Quando o árbitro uzbeque Ravshan Irmatov soou o apito no último dia 26 de outubro, o FC Seoul sabia que tinha 90 minutos para furar a defesa do Guangzhou Evergrande, no primeiro jogo da final da Liga dos Campeões da Ásia 2013. Os chineses eram favoritos, não só pela maior qualidade técnica de seus estrangeiros, como o argentino Darío Conca e os brasileiros Muriqui e Elkeson, mas também em razão do melhor momento vivido pelo time de Marcello Lippi. Até que os 55 mil torcedores presentes no estádio Seoul World Cup (66.806 lugares) vibraram com o gol do atacante Sergio Escudero, nascido na Espanha, mas argentino e naturalizado japonês, aos 12 minutos.

Entretanto, a experiente defesa do FC Seoul, destaques para o brasileiro Adílson dos Santos (37 anos) e o sul-coreano Kim Jin Kyu, 44 partidas pela seleção principal, sucumbiu diante dos três atacantes do Guangzhou. Depois de pressionar por dez minutos, o time visitante empatou em cobrança de escanteio. Mérito de Elkeason, que tinha a mesma altura de seu marcador, o meia Ha Dae-Sung (1,80m), mas se posicionou  melhor na hora do cabeceio.

A única esperança do FC Seoul era o montenegrino Dejan Damjanovic, que quase marcou no início do segundo tempo, numa grande defesa de Zeng Cheng. Na sequência, Gao Lin mostrou que não é o patinho feio dos atacantes do Guangzhou e virou a partida para os chineses. Um atleta local não marcava na Liga dos Campeões desde 22 de maio de 2013, quando o mesmo Gao Lin fez o terceiro contra o Central Coast Mariners/Austrália, na volta das oitavas de final.

Só não dá para decretar o título do Guangzhou Evergrande em razão do gol de Damjanovic, aos 38 minutos, num lance em que a defesa adversária o deixou livre na grande área. O empate de 2 a 2 na Coreia do Sul, com pressão dos donos da casa na etapa final (sete chutes no alvo, contra dois dos chineses), logicamente foi melhor para o Guangzhou, que entrará em campo no dia 9 de novembro (sábado) com uma das mãos na taça. Já o Seoul terá de jogar uma partida impecável para superar o oponente.

Comando de ataque

No confronto de ida, a defesa do Guangzhou Evergrande teve alguns momentos de confusão, principalmente no segundo tempo. Para que Damjanovic não fique isolado no comando do ataque, é importante a aproximação do meia colombiano Maurício Molina, considerado o cérebro da equipe e criador de jogadas.

Assim, o ataque do FC Seoul poderá levar vantagem sobre a defesa adversária, que levou apenas dez gols na Liga dos Campeões. Se Escudero repetir o desempenho do primeiro jogo, com lances de alta velocidade pelo flanco esquerdo do ataque, o Seoul terá mais chances de marcar na casa do adversário, seu grande objetivo.

Experiência

Suspenso pelo terceiro cartão amarelo no confronto de ida, o lateral Cha Du-Ri, 33 anos, é peça importante na defesa e para o elenco chefiado pelo local Choi Yong-Soo. Com 11 anos de futebol alemão (2002-13), em clubes como Frankfurt e Freiburg, e três Copas do Mundo no currículo, o atleta sul-coreano vem sendo titular e atuando os 90 minutos nas últimas partidas pela liga nacional. Sua experiência será vital para segurar a pressão inicial do Guangzhou Evergrande e transmitir calma aos colegas.

Sequência positiva

Sem comemorar uma vitória desde 25 de setembro, no jogo de volta das semifinais da LC da Ásia, o FC Seoul não vence há cinco partidas, com três empates. Antes da finalíssima do torneio continental, a equipe tem dois confrontos importantes pelo Campeonato Sul-Coreano. Visitou o líder Ulsan Hyundai (30/10) e recebe o Suwon Bluewings (02/11), adversário direto na briga pela quarta e última vaga na Liga dos Campeões 2014.

Dois jogos em que o Seoul não poderá escalar um time alternativo, poupando as principais peças. Motivo também para a equipe entrar com tudo, alcançar vitórias e desembarcar em Guangzhou com a moral mais alta.

Favoritismo

Como se pode ver, a tarefa do FC Seoul no dia 9 de novembro não será nada fácil. Vencer um time que só perdeu três vezes em 2013 (uma no Campeonato Chinês, outra na Supercopa da China e mais uma na Liga dos Campeões), nos domínios do adversário, com a torcida contra e jogadores de menos qualidade técnica seria histórico para os sul-coreanos.

Embora não torne público, é bem capaz que Marcello Lippi já tenha incumbido um de seus auxiliares-técnicos para colher informações dos jogos finais da Liga dos Campeões da África, entre Orlando Pirates, da África do Sul, e Al Ahly, do Egito. Um dos dois será o adversário do campeão asiático no Mundial de Clubes da FIFA, no fim do ano.

Copa do Mundo sub-17

– Emirados Árabes, Iraque e Nova Zelândia fizeram papelão e caíram na primeira fase, com três derrotas. As esperanças dos asiáticos eram Uzbequistão, Japão e Irã, classificados às oitavas de final. Porém, todos perderam e não restou nenhuma equipe da Ásia.

Bosnich vs Ferguson

– Ex-goleiro do Manchester United (1989-91 e 1999-01), o australiano Mark Bosnich não quis polêmica com as declarações contidas na autobiografia do técnico escocês. Ferguson chegou a dizer que Bosnich só pensava em comida e estava acima do peso, além de ter chegado 3h atrasado no primeiro dia de treino. “É uma honra ser citado no livro de Ferguson, sugiro que comprem. Parte do que ele falou é verdade e no tempo certo darei minha versão”.

Surpresa em Camboja

– Como o Phnom Penh Crown, maior time do país (quatro troféus), vive má fase há dois anos, os novatos vão aproveitando. Em 2012, o Boeung Ket ganhou a liga pela primeira vez e jogou a AFC Presidents Cup 2013, assim como o Svay Rieng, representante nacional em 2014.

Timor Leste

– O time sub-19 da ex-colônia lusitana fez excelente campanha no torneio do sudeste asiático da categoria. Liderou sua chave, à frente de Laos, Camboja, Cingapura e Filipinas, perdeu para a Indonésia nas semifinais, mas ficou com o terceiro lugar, ao superar Laos. O título ficou com os indonésios, que derrotaram o Vietnã na final.

Asiático sub-19

– A fase eliminatória teve algumas surpresas, como as classificações de Iêmen, Vietnã, este melhor que a Austrália na chave F, e Indonésia, superior à Coreia do Sul no Grupo G. Ficaram de fora Arábia Saudita, Kuwait e Jordânia. O torneio será em Mianmar e os quatro melhores estarão na Copa do Mundo sub-20 2015, na Nova Zelândia.