Arthur deveria ser uma página virada no Barcelona. Deixaria o clube ao final da temporada, ainda poderia ser útil no elenco durante a reta final da Champions League e bola para frente. Porém, quando a palavra de ordem no Camp Nou deveria ser para baixar a poeira e colocar ordem na casa rumo à competição continental, o meio-campista resolveu sair de maneira intempestiva. Decidiu antecipar sua despedida e gera mais incômodo. Pode até fazer valer sua vontade. Em compensação, prejudica a sua imagem e já fica uma desconfiança quanto à sua postura rumo às próximas etapas da carreira.

Arthur não compareceu ao treinamento do Barcelona nesta segunda, indicou que não tinha a intenção de retornar ao clube e pediu que o contrato fosse rescindido antes da Champions. Segundo o jornal El País, já no Brasil, o atleta ligou para o diretor Eric Abidal no final de semana para anunciar sua posição. O clube, em resposta, se negou a atender o pedido e abriu um expediente disciplinar contra o meio-campista. Ele ainda corre o risco de ser punido, mesmo de saída e mesmo se optar por não reaparecer em qualquer atividade dos blaugranas. O brasileiro pode ficar sem receber parte de seu último salário na agremiação.

Que Arthur carregasse seus problemas com a comissão técnica ou com a diretoria do Barcelona, ainda devia um pouco de respeito aos seus colegas. Sua atitude indica o contrário, quando a discussão gerada pela recusa do meio-campista cria confusão à toa ao restante de seus companheiros. Num momento em que o foco deveria ser total a um time que precisa claramente melhorar e tem que evoluir muito se quiser realmente conquistar a Champions, esse tipo de turbulência é mais que desnecessária – até soa um tanto quanto egoísta, quando a saída do brasileiro se daria dentro de poucas semanas. Arthur, além do mais, poderia ser útil contra o Napoli – considerando que Sergio Busquets e Arturo Vidal estarão suspensos ao duelo.

Arthur não jogou mais depois de sua venda à Juventus. Ficou no banco em quatro das últimas seis rodadas de La Liga – e, nas outras duas, se ausentou por uma amigdalite e por uma lesão no tornozelo. Já estava claro que Quique Setién não contava tanto com ele e que o Barça também preferia negociá-lo para equilibrar suas contas. O brasileiro não queria se transferir e acabou convencido a isso, por toda a situação ao redor. Independentemente disso, há um profissionalismo que se espera e que, de fora, não se aparenta. Pjanic, seu espelho neste momento, continua atuando pela Juventus e até assistência deu no jogo que definiu mais um Scudetto à Velha Senhora.

Arthur tem suas justificativas, ao dizer que não tinha problemas no tornozelo e que prefere antecipar as férias se não contam com ele. Segundo o jornal Mundo Deportivo, o jogador também percebe uma ordem expressa da diretoria para que não atue, já que boas partidas do meio-campista poderiam provocar a sensação de que a transferência seria um equívoco. Já no Barça, há uma acusação de que ele teria alegado a lesão no tornozelo sem realmente ter se machucado e que Setién deixou de contar com ele pela falta de interesse. Esse entrave poderia ser resolvido sem tantos atritos. Ao sair dessa maneira, sem qualquer aparente diálogo, o brasileiro parece dar mais voz ao que diz a própria diretoria.

Diante daquilo que se fala nos bastidores, Arthur pode até ter sua parcela de razão – não surpreenderia, considerando tantos erros desse Barcelona. Mas não é isso que fica exposto. Seguir nos treinamentos, se manter em forma à próxima temporada e compor o elenco em busca da Champions seria o fim esperado à sua passagem pelo Barça. Não traria problemas para si. Diante do imbróglio que ocorre, ele endossa a decisão de quem preferiu vendê-lo e joga uma pressão sobre si rumo à Juventus. Talento o brasileiro tem para dar a volta por cima. A gestão de sua carreira, em contrapartida, deixa a desejar.