Ter Stegen viveu uma noite para se consagrar e também se afirmar como o futuro

Desde que Victor Valdés anunciou sua saída, o sonho de consumo do Barcelona era bastante claro. E com todas as razões. Marc-André ter Stegen nem tinha completado 19 anos quando salvou o Borussia Mönchengladbach do rebaixamento, em 2011. Para depois, se tornar protagonista do clube que brigava na Alemanha por vagas nas competições europeias. Só que o começo do goleiro na Catalunha não foi dos mais simples. Além da concorrência de Claudio Bravo, o novato não aproveitava tão bem as chances nas copas. Mas ganhou confiança. Cresceu. Até a atuação espetacular em Munique. A partida que fez quem não sabia quem era Ter Stegen conhecê-lo e quem o desqualificava, aplaudi-lo.

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O placar sugere uma tranquilidade defensiva do Barcelona. Com os dois gols marcados por Neymar, o Bayern poderia fazer até cinco que, ainda assim, os espanhóis estariam na final. Mas não foi isso que o desenrolar da partida na Allianz Arena mostrou. Primeiro, pelo gol de Benatia logo aos nove minutos, em que Ter Stegen esteve a um triz de espalmar a bola. Depois, pelos milagres que o camisa 1 começou a operar. Por duas vezes, o alemão demonstrou toda a qualidade para evitar os gols do Bayern. E manteve uma segurança enorme para a classificação blaugrana.

A ascensão de Stegen na partida veio pouco depois do primeiro gol de Neymar. Lewandowski cabeceou no alto, cruzado, uma bola difícil de pegar. E que ia em direção do ângulo. Mas a mão direita de Stegen alcançou o “V” para espalmar. Depois, mais algum bombardeio do Bayern. Chutes que o camisa 1 defendeu com segurança.

A grande defesa da noite vir no fim do primeiro tempo, de novo negando a Lewandowski o segundo gol. O novato já tinha escolhido o canto para qual cair quando teve tempo de reação para desviar a bola, com a mão esquerda. E conseguiu tirá-la em cima da linha para completar a defesaça. Com dois milagres, a santificação estava completa. No segundo tempo, finalmente foi vencido pelo polonês, em um chute indefensável, assim como nada pôde fazer na bomba de fora da área de Thomas Müller. Não diminuiu sua noite.

Mais emblemático ainda que a atuação magistral de Ter Stegen tenha acontecido na Alemanha, onde nasceu e despontou. Contra o Bayern, adversário contra o qual sempre se destacou e que demorou cinco jogos para ser vencido pela primeira vez – o que, convenhamos, é muito contra os poderosos da Bundesliga, ainda mais em um time médio. E também contra Neuer, goleiro que serve de espelho, mas também de rival na seleção. Depois o titular do Bayern fez no Camp Nou, a resposta de Ter Stegen na Allianz Arena serviu para ressaltar o duelo. Não há muitas dúvidas sobre quem é melhor neste momento, ainda que o goleiro do Barça surja como ótima sombra para os próximos anos. Seis anos mais jovem, é um excelente pupilo.

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Obviamente que Ter Stegen ainda tem muito a evoluir. Não fosse assim, certamente não teria sido preterido por Ron-Robert Zieler durante a Copa do Mundo, sem figurar nas convocações da Alemanha desde maio de 2014. Suas saídas de gol por vezes são estabanadas, assim como por vezes jogue mal com os pés. Algo a se corrigir com a experiência, que o tempo vai ajudar. Porque, se a ótima forma debaixo das traves já é conhecida, sua habilidade nos treinos impressiona. “Controla a bola melhor que você, Leo”, disseram a Messi certa vez, em fevereiro. “Melhor não, muito melhor”, retrucou o 10. Para se orgulhar.

Um goleiro sempre está sujeito a suas falhas, por melhor que seja. Não será diferente com Ter Stegen, especialmente se a falha acontecer em Berlim, na final da Champions. Os últimos jogos, no entanto, reforçam a confiança sobre o goleiro que chegou acanhado ao Camp Nou, mas vai recuperando a forma que encantou em Mönchengladbach. Não apenas para mostrar que a meta blaugrana tem dono por muito tempo, especialmente porque Bravo é um nome para o curto prazo. Mas também para concorrer com o melhor do mundo na seleção alemã.