O mercado de transferências no futebol deverá ser totalmente diferente na próxima temporada. As consequências da longa paralisação e dos portões fechados são claras, com clubes reduzindo salários e tomando outras medidas para sanear as contas. Para Javier Tebas, presidente de La Liga, a tendência é que mais trocas de jogadores aconteçam. Sem dinheiro circulando, as negociações mais comuns colocarão na mesa talentos equivalentes.

“O mercado de transferências será mais moderado. Está claro que acontecerão menos transações pagas diretamente em dinheiro. Acontecerão mais trocas entre jogadores. Ocorrerão algumas grandes contratações, mas nada como vimos antes”, declarou Tebas, em conferência nesta quinta-feira. “Mas não vejo La Liga perdendo tantos jogadores importantes, porque a crise é mundial. Todos os grandes clubes na Europa precisam lidar com seus problemas”.

Tebas falou especificamente sobre os rumores de que Neymar poderia voltar ao Barcelona, descartando que um acordo envolva tanto dinheiro quanto na saída do brasileiro ao Paris Saint-Germain: “As operações como a de Neymar ao PSG não acontecerão. Podem ocorrer acordos de troca, mas isso não traz dinheiro à Liga. Está claro que teremos menos acertos efetivos”. Outros nomes comentados entre os grandes espanhóis são os de Kai Havertz e Lautaro Martínez. Real Madrid e Barcelona realizaram cortes salariais nos seus elencos, em contrapartida.

A expectativa de La Liga é a de que os clubes da primeira divisão espanhola movimentem €800 milhões na próxima janela de transferências – um valor alto, mas ainda assim bastante inferior aos €3 bilhões do verão passado. O mercado foi inflacionado especialmente pelas contratações feitas pelos três principais candidatos ao título. O Barcelona levou Antoine Griezmann, o que possibilitou ao Atlético de Madrid quebrar a banca com João Félix. Enquanto isso, o Real Madrid também teve um mercado recheado, sobretudo pela chegada de Eden Hazard. Juntos, os três negócios movimentaram €346 milhões.

O Campeonato Espanhol terá duas rodadas por semana, até a conclusão de sua temporada em 19 de julho. Todas as equipes disputarão mais 11 partidas. O planejamento é de que a próxima temporada possa ser iniciada em 12 de setembro, três semanas depois do previsto anteriormente, garantindo as férias e a pré-temporada aos atletas. Já a janela de transferências tende a ser alinhada entre as ligas, para começar em julho e só acabar no meio de outubro, antes do começo da fase de grupos da Champions.

Tebas ainda apontou perdas severas ao futebol espanhol, mesmo com a retomada da primeira e da segunda divisão nas próximas semanas. A estimativa do dirigente é que o rombo fique entre os €700 e os €800 milhões. Por conta disso, o cartola também vislumbra que os cortes salariais entre os elencos se mantenham por mais tempo durante a próxima temporada, para absorver tamanho déficit. A Espanha prevê abertura gradual das arquibancadas até o próximo ano, apesar de certa pressão feita por Tebas para permitir públicos pequenos desde já. O país registra 290 mil infectados e 27 mil mortos pela COVID-19 desde o início da pandemia.