Entre os muitos jogos que se propõem a recriar o universo do esporte mais amado do mundo, talvez o mais realista deles seja o Football Manager, desenvolvido pela Sega em parceria com a Sports Interactive. O game foi lançado em 2005, depois que a Eidos e a Sega se separaram da produção do cultuado Championship Manager. Desde então, o jogo ganha versões anuais, com elencos atualizados e novos mecanismos que melhoram a jogabilidade e o realismo das partidas virtuais.

A proposta do Football Manager é manjada dentro do universo dos jogos do tipo: recriar o mundo do futebol e colocar o jogador no papel de treinador de quase qualquer equipe ou seleção do planeta, com responsabilidades, glórias e problemas típicos dos profissionais do ramo. O game permite que os aspirantes a treinador tenham um controle vasto sobre diversos aspectos que envolvem o treinamento de uma equipe; da montagem tática do time à renovação de contratos, passando por comentários direcionados à mídia, problemas com determinados jogadores, gerenciamento de recursos financeiros e contratações para o plantel. Ou seja, as possibilidades de interação dentro do jogo são muito vastas e tudo está nas mãos do jogador, até mesmo os objetivos.

Logo de início o jogador escolhe o time que irá treinar, podendo optar por começar desempregado, trabalhar em um time de menor expressão ou dar uma de Dunga e ir direto para um top como Liverpool, Barcelona, Inter de Milão e até mesmo a Seleção Brasileira. O fato é que uma vez contratado, cabe a você designar os rumos de seu time e dar um jeito de atingir as expectativas da diretoria para aquela temporada. É verdade que em um time de ponta esse processo é bem mais fácil, uma vez que com dinheiro e prestígio dá até pra tirar o Cristiano Ronaldo do Manchester United (muito embora o processo de negociação seja tão difícil quanto na vida real). Mas é na condução de um time pequeno, ou de uma carreira de treinador desde as divisões inferiores, que o jogo é mais divertido.

Para exemplificar, quando joguei a versão 2008 do Football Manager (a última lançada até o momento) decidi que iria construir uma carreira de sucesso no futebol mundial, sem um objetivo específico para algum clube, como levar o Brasiliense à conquista da Libertadores ou faturar a Champions League com o Chelsea. Assim, comecei minha carreira no outrora grande clube Nottingham Forest, na Coca Cola League 1, equivalente à terceira divisão do futebol inglês. As projeções para a temporada eram boas, com meu time sendo um dos favoritos ao título daquele ano. Depois de ser recebido pela diretoria e informado das expectativas de título e acesso à Championship (segunda divisão), pensei um pouco, avaliei meu time e decretei: “Vamos jogar um futebol moderno em um 4-2-3-1 ofensivo”.

No papel era um esplendor o meu projeto. Contudo, na hora do “vamos ver”, a coisa não funcionou bem. O time não rendia no esquema proposto e mesmo as mudanças durante os jogos não surtiam efeito. Resultado: consegui me arrastar até o fim da temporada, ficando na segunda posição, mas a 18 pontos do líder Swansea. Envolto em pensamentos, descobri que a razão do meu desempenho ruim era uma só: subestimei o realismo do jogo.

Isso porque, apesar de ter jogado outras versões do game, esqueci de fundamentos básicos do futebol na hora de conduzir minha equipe. Primeiramente cometi o pecado de tentar adequar meus jogadores ao esquema tático, e não o contrário. Em segundo lugar, mudei a posição tática e substituí jogadores em quase toda a rodada, perdendo assim qualquer chance de deixá-los entrosados em campo. Por último, não fui nada compreensivo com a equipe e abusei das cobranças, o que resultou em um time de baixa moral em todas as pelejas.

Ou seja, para jogar Football Manager é necessário pensar como se estivéssemos (guardados alguns limites que o jogo impõe) de fato treinando uma equipe de futebol. E é justamente isso que o faz tão fantástico, pois é responsabilidade do jogador analisar todos os elementos que influenciam o desempenho dos times dentro de campo e aprender dia-a-dia mais e mais sobre a mecânica do jogo e, por que não, do futebol como um todo.