Já se foram oito das dez rodadas da segunda fase das Eliminatórias Asiáticas para a Copa 2018 e, apesar da extrema diferença de qualidade entre as seleções grandes (Japão, Coreia do Sul, Irã e Austrália; um pouco abaixo a Arábia Saudita) e as pequenas, somente o Catar já está matematicamente garantido na fase final do torneio. Enquanto isso, Tailândia e Síria pintam como possíveis surpresas.

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Entretanto, se você torce por algum dos donos do futebol asiático de seleções, não tenhais medo! É apenas questão de tempo para as seleções de grande porte também seguirem adiante nas eliminatórias (e garantir vaga na Copa da Ásia 2019, já que os jogos valem pelos dois qualificatórios). Veja um resumo da sétima e oitava rodadas.

Muito fácil para o Catar

O Catar está longe de ser uma das forças asiáticas, pois quase todos os jogadores atuam no próprio país, com exceção do jovem meia Akram Afif, 19 anos, que começou na Aspire Academy (o projeto é de 2004 e visa desenvolver talentos no Catar, bem como lhes oferecer educação), passou nas bases de Sevilla e Villarreal e hoje está no Eupen (Bélgica).

Entretanto, o técnico uruguaio José Daniel Carreño vem encontrando muita facilidade na chave, formada por Hong Kong, China, Ilhas Maldivas e Butão. O Catar venceu as seis partidas disputadas até aqui, marcou 27 gols e só levou dois, ambos dos honcongueses. Claro, Butão foi a principal vítima, sofrendo humilhação de 15 a 0 fora de casa – na última rodada, os catarianos fizeram só 3 a 0 nos butaneses.

Hong Kong e China brigam pela segunda vaga da chave e ainda vão encarar o Catar (os chineses jogam fora, os honcongueses em casa). Porém, como só se classificam os quatro melhores segundos colocados, o hoje vice-líder da chave Hong Kong está ficando fora da fase final pelo saldo de gols menor que o Iraque e um jogo a menos. Deve ser eliminado.

Será que dá Tailândia?

Os tailandeses devem estar ávidos por fazer história nas eliminatórias da Copa 2018 e alcançar a fase final do torneio pela primeira vez. Porém, a briga é contra o Iraque, que atingiu a etapa no qualificatório de 2014 e tem a vantagem para conseguir de novo. Embora a Tailândia lidere o Grupo F com 13 pontos, cinco a mais que o Iraque, o adversário tem dois jogos a fazer, contra um dos tailandeses – Vietnã e Taiwan completam a chave; a Indonésia fazia parte do grupo mas foi excluída pela FIFA por interferência do governo no futebol.

A decisão do grupo deve ser no próximo dia 24 de março de 2016, quando o Iraque “recebe” a Tailândia e está obrigado a somar três pontos se quiser continuar tendo chances de avançar – em solo tailandês deu empate de 2 a 2.

Cinco dias depois, o Iraque encara o Vietnã, mas pode ser uma dificuldade o fato de a equipe estar tendo de jogar em solo iraniano, diante da falta de segurança no país. O Iraque até pode avançar à fase final como segundo colocado, mas é arriscado contar com a possibilidade.

Síria na fase final?

Os sírios, assim como os iraquianos, vivem o caos no país em razão da Guerra Civil e também não podem atuar em casa, preferindo jogar em Omã. Mas isso não tem feito muita diferença na campanha, exceto quando a Síria mediu forças com o Japão, levando de 3 a 0. Como os japoneses devem ficar com a liderança e a vaga direta do Grupo E – a Síria encara o Japão fora de casa na última rodada –, os sírios estão fazendo contas para avançar como segundo colocado.

Mas por enquanto não há nenhuma garantia de vaga na fase final do qualificatório para a Copa 2018, apesar de, neste momento, a Síria liderar o ranking dos segundos colocados com 12 pontos, quatro a mais que o quinto Hong Kong. O problema é que a Síria só enfrentou uma vez Camboja, confirmado como lanterna da chave (não tem pontos e está seis atrás do Afeganistão, que tem um jogo por disputar), e vai encarar o adversário na próxima partida. Ou seja, não vai somar pontos na disputa dos segundos, pois a pontuação contra os lanternas é desconsiderada.

A última chance de a Síria somar pontos é justamente diante do Japão, fora de casa! Se não fizer sua parte, a seleção síria terá de secar os adversários nas duas rodadas finais, pois é muito difícil que os atuais lanternas das chaves deixem as posições, o que mudaria toda a pontuação dos segundos colocados.

O que dá esperança aos sírios foi a incrível vitória de 2 a 1 sobre Cingapura, fora de casa: após fazer 1 a 0, o time visitante sofreu o empate aos 44 minutos da etapa final, mas marcou de novo aos 48 e comemorou a vitória!

Curtas

– Apenas Butão (Grupo C), Camboja (Grupo E) e Taiwan (Grupo F) perderam todos os jogos disputados – os taiwaneses jogaram cinco vezes, contra sete jogos de Butão e Camboja. Claro, a pior defesa é dos butaneses, que já sofreram 48 gols. O pior ataque é dos cambojanos, que só marcaram uma vez, na derrota de 2 a 1 para Cingapura, fora de casa.

– Timor Leste é treinado pelo brasileiro Fernando Alcântara e nos últimos anos contou com jogadores brasileiros naturalizados, o que permitiu à seleção ir um pouco mais longe. Porém, sem nenhuma explicação plausível, os naturalizados não foram convocados para as duas últimas partidas, o que provocou humilhações ao timorenses. 8 a 0 para Emirados Árabes Unidos, fora de casa, e 10 a 0 a favor da Arábia Saudita, em casa. Antes, Timor Leste havia levado de apenas 1 a 0 dos emirianos em casa e empatado com Malásia e Palestina.

– Se a segunda fase das eliminatórias da Ásia para a Copa 2018 terminasse hoje, estariam na fase final as seguintes seleções: Arábia Saudita, Austrália, Catar, Irã, Japão, Tailândia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, como líderes de chave, e Síria, Jordânia, Uzbequistão e Iraque como segundos colocados. Em comparação com 2014, que teve dez seleções na fase final, Líbano e Omã estiveram lá quatro anos atrás, mas agora brigam pela segunda vaga de seus grupos. Omã é segundo e tem 11 pontos na chave do Irã, um a mais que o Turcomenistão, enquanto o Líbano soma dez pontos no terceiro lugar do grupo da Coreia do Sul, quatro gols de saldo atrás do Kuwait.

– Aliás, a partida entre Mianmar e Kuwait foi a única que não aconteceu pois, como a coluna afirmou no início de novembro de 2015, a federação local foi suspensa pela FIFA. Porém, a entidade ainda não tomou uma decisão do que será feito com o Kuwait, mas há a possibilidade de exclusão da seleção das eliminatórias, o que poderia resultar na entrada dos libaneses na briga.