O Werder Bremen chegou ao seu aniversário de 121 anos, completado nesta terça, sem tantos motivos para comemorar. O clube atravessa uma fase difícil na Bundesliga e, com sete rodadas sem vencer em casa, ocupa a zona de playoffs contra o rebaixamento. Apesar da enorme crise, a torcida realizou uma bonita festa nas arquibancadas do Weserstadion, antes do encontro com o Borussia Dortmund pela Copa da Alemanha. E a alegria se complementou com uma atuação exemplar dos anfitriões, como não se via faz tempo no estádio. Os Verdes jogaram na espreita e construíram uma ótima vantagem de dois gols no primeiro tempo. Já na segunda etapa, contiveram a pressão dos aurinegros e, com defesas vitais de Pavlenka, garantiram o resultado.  O heroico triunfo por 3 a 2 elimina o Dortmund e coloca o Bremen nas quartas de final da Pokal.

Lucien Favre escalou o Borussia Dortmund com poucas modificações em relação à goleada sobre o Union Berlim, no final de semana. Marwin Hitz, Niko Schulz e Dan-Axel Zagadou ganharam oportunidades entre os titulares. Além disso, Erling Braut Haaland voltou ao banco de reservas. Thorgan Hazard entrou na ponta, com Marco Reus no comando de ataque. Não demoraria para que a torcida cobrasse a participação do artilheiro.

Desde os primeiros minutos, o Werder Bremen deixou clara sua estratégia de se fechar atrás e explorar os erros do Dortmund. Com a defesa aurinegra dando espaços, os Verdes ganharam confiança em seus primeiros avanços e abriram o placar aos 16 minutos. Julian Brandt e Achraf Hakimi saíram jogando mal, o que entregou a posse de bola aos adversários no campo de ataque. Hitz até pegou o arremate de Milot Rashica, mas o rebote ficou limpo para Davie Selke guardar. E sem que o jogo do BVB fluísse, o Bremen ampliou aos 30. Reus afastou a cobrança de escanteio, mas a sobra ficou na entrada da área com Leonardo Bittencourt. A “Lei do Ex” se impôs na forma de um golaço: o teuto-brasileiro acertou um míssil no ângulo, que saiu do alcance de Hitz.

O Borussia Dortmund tinha muitas dificuldades para criar no ataque. Os aurinegros até mantinham a posse de bola, mas sem furar a defesa do Bremen e nem gerar linhas de passe mais agressivas. A utilização de Reus como referência pouco adiantava, sem penetração pelo chão. Pior, os visitantes até deram sorte de não tomar o terceiro gol no Weserstadion. Com auxílio de um vacilo de Mats Hummels, Selke ficou de frente para o crime, mas não conseguiu passar por Hitz. Era uma exibição alarmante do BVB durante o primeiro tempo – algo já visto outras vezes durante esta temporada.

Como era de se esperar, Haaland entrou em campo logo no início do segundo tempo, na vaga de Thorgan Hazard. Enquanto isso, o Bremen viria com Joshua Sargent, para explorar as bolas longas. Os Verdes encontravam brechas às costas da zaga e Hitz jogava adiantado. Em compensação, o Dortmund também cresceu, sobretudo quando Giovanni Reyna saiu do banco no lugar de Zagadou, para auxiliar Julian Brandt na armação. As chances começaram a surgir, primeiro com um desperdício de Schulz. Já aos 22, os aurinegros provaram que estavam vivos, com o primeiro gol. Depois de uma ótima trama pela direita, Jadon Sancho acionou Brandt e o meia deu um toquinho por cobertura na saída de Jiri Pavlenka. A bola ia entrando, mas o instinto de matador de Haaland falou mais alto e o centroavante escorou em cima da linha.

O empate quase saiu de maneira instantânea. Sancho deu mais um grande passe e Reyna ficou de frente para o gol, mas Pavlenka realizou um milagre no mano a mano. E a resposta do Bremen também foi imediata. Os Verdes fizeram o Weserstadion explodir com o terceiro gol, aos 25 minutos, num contragolpe cirúrgico. Yuya Osako enfiou a bola em velocidade para Rashica, que ganhou de Hummels na arrancada e finalizou na saída de Hitz.

O Dortmund, ao menos, não deixou se abater pelo banho de água fria. A equipe seguia tentando, com Brandt muito ativo na criação. Os melhores lances vinham em passes rasteiros pelo meio da zaga e foi assim que Haaland quase fez o segundo, bater pelo lado de fora da rede. O brilho no jogaço, porém, seria de outro garoto aurinegro: Reyna. O americano de 17 anos, filho do ex-camisa 10 Claudio Reyna, fez um carnaval diante da marcação adversária para diminuir a diferença no placar. Limpou três adversários com a bola grudada aos pés e acertou um chute caprichadíssimo de fora da área. A pelota realizou uma curva e matou a coruja, impecável na gaveta. Foi o primeiro tento do prodígio como profissional. O relógio marcava 33 minutos e tudo seguia aberto.

O duelo esfriou um pouco aos 37 minutos, quando Reyna pediu um pênalti e se estranhou com Niklas Moisander dentro da área. Os dois receberam o cartão amarelo, após revisão do entrevero pelo VAR. Ainda assim, o momento era do Borussia Dortmund, que não desistia. Reyna fez mais uma ótima jogada e entregou a Reus, mas o capitão bateu em cima de Pavlenka. Logo depois, o camisa 11 deu lugar a Emre Can, em sua estreia pelo novo clube. O novo reforço, todavia, mal apareceria. Pavlenka seria fundamental não só para gastar o tempo, como também para evitar o empate com uma defesaça nos acréscimos. Brandt cruzou com maestria e Haaland emendou de cabeça no alto, para que o arqueiro espalmasse à queima-roupa. A defesa alviverde segurou até o fim, permitindo uma comemoração enlouquecida pela vitória.

O Bremen sustenta uma marcante sequência de classificações contra o Dortmund na Copa da Alemanha. Este é o terceiro encontro consecutivo no qual os Verdes se dão bem, após já terem eliminado os aurinegros no pênaltis em 2019. O resultado é uma motivação e tanto para o time de Florian Kohfeldt, por mais que o foco seja a salvação na Bundesliga. Será importante manter o mesmo espírito nas próximas semanas, e o encontro com o Union Berlim no sábado que vem é fundamental.

Já o Borussia Dortmund volta ao velho dilema: não adianta em nada ter um ataque potente, se a defesa não funciona bem. A inconsistência dos aurinegros em seu campo permitiu ao Werder Bremen abrir vantagem e, desta vez, nem Haaland conseguiu recobrar o prejuízo a tempo. O sistema de jogo atual de Lucien Favre, com três defensores, contribui às subidas dos velozes laterais e dá mais armas ao poderio ofensivo. Entretanto, o excesso de gols sofridos segue exigindo ajustes imediatos.