Em um primeiro momento, quem olha os jogadores dos oito times da Indian Super League, o torneio de exibição criado pela federação local à margem da primeira divisão do Campeonato Indiano (chamada de I League), pode ficar tentado a acompanhar as partidas do torneio – algumas estão sendo exibidas pelo canal Esporte Interativo.

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Afinal, as franquias indianas conseguiram atrair nomes de peso do futebol internacional nesta segunda edição, como o lateral-direito Leonardo Moura, o esquerdo Roberto Carlos, o zagueiro Lúcio, pentacampeão mundial em 2002, além do português Hélder Postiga, do romeno Andrian Mutu, dos franceses Nicolas Anelka e Florent Malouda, além do italiano Marco Materazzi, aquele que levou a cabeçada de Zidane na final da Copa do Mundo 2006.

Além desses jogadores top de linha, há ainda outros conhecidos, como o lateral norueguês John Arne Riise (jogou no Liverpool por sete anos), o atacante brasileiro Reinaldo (Flamengo, Botafogo, São Paulo e PSG) e o volante marfinense Didier Zokora (Tottenham e Sevilla), que tem mais de 123 jogos pela seleção africana.

O problema de ter todos esses craques em campo é um só: a idade bastante avançada. Roberto Carlos, que decidiu interromper por três meses (a duração da liga, entre outubro e dezembro) a carreira de treinador em prol de alguns milhões a mais na conta bancária (e de voltar a atuar), tem 42 anos, enquanto Lúcio passou dos 37 e Leonardo Moura está a um mês de alcançar esta idade.

Dos jogadores que já entraram em campo na Indian Super League, 48 têm mais de 30 anos, entre famosos e completos desconhecidos. Dentre os marquee players, jogadores que podem ganhar salários acima do teto estipulado pela liga, o brasileiro Elano, 34 anos, é mais velho apenas que Hélder Postiga, 33, que estava há cinco meses sem atuar e estreou no torneio indiano jogando 73 minutos e marcando dois gols pelo Atlético de Kolkata, filial do Atlético de Madrid no país asiático.

Ou seja, o modelo ainda é o mesmo da edição inaugural, que realmente teve sucesso de público em razão da novidade no país, cujos habitantes nunca puderam ver de perto grandes estrelas do futebol mundial. Porém, a Indian Super League perderá força ao longo dos anos se a qualidade do futebol for preterida pelo desfile de grandes jogadores aposentados e trazidos de volta à ativa apenas para um torneio de exibição que dura três meses.

Portanto, os indianos precisam ter um planejamento de longo prazo que vise trazer jogadores mais jovens em condições de atuar dentro de campo. AÍ sim, eles poderão contribuir com a evolução dos atletas indianos, que hoje precisam disputar espaço com 89 estrangeiros, já que a competição obriga cada time a ter entre oito e dez atletas de fora (sem contar o marquee player) – cada equipe precisa ter pelo menos 13 indianos, dois sub-23.

Os brasileiros na Indian Super League

Como não poderia deixar de ser, o futebol brasileiro lidera no número de jogadores estrangeiros, com 19 atletas, sem contar com o treinador Zico. A Espanha vem a seguir com 15 jogadores (Josemi, ex-Liverpool, e Marchena, ex-Sevilla e Valencia, este marquee player), ao passo que a Inglaterra tem 11 representantes. Também há jogadores africanos, como o botsuano Ofentse ato e o etíope Teferra Lemessa, ambos com experiência nas seleções nacionais. Veja em quais times estão os jogadores brasileiros…

Atlético de Kolkata. Nenhum brasileiro, mas muitos espanhóis, claro. O canadense Ian Hume, 31 anos, ainda joga na seleção de seu país (tem 41 convocações) e atuava em times pequenos da Inglaterra, mesmo nascido em Edimburgo, capital escocesa.

Chennaiying. Time de Elano, emprestado pelo Santos, o técnico Marco Materazzi tem outros quatro brasileiros na equipe: o zagueiro Éder passou pelo Vasco em 2005/06 e estava no Chipre, enquanto o meia Raphael Augusto foi emprestado pelo Fluminense, aos 24 anos. Bruno Pelissari, 22, pertence ao Atlético Paranaense e também jogou no Chennaiying em 2014. Ainda tem Mailson Alves, 27, que estava jogando a Série C com o Tupi.

Delhi Dynamos. O time comandado por Roberto Carlos conta com o famoso zagueiro Chicão, aquele ex-Corinthians campeão de tudo, desde a Série B 2008 até o Mundial de Clubes 2012, que também atuou no Flamengo. Gustavo Marmentini é outro jovem emprestado pelo Atlético Paranaense que também esteve na temporada 2014. Há ainda o desconhecido atacante Vinicius Ferreira De Souza. Florent Malouda, 35, também está na equipe.

FC Goa. Time mais brasileiro da Indian Super League, o FC Goa, do treinador Zico, tem a seu dispor Lúcio, Leonardo Moura e Reinaldo. Quem não se lembra do atacante Victor Simões (Botafogo) e do goleiro Elinton Andrade, que não por coincidência começou a carreira no CFZ, de propriedade de Zico. Completam a turma o jovem Jonatan Lucca, outro vindo do Atlético Paranaense, e Luciano Sabrosa, desconhecido no Brasil, mas famoso na Índia, defendendo times do país desde 2007 – tem 36 anos.

Lúcio teria encerrado a carreira, mas surgiu a chance de jogar mais três meses
Lúcio teria encerrado a carreira, mas surgiu a chance de jogar mais três meses

Kerala Blasters. O time só tem o zagueiro Bruno Perone, que começou no Noroeste, passou no Figueirense e de repente apareceu no Quees Park Rangers, com apenas cinco jogos. Ele estava no Novorizontino, que subiu para a elite de São Paulo em 2015.

Mumbai City. Nicolas Anelka terá como comandado o meia-atacante André Moritz, revelado no Inter de Porto Alegre, mas que logo depois passou rapidamente pelo Fluminense (esteve no time que se salvou da Série B em 2006) e rumou para a Europa, defendendo times turcos e o Crystal Palace. Está emprestado pelo Pohang Steelers (Coreia do Sul). O haitiano Sony Norde vem fazendo gols pela seleção e está em ótima fase. O goleiro Subrata Pal é um dos poucos indianos em destaque, ao lado do compatriota e companheiro Sunil Chhetri, o jogador mais famoso do país.

Anelka com seus companheiros Subrata Paul, Sunal Chhetri e André Moritz na Índia
Anelka com seus companheiros Subrata Paul, Sunal Chhetri e André Moritz na Índia

NorthEast United. Sem brasileiros, o time indiano conta com o famoso meia português Simão Sabrosa, que já defendeu as cores de Benfica, Barcelona e Atlético de Madrid, no auge da carreira, além da seleção de Portugal (22 gols em 85 partidas).

Pune City. Outro sem brasileiros, o Pune City tem o polêmico atacante Adrian Mutu e o nigeriano Kalu Uche, irmão de Ikechukwu Uche, que foi contratado pelo Tigres (México), mas não atuou contra o Inter na Libertadores por causa de uma lesão.