Na Espanha para disputar amistosos, a equipe sub-18 do QPR, time de Londres, foi vítima de insultos racistas e alvo de gritos de macaco por parte de jogadores do Nervión, da região da Andaluzia. Diante dos ataques, a comissão técnica do clube londrino ordenou que seus jogadores deixassem o gramado.

A partida entre a equipe sub-18 do QPR e o Nervión aconteceu na última quinta-feira (8), como parte de uma turnê de jogos amistosos que incluiu ainda duelos contra Sevilla e Cádiz.

De acordo com o diretor-executivo do QPR, Lee Hoos, o clube sabia da possibilidade de enfrentar eventuais casos de racismo durante a viagem à Espanha. Com isso em mente, trabalhou junto com a organização antirracismo Kick It Out, da Inglaterra, para formular um plano em caso de incidentes do tipo – o que se provou útil no jogo com o Nervión.

O protocolo determinava que, primeiro, os jogadores informariam o abuso a seu técnico, Paul Furlong, e à arbitragem. Em seguida, Furlong tomaria a decisão de retirar seu time de campo ou não. E o treinador optou pela primeira alternativa.

“Aplaudo Paul Furlong e sua comissão técnica por reagir de tal maneira e por fazer tudo em seu poder para proteger os jogadores. Também estou muito orgulhoso de nosso sub-18, que mostrou tamanha maturidade diante de uma provocação inaceitável”, exaltou Hoos.

O dirigente cobra da Uefa uma ação enérgica para punir o Nervión, ressaltando que, “se esse incidente tivesse acontecido na Inglaterra, não tenho dúvidas de que seria tratado com rapidez e uma forte punição pela FA”. Entretanto, em caso de amistosos internacionais, a jurisdição é da Fifa, conforme explicado pela Sky Sports.

“Infelizmente, parece que alguns países ainda têm um longo caminho a percorrer nesse sentido, e peço à Uefa que tome a ação mais forte possível, já que incidentes dessa natureza estão acontecendo muito frequentemente. No QPR, não devemos, e não iremos, tolerar isso”, encerrou o diretor-executivo do Queens Park Rangers.

A Kick It Out, por meio de um porta-voz, comunicou que sempre irá apoiar jogadores e clubes vítimas de racismo, “especialmente se tiverem seguido os protocolos corretos”.

Depois de tantos casos de racismo e incidentes em que a própria vítima é quem deixa o campo, sozinha, o caso do QPR, ainda que se tratando de um amistoso de uma equipe juvenil, pode abrir precedente encorajador em meio a tantas discussões sobre abandono de partida feitas e não levadas a cabo por, entre outros, treinadores e dirigentes – a lembrar o caso de Spalletti e Gattuso, após ofensas a Kalidou Koulibaly, do Napoli.

Atualização: uma versão anterior deste texto afirmava que as ofensas partiram da torcida do Nervión. Na verdade, foram os jogadores do Nervión que ofenderam os jogadores do QPR.