Carlos Tevez vinha perdendo espaço no Boca Juniors, mas a conquista do último Campeonato Argentino reacendeu a aura do ídolo. O atacante liderou a reta final da campanha dos xeneizes, com gols e assistências. Seria dele o tento que determinou a vitória sobre o Gimnasia de La Plata na última rodada e possibilitou a reviravolta no topo da tabela, tirando a taça das mãos do River Plate. Em fim de contrato neste mês de junho, Carlitos confirmou que renovará seu vínculo e continuará na Bombonera até dezembro. E, em tempos excepcionais, sem perspectivas sobre a volta do futebol na Argentina, abrirá mão de seu salário para iniciativas sociais.

“Seguirei no Boca, fica uma nova chance de jogar a Libertadores. Por causa da pandemia, não se sabe o que vai acontecer, mas meu representante já mandou aos dirigentes a resposta positiva à proposta que me fizeram. O vínculo irá até dezembro, de mais seis meses. E vou doar o que ganharei a uma entidade sem fins lucrativos. Não se falará mais sobre os valores”, declarou o atacante, nesta sexta-feira. “Nestes últimos meses, voltei a ser feliz no Boca. Isso se reflete dentro do campo”.

“Vou escolher uma entidade que precisa de itens básicos ou medicamentos, estamos decidindo. Vamos definir um contrato. Ninguém sabe quando vai voltar o futebol. Parece abusivo falar de dinheiro hoje, seja quem ganha mais ou quem ganha menos. Temos muita pobreza na Argentina. Vemos a realidade e me parece justo e saudável doar. Creio que as pessoas do Boca vão se sentir identificadas, elas também estão doando. Vamos fazer um bem para combater esta pandemia que todos estão passando”, completou.

A declaração de Tevez aconteceu depois de três meses em silêncio. Garantiu que o dinheiro não era um problema e que, diferentemente das especulações, estava comprometido a continuar em La Boca. Entretanto, também apontou que não estava satisfeito com afirmações da diretoria do Boca Juniors, após os ex-jogadores e agora dirigentes Jorge Bermúdez e Raúl Cascini indicarem que ele era um “ex-jogador” antes da recuperação neste ano.

“Estou em minha casa de campo e não escuto ou vejo nada. Mas o que se falou chegou a mim e me incomodou. Deveriam ter dito internamente. Se temos alguma diferença, não devemos tornar público. Não quero sair do Boca brigado com ninguém, mas tampouco vou deixar que me faltem respeito. Isso fica aqui, vamos falar no privado. Quero o bem para o nosso clube”, salientou. “Jogo aqui pela gente do Boca, não é por qualquer dirigente. Se nós queremos ganhar a Libertadores, temos que estar todos juntos. Não ganho sozinho, não sou nem Messi e nem Maradona. Pelo amor das pessoas, temos que estar unidos pelo objetivo”.

Sem tanto espaço com o técnico Gustavo Alfaro, Tevez também não correspondia quando ganhava chances em 2019. A recuperação aconteceu a partir de janeiro. Miguel Ángel Russo chegou para o comando técnico e resgatou o prestígio do veterano. Da mesma maneira, o agora dirigente Juan Román Riquelme manifestou que a nova presidência confiava no atacante, deixando para trás as rusgas entre os dois ídolos. Nas últimas sete rodadas do Campeonato Argentino, realizadas em 2020, Tevez contribuiu com seis gols e duas assistências. Também usou a braçadeira de capitão para erguer a taça.

Por fim, Tevez não descartou voltar a um de seus antigos clubes em 2021: “Veremos como estarei, se me aposento em dezembro ou se vou jogar uns meses no West Ham ou no Corinthians. Parece o mais justo para mim. Deixo todas as possibilidades em aberto, depois vejo. Não quero ser escravo de minhas palavras. Acho que o que decidir com minha família é o melhor para todos”.