A Procuradoria Geral da Suíça indiciou nesta terça-feira ex-membros da Federação Alemã de Futebol (DFB) e um dirigente da Fifa por envolvimento em uma fraude relativa à Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Os quatro acusados supostamente fraudaram o propósito de um  pagamento de € 6,7 milhões na prestação de contas aos membros do órgão de supervisão da Federação Alemã de Futebol (DFB) do Comitê Organizador da Copa 2006. Desde 2015 há suspeitas de corrupção envolvendo a organização da Copa 2006.

Entre os indiciados estão o ex-presidente da DFB, Theo Zwanziger, o secretário-geral da DFB, Horst R. Schmidt, e o ex-secretário-geral da Fifa, o suíço Urs Linsi são acusados de cometerem fraude, enquanto Wolfgang Niersbach, sucessor de Zwanziger como presidente da DFB, foi indiciado por cumplicidade na fraude. Franz Beckenbauer, presidente do Comitê Organizador da Copa de 2006, será julgado separadamente, porque por problemas de saúde não pôde comparecer para prestar esclarecimentos.

A DFB alegou, em 2016, que o pagamento foi o retorno de um empréstimo pessoal feito por Franz Beckenbauer, via Fifa, em 2005, do então CEO da Adidas, Robert Louis-Dreyfus. O problema é que a mesma quantia foi paga em 2002 por Beckenbauer e Dreyfus a uma empresa de Mohamed Bin Hammam, então membro do Comitê Executivo da Fifa.

O dirigente do Catar foi banido por corrupção em 2011, depois de sair como candidato a presidente da Fifa contra Joseph Blatter, que usou toda a máquina da Fifa para provar que o catariano tinha tentado comprar votos no pleito à presidência da entidade, naquele mesmo ano de 2011. Aliás, Bin Hammam participou da candidatura do Catar para sediar a Copa do Mundo de 2022, cercada de desconfianças. Mostramos em 2014 que a Fifa inocentou o Catar de qualquer irregularidade, de fora bastante cara de pau.

“O propósito exato dos pagamentos para Mohamed Bin Hammam não pôde ser determinado – também porque um pedido correspondente por assistência jurídica a autoridades do Catar em setembro de 2016 permanece sem resposta até hoje”, diz o comunicado da Procuradoria Geral da Suíça.

O dinheiro foi declarado como fundos para financiar parcialmente um evento de gala da Copa do Mundo que nunca aconteceu. As investigações sobre o pagamento acabaram levando Niersbach a renunciar a presidência da DFB. Foi alegado que o dinheiro foi usado em um fundo para comprar votos que garantiram que a candidatura da Alemanha vencesse a disputa para sediar a Copa do Mundo de 2006.

Havia investigações sobre lavagem de dinheiro envolvendo os quatro, mas foram abandonadas no último mês. Segundo a procuradoria geral da Suíça, os procedimentos contra Franz Beckenbauer, que presidiu o Comitê Organizador da Copa 2006, serão conduzidos separadamente. Segundo as autoridades suíças, isso se dá por razões de saúde do dirigente e ex-jogador alemão.

Beckenbauer, Zwanziger, Schmidt e Niersbach faziam parte do Comitê Organizador da Copa 2006, enquanto Linsi era o contato deles na Fifa. Zwanziger e Niersbach reagiram à notícia e se posicionaram, se defendendo das acusações e negando terem cometido qualquer irregularidade. “Eu não estou nem pensando sobre esse processo porque não tem nada a ver com a lei”, afirmou Zwanziger à agência de notícias DPA. “Essas alegações são completamente infundadas”, disse Niersbach.

Vale dizer que o indiciamento é apenas a abertura do processo, ainda com investigações e esclarecimentos que precisarão ser feitos tanto pela promotoria quanto pela defesa dos acusados.

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