Sem grandes surpresas, o Bayern de Munique renovou a sua hegemonia na Bundesliga. Pela quinta vez consecutiva e pela 27ª vez na história, os bávaros conquistaram o título da competição. Nunca a Alemanha viu uma supremacia tão grande no topo da tabela, com o inédito pentacampeonato, por mais que o domínio do clube a partir dos anos 1970 seja inegável. A confirmação veio de maneira esmagadora: o time de Carlo Ancelotti atropelou o Wolfsburg por 6 a 0, em plena Volkswagen Arena. Muita comemoração dos donos da Salva de Prata, ainda que as últimas semanas tenham sido um tanto quanto desanimadoras, diante das eliminações na Champions League e na Copa da Alemanha.

A precisão do ataque abriu o caminho para a goleada do Bayern. David Alaba abriu o placar aos 19 minutos de jogo, em cobrança de falta colocada. Já aos 36, Robert Lewandowski ampliou em chute firme da entrada da área, recebendo de Thomas Müller após boa trama. E, antes que o intervalo chegasse, o centroavante demonstrou outra vez seu oportunismo, escorando o cruzamento de Kingsley Coman. No segundo tempo, Arjen Robben também colocou o seu nome na festa, anotando o quarto aos 21. E, depois que Luiz Gustavo foi expulso pelos Lobos, os bávaros terminaram de implodir os donos da casa. Thomas Müller e Joshua Kimmich concluíram o triunfo, que ainda contou com duas bolas na trave e boas defesas do goleiro Koen Casteels.

Em pouquíssimos momentos da temporada o Bayern teve a sua primazia na Bundesliga ameaçada. O Borussia Dortmund tentou ser competitivo durante as primeiras rodadas e o RB Leipzig chegou a tomar a liderança em meados do primeiro turno. Contudo, os dois principais adversários estiveram longe de demonstrar a regularidade dos bávaros. Por mais que o time não tenha agradado em alguns momentos, só foi derrotado duas vezes. A queda de desempenho nas últimas semanas até gerou desconfiança, mas nada que não pudesse ser pulverizado neste sábado. O empate do RB Leipzig, mais cedo, abriu o caminho para os pentacampeões comemorarem.

De qualquer maneira, os números gerais deste Bayern estão abaixo do que se viu ao longo das quatro campanhas anteriores. Mesmo se vencer os seus três últimos jogos, o time de Carlo Ancelotti conseguirá, na melhor das hipóteses, a quarta maior pontuação no intervalo. Seu aproveitamento no momento está bem abaixo de 2012/13, 2013/14 e 2015/16 – algo explicado pela quantidade de empates, sete no total. Com mais dois gols, o ataque supera as suas marcas das duas últimas temporadas, embora dificilmente conseguirá superar o último ano de Jupp Heynckes e o primeiro de Pep Guardiola. Já a defesa possui a segunda pior média do quinquênio, mas pode igualar a melhor marca se não for vazada mais nenhuma vez.

Já em campo, quatro protagonistas mais claros abrilhantaram o feito. Thiago Alcântara se tornou definitivamente o dono do meio-campo. Orquestrou o time na maioria dos jogos e fez com que a engrenagem girasse em torno de si. A atuação no confronto direto com o Leipzig no primeiro turno, sobretudo, foi determinante. Ganhou ainda mais moral com Ancelotti. Na frente, Robert Lewandowski foi imprescindível, com sua fome de gols determinando diversos sucessos. Além disso, por mais que tenha se lesionado e perdido parte dos jogos, Arjen Robben era um elemento claro para desequilibrar os confrontos mais fechados. Já na defesa, Mats Hummels demonstrou seu valor na primeira temporada de volta à Baviera. Serviu como esteio do sistema defensivo, ao lado de Manuel Neuer. Por fim, vale ressaltar Philipp Lahm, que se aposenta igualando o recorde de títulos na Bundesliga, alcançando Bastian Schweinsteiger e Mehmet Scholl, todos com oito.

O Bayern, no geral, fez sua parte. Passou por cima da maior parte dos adversários (apenas o Hoffenheim não perdeu em nenhum dos turnos) e acumulou goleadas. Suas derrapadas não comprometeram o sucesso. De qualquer maneira, o contexto geral cria uma exigência maior. Por mais que o nível técnico da Bundesliga seja muito bom, falta competitividade pela Salva de Prata. Além disso, as últimas eliminações na Champions criam uma sensação de que a sequência de títulos dos bávaros na Alemanha é insuficiente para sublinhar a excelência do atual elenco. E Carlo Ancelotti sofre com alguns questionamentos, especialmente sobre algumas opções táticas. Mas, deixando isso de lado, a equipe confirma as expectativas. Chega a um patamar que o Campeonato Alemão nunca vira antes, só outras sete vezes registrado nas cinco grandes ligas europeias – por Torino, Internazionale, Juventus (duas vezes), Real Madrid (duas vezes) e Lyon. Não é pouco.