Thaisa acaba de disputar sua segunda Copa do Mundo. A campanha com o Brasil, indo até as oitavas de final do torneio na França, colocou ainda mais em evidência a volante, que, segundo a imprensa europeia, é pretendida pelo Real Madrid, que trabalha na formação de um time feminino para disputar a primeira divisão espanhola da categoria.

Aos 30 anos, Thaisa acumula passagens por clubes de Islândia, Suécia e Estados Unidos, além de brasileiros, claro. Mas, mesmo atuando em nível profissional há mais de oito anos, conseguiu tirar muito de sua mais recente empreitada. Atualmente jogadora do Milan, a brasileira participou da temporada inaugural da equipe feminina rossonera na Serie A – e aprendeu bastante por lá.

Em entrevista exclusiva à Trivela, Thaisa conta que começou a enxergar futebol de uma outra maneira jogando no clube rossonero. Muito disso se deve à técnica Carolina Morace.

“Ela me fez ver o futebol de outra maneira. Antigamente, eu via duas, três opções quando recebia a bola, hoje consigo ver quatro, cinco, graças às movimentações que ela me ensinou. Então sou muito grata por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma técnica desse nível”, avaliou.

Apesar de ter montado um time do zero, o Milan conseguiu a terceira colocação na competição, que conta com 12 equipes. Ficou a um ponto da segunda colocada Fiorentina e, consequentemente, da classificação à Champions League – a distância para a campeã Juventus foi de cinco pontos.

No plantel, além de Thaisa, o Milan contou com jogadoras de talento, sobretudo no ataque. O time teve as duas maiores artilheiras da temporada 2018/19 do Campeonato Italiano: Valentina Giacinti, com 18 gols, e Daniela Sabatino, com 15, ambas à frente do maior destaque do futebol feminino italiano atualmente, Barbara Bonansea, da Juventus.

Thaisa soma incríveis 82 jogos pela Seleção, tendo marcado seis gols (Divulgação)

O trabalho bem feito teve muito da técnica Morace, com quem Thaisa revela ter tido várias conversas sobre tática e sobre como o talento brasileiro poderia ser explorado com melhores movimentações sem a bola, por exemplo, mas outra parte da explicação para o sucesso do Milan feminino vem da cultura de trabalho implantada – algo que foi também, de certa forma, um choque de realidade para a volante.

“Os maiores desafios foram a alimentação pré-jogo e também a preparação física, que é um pouco diferente daquela a que eu estava habituada”, conta.

Depois do sucesso da temporada passada, Thaisa e Morace seguem caminhos diferentes. A treinadora encerrou seu contrato com o Milan, enquanto a volante ainda tem chance de deixar o time. Mas a parceria poderia também, em um cenário diferente, ser levada a uma outra equipe. Morace revelou à Trivela que sonha dirigir a seleção brasileira. Não dá para saber se este é um sonho que se realizará, mas Thaisa tem certeza que qualquer seleção em que a treinadora trabalhasse ganharia com sua experiência: “Faria um trabalho magnífico na seleção brasileira ou em qualquer outra”.

*Colaborou Felipe Lobo

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