Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

A Taça dos Campeões, competição nacional organizada pela CBF em edição única em 1982, está entre as grandes glórias nacionais do America. A conquista, vinda com vitória na prorrogação sobre o Guarani no Maracanã, há exatos 35 anos, é um dos pilares do ótimo momento vivido pelo clube em meados da década de 80, juntamente com o título da Taça Rio no mesmo ano e a chegada às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1986, já com uma equipe bem modificada.

Naqueles dois meses antes da Copa do Mundo da Espanha, a boa equipe dirigida pelo ex-volante palmeirense Dudu surpreendeu adversários tradicionais, como Atlético Mineiro, Cruzeiro e Grêmio, venceu uma batalha dramática com a Portuguesa nas semifinais e triunfou sobre um bom time do Bugre na decisão. O momento vivido pelo America e o contexto da criação da competição valem ter suas histórias contadas e eternizadas, assim como o gol do título, do ponta Gilson Gênio, está até hoje nos corações e mentes dos bravos torcedores rubros.

A escalação da foto de abertura. Em pé: Gasperin, Duílio, Everaldo, Zedílson (substituiu o suspenso Aírton), Chiquinho e Pires. Agachados: Serginho, Gilberto, Moreno, Elói e Gilson Gênio.

Um America com fome de taça

“Em breve o grito da vitória voltará a ser ouvido e ergueremos os troféus de campeões. Viva o America!”. Assim encerrava seu discurso de posse Lúcio Lacombe, o novo presidente rubro, na sede do clube, na Tijuca, naquele 5 de janeiro de 1982. Recebia um America que progressivamente perdia sua relevância no cenário estadual e nacional, em meio a campanhas discretas, quando não vexatórias. No ano anterior, o clube havia ficado pela primeira vez de fora da elite do Campeonato Brasileiro desde a instituição do torneio naqueles moldes, em 1971, em virtude da má classificação no Estadual do Rio de 1980. E para aquele 1982, novamente o time deveria jogar a Taça de Prata, torneio que fazia as vezes de segunda divisão naqueles tempos, ainda que permitindo o acesso ao campeonato principal durante a competição.

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Mesmo assim, o novo presidente tinha projetos ambiciosos para o clube. Logo no início do ano, investiu cerca de 100 milhões de cruzeiros – mais até do que a maioria dos clubes da Taça de Ouro – na contratação de jogadores de bom nível e experiência. A maioria veio do futebol paulista: o zagueiro Duílio (Portuguesa), o lateral-esquerdo Aírton (São Paulo), o meia Elói (Santos), além do volante Pires, trazido em definitivo do Palmeiras depois de atuar emprestado no fim do ano anterior, do lateral-direito Chiquinho, vindo por empréstimo de um ano do Guarani, e do ponta-direita Serginho, trazido também por empréstimo da Ponte Preta já com a Taça de Prata em andamento.

Do futebol carioca, vieram o meia Gilberto, do Fluminense, e o goleiro Chico Santos, do Americano. Por fim, chegou também o ponteiro-esquerdo Gilson Gênio (revelado pelo Flu, mas que estava há quase três anos no Bahia), contratado por 15 milhões de cruzeiros mais o passe de três jogadores. Além dos reforços, despontava no elenco uma promessa recentemente puxada da base, o meia-atacante Moreno, escalado também como centroavante. Para comandar este elenco renovado, um treinador igualmente novo: Olegário Tolói, o Dudu, ex-volante da Academia palmeirense dos anos 60, que substituía o ex-zagueiro Marinho Peres, demitido no fim do ano anterior.

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O objetivo inicial foi concluído com pleno êxito: recolocar o America na elite nacional. Na primeira fase da Taça de Prata, o Grupo C tinha o Corinthians como o grande favorito ao primeiro lugar, enquanto ao America, teoricamente, caberia a segunda vaga, bem à frente dos demais (os baianos Catuense e Leônico, o brasiliense Guará e o capixaba Colatina). Mas, mesmo perdendo para o Alvinegro paulista de Sócrates, Zenon e Biro-Biro no Pacaembu na estreia por 2 a 0, o time rubro derrotou todos os demais adversários e, ajudado pelos tropeços corintianos, terminou no topo da chave. Na segunda fase, o acesso à Taça de Ouro foi consolidado com o primeiro lugar do Grupo G, após golear o CRB em São Januário (4 a 0) e arrancar um empate em 2 a 2 com o Tiradentes-PI em Teresina.

Na Taça de Ouro, o America ficaria no Grupo I, ao lado do favorito Vasco, do sempre regular Operário-MS e do surpreendente Inter de Santa Maria. Na estreia, mesmo com a derrota por 3 a 1 para os cruzmaltinos no Maracanã, o time deixou muito boa impressão, dominando todo o segundo tempo, sem deixar o adversário ficar com a bola, mas esbarrando nos erros de finalização e na péssima arbitragem de Romualdo Arppi Filho.

Em seguida o time venceu bem o Inter de Santa Maria por 3 a 0 novamente no Maracanã, perdeu para o Operário por 1 a 0 em Campo Grande e se recuperou vencendo o Inter-SM no interior gaúcho por 1 a 0. No reencontro com o Vasco, o time mostrou brio para buscar no fim um empate em 2 a 2 com dois gols de Elói. Mas na última rodada, precisando vencer o Operário em São Januário, a equipe não conseguiu controlar os nervos, perdeu até um pênalti e sofreu um gol de contra-ataque logo no início da etapa final, caindo por 1 a 0 e dando adeus de maneira um tanto precipitada ao Brasileiro.

A eliminação motivou a última contratação do primeiro semestre: o goleiro Gasperin, ex-Internacional e que esteve emprestado ao Cruzeiro no ano anterior, era a nova aposta para a posição na qual nem Ernani nem o também recém-contratado Chico Santos chegaram a inspirar confiança. Pela outra porta, o zagueiro Heraldo era vendido ao Fluminense.

O novo torneio é criado

Naquele mesmo 5 de janeiro de 1982 da posse de Lúcio Lacombe, não muito longe dali, na antiga sede da CBF na Rua da Alfândega, centro do Rio, o presidente da entidade Giulite Coutinho – ele próprio, ex-mandatário do America – anunciava uma nova atração do calendário do futebol brasileiro para aquele ano: a Taça dos Campeões (ou Torneio dos Campeões, como também ficaria conhecido), competição a ser disputada após o fim do Campeonato Brasileiro, em meados de abril, e antes do início da Copa do Mundo da Espanha, em meados de junho. A ideia era a de um torneio para manter os clubes em atividade durante o período de preparação da Seleção Brasileira para o Mundial.

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Inicialmente concebido para 16 clubes, o torneio reuniria os campeões e vices do Campeonato Brasileiro até ali, bem como os dos Torneio Rio-São Paulo e Roberto Gomes Pedrosa, além da Taça Brasil. Assim, os paulistas seriam representados por Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Guarani e Portuguesa. Os cariocas teriam Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Atlético e Cruzeiro representariam os mineiros, enquanto que Grêmio e Internacional, os gaúchos. Pelo esboço inicial o Bahia e o Fortaleza completariam os participantes, mas o número logo seria ampliado para 18 quando lembrou-se de incorporar também o Náutico, vice-campeão da Taça Brasil de 1967. A última vaga ficaria justamente com o America, o melhor classificado do ranking nacional da CBF entre os demais.

As reuniões entre os clubes participantes na sede da CBF definiram o regulamento – um tanto complexo, como era comum na época, mas apropriado para uma competição de tiro curto. As equipes seriam divididas em quatro grupos (dois com cinco e dois com quatro participantes), jogando dentro das chaves em turno e returno, sendo que, ao final de cada uma dessas etapas seria apontado o campeão de cada um dos grupos. Em seguida, os vencedores dos turnos das respectivas chaves se enfrentariam em partida única para indicar um classificado para as semifinais (exceto, é claro, no caso de um mesmo time vencer turno e returno de sua chave, passando então de maneira direta à fase seguinte).

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As semifinais seriam jogadas em partida única, com mando pertencendo ao clube vindo de um dos grupos de cinco equipes. Em caso de empate – assim como na decisão dos grupos – haveria prorrogação e pênaltis. Já a final seria disputada em partidas de ida e volta. O aumento do número de clubes (que forçou a criação dos grupos com cinco equipes) acabou inviabilizando uma das ideias iniciais da CBF, que seria a de rodadas apenas nos fins de semana.

Ficaram definidos também os grupos. O A e o B – ambos com cinco equipes – seriam inicialmente formados por três paulistas e dois cariocas: o primeiro deles conteria Botafogo, Vasco, São Paulo, Santos e Guarani, enquanto o segundo reuniria Flamengo, Fluminense, Corinthians, Palmeiras e Portuguesa. O Grupo C seria formado pela dupla mineira Atlético e Cruzeiro, pelo Grêmio e pelo America, o quinto carioca. Já o D colocaria o Internacional contra três adversários nordestinos, Bahia, Náutico e Fortaleza.

A poucos dias do início do torneio, no entanto, ainda haveria uma última alteração: o Flamengo, recém-coroado campeão brasileiro, desistiu de disputar o torneio, preferindo excursionar pelas regiões Norte e Nordeste. Com Santa Cruz e Paysandu empatados na pontuação do ranking, a CBF marcou uma partida desempate para definir quem herdaria a vaga no Grupo B. E os pernambucanos venceram por 1 a 0.

A bola começa a rolar

O Torneio começou no sábado, 24 de abril, com o primeiro turno indo até 8 de maio. Na rodada inaugural, o America foi ao Mineirão enfrentar o Cruzeiro, que saiu na frente com gol de Tostão (o “outro”, que passou pela Raposa nos anos 80 vindo do Mixto e mais tarde defenderia o Coritiba). O empate para os cariocas veio na etapa final, em pênalti sofrido por Gilberto e convertido com uma bomba pelo zagueiro Duílio. Uma semana depois, o time de Dudu recebeu o Grêmio no Maracanã, e novamente saiu atrás no marcador depois que o centroavante Paulinho cabeceou para as redes um escanteio cobrado por Renato Gaúcho. O empate, outra vez obtido na etapa final, veio numa bela troca de passes, antes de Elói aplicar uma finta desmoralizante nos marcadores e rolar para Duílio encher o pé da entrada da área.

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Na última rodada do primeiro turno, após o empate em 1 a 1 entre Grêmio e Cruzeiro no sábado em Porto Alegre, apenas America e Atlético-MG tinham chances matemáticas de conquistar a primeira vaga na decisão do grupo. As duas equipes se enfrentaram no domingo, no Mineirão. Apesar de não contar com cinco de seus principais jogadores, o Galo era o favorito por jogar em casa, ter a vantagem do empate e contar ainda com uma nova arma: as cobranças de falta venenosas do recém-contratado Nelinho, que fazia seu segundo jogo oficial pelo clube.

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Mas foi o America quem dominou amplamente a partida. Perdeu várias chances especialmente no primeiro tempo. Em uma delas, Moreno recebeu livre e tocou rasteiro deslocando do goleiro, mas a bola acertou o pé da trave. Na etapa final, quando o desgaste físico já era grande, o volante João Luís (que entrara durante a partida improvisado na zaga) tirou uma grande jogada da cartola: recebendo um recuo de Chiquinho no meio-campo, ganhou as divididas com dois atleticanos, avançou e deu um passe preciso para Elói tocar na saída do goleiro a seis minutos do fim e dar a vitória e o título do primeiro turno aos rubros.

No segundo turno, o America manteve o pique: estreou batendo o Cruzeiro em São Januário por 1 a 0, gol do ponta Serginho, e em seguida arrancou um empate em 0 a 0 diante do Grêmio de De León, Renato e Baltazar em pleno Olímpico. Novamente chegava para decidir o turno com o Atlético e com os mineiros jogando pelo empate, mas desta vez no Maracanã. O time rubro abriu o placar numa bela jogada de Elói e ainda criou outras grandes oportunidades na primeira etapa. Mas relaxou e viu o Galo empatar na metade do segundo tempo com Reinaldo, aproveitando uma bobeada de Duílio, e conquistar o segundo turno pelo número de gols marcados.

A reta final

Lamentando a chance desperdiçada de garantir passagem direta às semifinais, os rubros voltaram a campo dali a três dias, novamente contra o Atlético no Maracanã, na noite de quarta-feira, 2 de junho, para decidir o Grupo C. Num jogo dramático, em que o time carioca novamente dominou, mas teve dificuldades para concretizar seu volume de jogo em gols, a classificação veio chorada, aos 44 minutos do segundo tempo, num bate-e-rebate que só terminou quando Elói escorou para as redes.

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Nos outros três jogos que decidiram as chaves houve surpresa: pelo Grupo A, o Guarani despachou o São Paulo em pleno Morumbi por 1 a 0, gol de Jorge Mendonça. No B, a Portuguesa atropelou o Fluminense vencendo no Canindé por 3 a 1. E no D, o Bahia eliminou o Internacional por 3 a 2 na Fonte Nova. Pelas semifinais, o America encararia a Lusa no Pacaembu, enquanto o Bugre receberia o Tricolor Baiano no Brinco de Ouro.

O duelo contra a Portuguesa, numa tarde-noite fria de junho no Pacaembu, teve ares de épico. O America abriu o placar logo aos sete minutos: Serginho pressionou o lateral Odirlei, que recuou mal. A bola resvalou no zagueiro Reacir e enganou o goleiro Moacir. Três minutos depois, porém, a Lusa chegou ao empate, depois que o ponta-esquerda Pita cobrou falta lateral para a área e Humberto testou forte vencendo Gasperin. Os rubros ainda foram para o intervalo com dez homens, depois da expulsão do lateral Aírton por reclamação, aos 40 minutos.

Na volta para o segundo tempo, o sergipano Zedílson, cria da base e zagueiro de área de origem, entrou no lugar de Gilson Gênio para cobrir o setor. Resistindo bravamente, os cariocas conseguiram levar o jogo para a prorrogação. A quatro minutos do fim do tempo extra, parecia que todo o sacrifício teria sido em vão quando Humberto bateu de fora da área, e a bola desviou no zagueiro Everaldo, fugindo totalmente do alcance de Gasperin. Era a virada da Lusa. Só que nada estava perdido. No último minuto, numa cobrança de escanteio, Zedílson, o lateral improvisado, subiu mais que todo mundo na área para cabecear o gol do empate milagroso do America.

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Vieram então as cobranças de pênaltis. Nas duas primeiras séries, Alves e Wilson Carrasco marcaram para a Lusa enquanto Duílio e Elói converteram para o America. Na terceira, o ponta Toquinho chutou e Gasperin defendeu, antes de Moreno converter o seu e colocar os cariocas em vantagem. Na quarta série, Caio e Serginho acertaram seus penais. Na quinta cobrança da Portuguesa, o lateral Odirlei acertou o travessão, cedendo ao America uma vitória inesquecível. Após jogarem 80 minutos com um a menos e arrancarem um empate dramático na última bola do jogo, muitos jogadores americanos não resistiram à emoção e chegaram a chorar ainda no gramado. Os rubros estavam na final.

O adversário seria o Guarani do técnico Zé Duarte, que mesmo sem contar com Careca, lesionado durante a preparação da Seleção para o Mundial da Espanha, ainda reunia grandes jogadores, como o zagueirão Julio César, o meia Jorge Mendonça e o ponta-direita Lúcio (que só atuaria na partida de ida da final). No Brinco de Ouro, empate em 1 a 1. O Bugre abriu o placar aos 11 minutos da etapa final quando Ernani Banana chutou forte de longe, Gasperin deu rebote e o centroavante Marcelo finalizou com categoria. Aos 26 veio o gol americano: enquanto a defesa campineira parava reclamando de uma falta, Serginho cruzou para a área, e o lateral Chiquinho ajeitou para Elói, um dos nomes do jogo, deixar tudo igual.

O jogo da volta foi cercado de muita expectativa pela torcida rubra, já que o clube não conquistava um caneco de maiores proporções desde a Taça Guanabara de 1974. Mas o ponta-esquerda Gilson Gênio tratou de acalmar os ânimos: “O America não vai ‘morrer na praia’ como andam dizendo por aí. Amanhã os torcedores do America podem comparecer ao Maracanã que sairão comemorando o título”, garantiu na véspera da decisão.

Dito e feito, mas não sem um certo sofrimento. Logo aos 13 minutos, Moreno aproveitou um cochilo da defesa bugrina para abrir o placar. Mas no segundo tempo, aos 17, o ponta Delém empatou em meio a uma rebatida na área após cobrança de escanteio. Veio a prorrogação. E aos oito minutos da etapa final o grito americano finalmente saiu da garganta quando Gilson Gênio apanhou uma bola espirrada da defesa e bateu rasteiro. A bola repicou no gramado e enganou Sidmar. Era o gol do título, abrindo a festa no Maracanã. O America era o campeão dos campeões.

A equipe campeã

O time base do campeão começava com o goleiro Gasperin, ex-reserva de Benítez no Internacional, também com passagem pelo Grêmio e outros clubes do interior gaúcho. Considerado um goleiro não muito confiável no Beira Rio, ganhou a posição assim que chegou ao America, ficando dois anos e meio como titular absoluto da meta rubra, antes de o clube trazer o ex-sãopaulino Waldir Peres numa grande reformulação de elenco feita em meados de 1984.

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A defesa tinha o lateral-direito Chiquinho, de grande vigor físico e forte no apoio, e que depois defenderia Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Internacional, entre outros clubes. Do outro lado jogava Aírton, revelado pelo São Paulo, duro na marcação e igualmente forte no apoio. Jogaria futuramente no Vasco, Flamengo, Grêmio e Sport. No miolo de zaga, o nome mais experiente era Duílio, que logo sairia para o Fluminense campeão brasileiro de 1984. Zagueiro firme e que gostava de se lançar ao ataque, era também o cobrador oficial de pênaltis da equipe. Ao seu lado, o prata-da-casa Everaldo assumia a vaga de Heraldo (também negociado com o Flu) logo no começo da Taça dos Campeões. Mais discreto, embora também eficiente.

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No meio, o ex-palmeirense Pires era o responsável pela cobertura da defesa. Volante combativo sem ser violento e bom passador, por outro lado raramente deixava seu setor para se aventurar à frente. Chegaria à Seleção em 1984, já como jogador do Vasco. O setor de armação começava com Gilberto, meia revelado pelo Atlético-GO e campeão carioca com o Fluminense em 1980. Jogador veloz, habilidoso, bom na condução de bola e de intensa movimentação, era muito útil para abrir espaços nas defesas adversárias. O rodado Elói era o ponta-de-lança. Revelação do interior paulista, já com passagens por Santos, Portuguesa e Inter de Limeira no currículo, era o grande responsável pela criatividade do setor. Mais tarde defenderia Vasco, Genoa, Botafogo, Porto (ficou no banco no jogo do título tripeiro na Copa dos Campeões em 1987), Fluminense, Ceará e Fortaleza, entre outros.

No ataque, Serginho era um ponta-direita ágil, driblador e de boa movimentação pelos dois lados. Prata da casa, o jovem Moreno, de apenas 20 anos, era tido como a grande revelação daquele grupo. Ponta-de-lança (ou centroavante) de grande talento e habilidade, capaz de surpreender os marcadores com jogadas imprevisíveis, mas que costumava ser criticado por se “desligar” dos jogos em alguns momentos. Pelo lado esquerdo, havia o baixinho Gilson Gênio, ponteiro rápido, esperto, driblador e autor de gols importantes pelo clube, como o do título da Taça dos Campeões. Tornou-se, como vários outros jogadores daquela equipe, um grande ídolo no America, antes de deixar o clube para defender Grêmio, Bangu, Inter de Limeira (campeão paulista de 1986) e Santa Cruz. Gilson Gênio faleceu aos 59 anos no último dia 28 de maio. E é à sua memória que este texto é dedicado.