Treinador do Aston Villa, Dean Smith precisou enfrentar algo muito maior que o risco de rebaixamento nas últimas semanas. O treinador perdeu seu pai, Ron, vítima da COVID-19 aos 79 anos. A fatalidade aconteceu no final de maio e o luto tirou Smith do reinício dos treinamentos, antes de retomar a preparação rumo à volta da Premier League. Já a confirmação da permanência dos Villans na elite inglesa rendeu um aguardado e emocionante tributo do técnico. Ele não deixou de se lembrar do pai durante a comemoração com o clube.

“Foi um período emotivo. Acabei de falar com toda a minha família através do celular. Eles se reuniram para assistir ao jogo na sala de estar e estão imensamente orgulhosos. Muitas pessoas perderam suas vidas por causa da pandemia, incluindo meu pai. Usei um broche do clube para homenageá-lo. Ele estará cuidando de nós, tenho certeza”, declarou Smith, na saída de campo, após o empate por 1 a 1 contra o West Ham neste domingo.

Ron Smith, além de pai do treinador, também foi torcedor e funcionário do Aston Villa. Trabalhou como fiscal do clube por anos e costumava acompanhar a equipe até mesmo fora do país, presente em Roterdã durante a histórica conquista da Champions em 1982. “Ele passou o amor pelo clube para os seus filhos”, disseram os Villans, na nota oficial que comunicou a morte. Diagnosticado com demência anos antes, o idoso vivia em uma casa de repouso.

A permanência do Aston Villa na elite dependeu de uma combinação de resultados. O ponto conquistado contra o West Ham foi suficiente, mas os Villans também dependeram da derrota do Watford para o Arsenal por 3 a 2 – se acontecesse o empate, os Hornets acabariam sobrevivendo. Depois de um amplo investimento ao conquistar o acesso, o clube de Birmingham poderá criar raízes na Premier League. Dean Smith seguirá à frente do projeto.

“Para ser honesto, evitar o rebaixamento é melhor do que ser promovido, porque tivemos uma grande arrancada neste verão. Fomos descartados por todos. Precisávamos construir um elenco, construir uma cultura. Chegar aonde estamos é uma conquista inacreditável para todo o grupo”, enfatizou Smith. O Aston Villa, vale lembrar, passou 17 rodadas na zona de rebaixamento e ocupava a penúltima posição a dois jogos do final. Entretanto, os oito pontos arrancados nos últimos quatro compromissos valeram a salvação.

“Estou imensamente orgulhoso dos jogadores, disse a eles nos vestiários. Eles foram rebaixados antes de saírem de campo, em março. Usamos a parada realmente bem, porque precisávamos. Não podíamos continuar da mesma forma, então tivemos uma oportunidade de melhorar defensivamente e trabalhar a forma física. Estou orgulhoso por eles, agora parecem jogadores de Premier League, agora parecem ter essa cultura – mas leva tempo. As pessoas só olham o dinheiro gasto para contratar, mas na Premier League isso não significa muito. Leva tempo para construir uma equipe e fizemos isso na liga mais dura do mundo”, complementou Smith.

A maior interrogação à próxima temporada no Villa Park será a permanência de Jack Grealish, capitão e grande destaque do time. Já com uma cerveja na mão durante a entrevista, Smith brincou sobre a situação: “O que acontecerá com Grealish? Ele vai sair e ficar bêbado comigo, é isso que acontecerá! Tenho esperanças sobre Jack, ele segue com contrato. É um torcedor do Aston Villa e está imensamente orgulhoso por fazer o gol que nos manteve na Premier League. Temos donos bilionários e pessoas querem levar nosso melhor jogador, mas isso custará muito dinheiro”. Grealish acumulou oito gols e seis assistências na campanha.