de parte da torcida é tão grande que houve um protesto em outubro em frente ao Parlamento húngaro. Além de não poderem vender ingressos de jogos específicos, os donos de carnês de temporada também são obrigados a ir uma vez por ano à sede do clube cadastrar as suas digitais.

A tecnologia pode diminuir a violência, mas a revolta dos torcedores certamente ainda vai fazer o clube sofrer por algum tempo com protestos dos seus grupos organizados mais barulhentos. Resta saber se o clube aguentará os protestos ou abrirá mão do sistema.

O vídeo abaixo mostra uma matéria feita para descrever o clássico húngaro entre Ferencvaros e Ujpest. E dá para sentir o quanto os torcedores organizados conseguem fazer barulho – e bagunça. Os chamados “ultras” ainda gritarão muito contra esse sistema e a diretoria do Ferencvaros terá trabalho para manter a identificação biométrica por muito tempo.