Teve dribles, lágrimas e taça, num Gre-Nal para ficar marcado pelo adeus à flor da pele de Cebolinha

O gremista já se conforma com a ideia de que não terá mais os lances deslumbrantes de Everton Cebolinha com a camisa tricolor. A transferência do ídolo ao Benfica deve ser concretizada nos próximos dias e, diante daquele futuro que parece inescapável, restava apreciar o talento do atacante em seu provável último Gre-Nal. O jogo sem público na Arena não era o adeus que o camisa 11 merecia. Cebolinha, pelo menos, fez acontecer e garantiu uma noite emblemática neste possível ato final. Não balançou as redes, mas bagunçou a defesa colorada e construiu as jogadas nos dois gols tricolores, que valeram o triunfo por 2 a 0 e o título do segundo turno do Gauchão. Depois da partida, recebeu a braçadeira e ergueu a taça, antes de ir às lágrimas diante das câmeras e evidenciar o tom de despedida.

Por mais que sua fase recente não fosse das melhores, Everton guardou seu repertório principal para a Arena do Grêmio. Partiu para cima da defesa, arrancou em alta velocidade, deu caneta, girou sobre a bola, tocou de letra. Tentou bastante, disposto a marcar seu gol e garantir uma festa completa. Porém, Marcelo Lomba não estava disposto a permitir que os gremistas celebrassem. Foi um primeiro tempo aberto, em que o Tricolor acelerou e criou as melhores chances – embora o Inter também tenha achado brechas suficientes para abrir o placar.

A vitória do Grêmio ficaria para o segundo tempo. Teria em Everton sua ignição, com o primeiro gol aos quatro minutos. Ao receber pela esquerda, o camisa 11 pedalou e cruzou rumo ao segundo pau. Diego Souza, muito participativo, ajeitou de cabeça e permitiu que Maicon completasse. O Inter saiu para o ataque depois disso, mas Galhardo perdoou o empate num lance com a meta escancarada. Não era para ser. A noite estava reservada aos tricolores, e a Cebolinha. O segundo tento saiu aos 35, depois que o ponta deu um balãozinho e cruzou. Moisés também colaborou ao falhar feio e Isaque emendou um chutaço.

Se não era um Gre-Nal típico pela partida elétrica, cheia de chances de gol, seria pela confusão. E ela não tardou a vir, rendendo cartões vermelhos a Patrick e Orejuela, que se desentenderam logo na comemoração do segundo gol. O tumulto garantiria longos acréscimos e um pouco mais de tempo para Cebolinha desfrutar a camisa tricolor. Pois ele quase anotou seu tento nos acréscimos, ao fintar a marcação e bater, mas de novo Lomba lhe negou o grito. Nada que diminuísse, ainda assim, o protagonismo de Everton no Gre-Nal.

Durante a entrega do troféu do segundo turno do Gauchão, Geromel fez as honras: passou a braçadeira de capitão a Cebolinha e permitiu que o companheiro levantasse a taça. Ele teria esse gosto, em meio ao clima de despedida. E, sem segurar o choro, o atacante relembrou toda a história no clube durante a entrevista em campo. O adolescente nascido no Ceará se provou no Rio Grande do Sul. Virou jogador de Seleção e um dos grandes ídolos do Grêmio numa era vitoriosa do clube. A magia tantas vezes veio de seus pés.

“Pode ser o último jogo, como não pode. Tem coisas aí, faltam alguns detalhes, a gente tem uma situação bem avançada. Só quero agradecer, se for ou não, agradecer a esse clube. Fechar com chave de ouro, agradecer por proporcionar esse momento. Faltam alguns detalhes, mais coisas burocráticas, porcentagens, talvez se resolva aí. Saio com a sensação de dever cumprido. Foram oito anos em que defendi esse clube, pude honrar a camisa. Estou emocionado. Cheguei com 16 anos, ganhei títulos, só tenho a agradecer. É um aprendizado que tive aqui. Não nasci gremista, mas a vida me fez. Vou levar isso para o resto da vida”, declarou.

A final entre Grêmio e Caxias ainda não tem data para acontecer, às portas do início do Brasileirão. Cebolinha nem sabe se poderá estar no jogo decisivo. Mas o Gre-Nal acaba por ser um palco ainda maior para a sua trajetória, para a sua habilidade e para a sua idolatria. Mais do que estourar com a camisa tricolor, Everton venceu com ela. E a identificação com o clube perdurará. Isso esteve expresso por sua vontade nesta quarta. Esteve expresso pelas lágrimas e também pelo brilho do troféu em suas mãos.