Thiago Neves teve um papel fundamental no Cruzeiro em 2017, liderando o time e participando de momentos de brilho na conquista da Copa do Brasil. No entanto, a torcida celeste tinha os seus motivos para cobrar o meia nos últimos meses. As atuações ruins da Raposa possuíam um expoente no camisa 30, por vezes lento nas transições, por outras mal nas finalizações. Os duelos contra o Boca Juniors na Libertadores evidenciaram a forma como o veterano destoava e alguns já sugeriam a sua saída. Thiago, ainda assim, não costuma se esconder em jogos grandes. E há também aqueles dias em que tudo dá certo, em que ele lembra os melhores tempos. Aconteceu isso nesta quarta-feira, no Mineirão. A exibição do meia foi decisiva para que os cruzeirenses saíssem em vantagem no primeiro encontro diante do Corinthians. Mesmo em um jogo tecnicamente ruim como um todo, fez o gol e muito mais na vitória por 1 a 0, merecendo os aplausos ao ser substituído.

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Em uma participação desinteressada do Cruzeiro no Brasileirão, Thiago Neves reverbera a tal estagnação. Marcou apenas um gol nos 18 jogos em que participou até o momento, 15 deles como titular. Número muito abaixo dos 11 tentos na edição passada. Na Libertadores, teve suas melhores atuações na fase de grupos e na vitória sobre o Flamengo no Maracanã, mas a afobação contra o Boca Juniors pesou contra. Em uma equipe desorganizada, que não tinha autocontrole para buscar o resultado, o camisa 30 acabou incorporando alguns problemas. Restava a Copa do Brasil, na qual tinha ajudado a derrubar o Santos, mas não vinha causando tanto impacto assim.

Já era de se esperar que Cruzeiro e Corinthians fizessem um jogo travado, dadas as mentalidades de seus treinadores. Seria necessário um toque diferente para que a balança pendesse a um dos lados. Thiago Neves se encarregou disso. Desde o início da partida, foi quem chamou a bola para si e comandou as ações ofensivas da Raposa. Correu, passou, arriscou, partiu para cima da marcação. Parecia o meia talentoso de outros tempos, que cavou sua vaga na Seleção. O aviso vinha a cada avanço. Primeiro, exigiu uma boa defesa de Cássio, em contragolpe que poderia ter sido melhor aproveitado se ele resolvesse passar. Foi fominha, mas já demonstrava sua vontade. Na sequência, cabeceou para fora. Minutos depois, arriscou de fora da área e carimbou a trave corintiana. A bola era nele. E ela veio, às portas do intervalo.

A participação de Thiago Neves no lance do gol é completa. Primeiro, ele descola uma inversão perfeita a Egídio. Caminha mansamente rumo à área, sem ser notado por nenhum defensor do Corinthians. Segue totalmente livre quando se posiciona para receber o cruzamento. Dá um passo para trás e arremata. Desta vez, com a sorte ao seu lado, para contar com o desvio em Henrique e ver Cássio, excepcional na partida até então, sem poder fazer qualquer coisa. A quem não fazia um gol desde meados de agosto, não haveria melhor forma de encerrar a seca.

Durante o segundo tempo, Thiago Neves não buscou tanto a definição. Atuou mais como um armador, distribuindo bolas, servindo os companheiros. E quase terminou com uma assistência. Na primeira etapa, seu cruzamento por pouco não rendeu o tento de Henrique, quando o placar ainda estava zerado, impedido por milagre de Cássio. Já depois do intervalo, seria a vez de Dedé emendar o seu lançamento e ver a bola sair por pouco. Era uma noite soberana do Cruzeiro, regida pelo camisa 30. Justo reconhecimento, então, durante a sua substituição. Arrancou aplausos da multidão no Mineirão ao dar lugar para David, aos 36 minutos.

Obviamente, a vitória do Cruzeiro não se deve apenas a Thiago Neves. Outros jogadores atuaram bem para que o time dominasse a partida – e, inclusive, isso poderia ter se refletido no placar de maneira mais ampla. Ariel Cabral e Henrique, sobretudo, trancaram a cabeça de área com seu trabalho incansável. A história das vitórias memoráveis, no entanto, quase sempre é contada por aquilo que se faz no ataque. E ninguém fez mais que o camisa 30 nesta noite sinérgica no Mineirão. Fez e deixou os celestes um passo à frente para erguer a taça mais uma vez.