Ser eliminado para o Colchester United, da quarta divisão, na Copa da Liga Inglesa é um desastre. Ver um boa atuação fugir do controle e se transformar em 7 a 2 para o Bayern de Munique é outro desastre. E o Tottenham deu a certeza de que foi sugado por um redemoinho de desastres ao perder para o Brighton por 3 a 0 neste sábado, durante a abertura da rodada na Premier League. Não é apenas o placar no Estádio Amex que assusta. Tudo parece dar errado aos londrinos – a defesa bagunçada, o meio-campo frouxo, o ataque inefetivo. E a derrota desta vez ainda guardou uma triste cena, com a grave lesão de Hugo Lloris logo no início, ao conceder o primeiro gol aos anfitriões.

A certeza de que o Tottenham viveria um longo dia veio aos três minutos. O cruzamento de Pascal Gross parecia não oferecer muitas dificuldades a Lloris, que deveria fazer uma defesa protocolar. No entanto, o goleiro soltou a bola e permitiu que Neal Maupay marcasse no rebote. O pior ao capitão, ainda assim, não foi a sua falha. Quando caía dentro da meta durante o lance, Lloris virou o seu braço e se lesionou, com suspeita de fratura. Saiu de maca e precisou receber oxigênio em campo. Segundo os relatos, o francês estava aos gritos nos vestiários e foi encaminhado diretamente ao hospital. Paulo Gazzaniga entrou em seu lugar.

É difícil mensurar o quanto a perda de seu capitão afetou o Tottenham. No entanto, um time com a confiança já abalada viu o Brighton mandar no jogo ao longo do primeiro tempo. As Gaivotas se defendiam com muita organização e não davam qualquer brecha aos visitantes. Além disso, o time da casa ameaçava mais no ataque. O segundo gol aconteceu aos 32 minutos. Fazendo sua estreia como titular na Premier League, Aaron Connolly começou a aparecer. O jovem atacante da base tentou a primeira vez de calcanhar e parou em Gazzaniga, mas apareceu para superar o goleiro no rebote. Era uma postura apática dos Spurs em todos os setores. Viam a torcida adversária se animar e pedir “sete gols”.

O Brighton parecia disposto a cumprir a vontade de seus torcedores, com um futebol fluído e de boas jogadas pelas pontas. O Tottenham, também, péssimo no jogo. O final do primeiro tempo seguiu com o domínio dos anfitriões, atacando e explorando as fragilidades dos visitantes. Uma goleada se sugeria possível. Apenas no início do segundo tempo que os Spurs dariam uma resposta, exercendo certa pressão. A defesa das Gaivotas conseguiu se segurar, da mesma maneira como os londrinos tomavam decisões erradas na hora de arrematar os lances. E a reação, afinal, não durou mais do que 15 minutos.

Quando o Brighton voltou a atacar, foi para matar a partida. Gross deu seu aviso ao carimbar o travessão de Gazzaniga. Já o segundo gol veio aos 20, numa belíssima jogada de Connolly, o melhor da partida. O atacante de 19 anos recebeu o lançamento em profundidade, cortou a marcação e acertou um chute cirúrgico, que entrou no canto de Gazzaniga. Tudo dava rigorosamente errado ao Tottenham, que perdeu boas oportunidades de descontar com os desencontrados Son Heung-min e Harry Kane. Mauricio Pochettino até colocou Lucas Moura, o que pouco adiantaria. Apesar de defesas do goleiro Mat Ryan no fim, a torcida se deu ao luxo de gritar olé e as Gaivotas poderiam marcar o quarto se apertassem o passo.

Diante de tantas atuações vexatórias, Mauricio Pochettino precisará se reinventar para sair do buraco. A impressão atual, entretanto, é que o fim da linha pode estar próximo ao treinador. As péssimas partidas recentes não são apenas falta de encaixe de alguns jogadores, má fase técnica ou problemas táticos. Há algo de postura e contundência que se perdeu, o que espanta justamente por ocorrer meses depois de uma temporada histórica. A maneira entregue como os Spurs jogaram o segundo tempo contra o Bayern e o tempo todo contra o Brighton é sintomática.

O Tottenham venceu apenas três partidas após oito rodadas da Premier League. Aparece na sexta colocação, com 11 pontos, mas deve despencar na tabela na sequência da rodada, com vários concorrentes colados abaixo. Será mais um motivo para aumentar a pressão em White Hart Lane, no que pode ampliar a bola de neve. O Brighton, cujo objetivo é fugir da zona de rebaixamento, ganha um motivo para se empolgar. A equipe só vencera na estreia e vinha de seis rodadas em jejum. Vence com autoridade e salta provisoriamente ao 12° lugar, com nove pontos.

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