A decisão da Copa Sul-Americana exibiu, a quem não conhecia, os predicados de Nicolás Tagliafico. O capitão do Independiente fez uma partidaça contra o Flamengo no Maracanã. Manteve a segurança a todo momento, mesmo quando a pressa começava a bater nos rubro-negros. Foi aguerrido, seguindo em frente depois de sofrer um corte na cabeça. Demonstrou sua capacidade tática, ao trocar de posição com Gastón Silva em diferentes fases da partida e ser deslocado ao miolo de zaga. Combinou qualidade técnica e combatividade para, ao final, erguer a taça da competição continental. Deixa o Rojo com uma trajetória curta, mas de respeito. E pronto para buscar um novo rumo na carreira, contratado pelo Ajax.

Para um jogador de 25 anos, o currículo de Tagliafico é um tanto quanto modesto. Revelado pelo Banfield, atuou no clube até 2015, a despeito de uma rápida passagem pelo Murcia. E não era um momento fácil para os verdiblancos, que caíram à segunda divisão e subiram novamente com o auxílio do jovem. Sua primeira chance em um grande da Argentina veio justamente com a camisa do Independiente. Que a fase do Rojo seja distante das glórias que representam a sua tradição, a ascensão do defensor foi notável neste período. Figurinha carimbada nas seleções de base, conseguiu ganhar sua primeira chance no nível principal, com Jorge Sampaoli. De uma promessa que parecia não deslanchar, se firmou entre os melhores laterais do futebol local.

E a Copa Sul-Americana veio em boa hora para Tagliafico. Crescendo na equipe, o lateral melhorava o seu rendimento temporada após temporada. Já seu ápice aconteceu justamente com Ariel Holan. O defensor ganhou a braçadeira de capitão e aprimorou as suas qualidades táticas, muitíssimo funcional no esquema de jogo aplicado pelo treinador. Não à toa, foi um dos melhores jogadores na conquista do título continental. Terminou o ano eleito como o melhor de sua posição no continente, através da tradicional votação promovida pelo jornal uruguaio El País.

Se outros clubes poderiam crescer os olhos no futebol de Tagliafico, o Ajax se antecipou ao movimento. Em um momento difícil para os Godenzonen, que acertam sua transição em meio aos altos e baixos vividos ao longo do ano, o argentino é um reforço bastante interessante. Por sua idade, tem a possibilidade de evoluir mais e render bastante aos holandeses. Mas também chega a Amsterdã bastante amadurecido, para ser uma liderança e uma peça dinâmica dentro do estilo que se prega na Johan Cruyff Arena. Os cerca de €5 milhões pagos na contratação soam mais do que justos, diante daquilo que o novato pode oferecer.

Obviamente, Tagliafico se desgarra da chance de poder ampliar sua história no Independiente. Seria o capitão do Rojo no retorno à Libertadores, embora o desmanche do elenco deixe um pé atrás sobre as reais chances do time na competição continental. Dedicando-se exclusivamente a perseguir o PSV no Campeonato Holandês, o Ajax é um clube para que o argentino pense no médio prazo. Mas o impacto inicial pode impulsioná-lo, caso vislumbre a convocação à Copa do Mundo de 2018. Considerando as lacunas e as carências da Albiceleste, é um jogador para seguir no radar de Sampaoli, especialmente por sua versatilidade.


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