Quem assistiu ao jogo entre Croácia e Itália na televisão deve ter se incomodado das cores da transmissão. Parecia que a câmera estava desregulada, com o verde intenso do gramado. Na verdade, ao que tudo indica, foi tudo proposital. A intenção da Uefa era esconder uma suástica marcada no gramado do estádio em Split. Até conseguiram fazer isso na transmissão, ainda que o símbolo nazista tenha sido registrado por quem estava nas arquibancadas – vazias em punição aos croatas, por conta de manifestações racistas e de sinalizadores atirados pela torcida. Outro episódio em que o futebol local se envolve com referências ao nazismo.

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Segundo os jornalistas italianos presentes em Split, a marca só foi percebida pouco antes do apito inicial, sem poder ser solucionada a tempo. Já no intervalo, os responsáveis pelo estádio tentaram mexer no gramado e esconder o desenho, sem sucesso. A transmissão seguiu com as cores estouradas para minimizar a visibilidade do símbolo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Estado Independente da Croácia colaborou com os nazistas, em atuação política influenciada por Hitler e realizando também o holocausto na região. O governo teve fim após o levante dos Partisans liderado por Josip Broz Tito, que expulsou o Eixo dos Bálcãs. Já nos últimos anos, após a Guerra da Iugoslávia, os símbolos nazistas se tornaram comuns na extrema direita do país, vistos também como uma maneira de proclamar o nacionalismo. Tanto que, na comemoração pela conquista da Copa do Mundo de 2014, o zagueiro croata Josip Simunic puxou cânticos nazistas após a vitória sobre a Islândia. Pela atitude, o veterano acabou suspenso e perdeu o Mundial.

Agora cabe à Uefa averiguar o que aconteceu no gramado em Split e punir os responsáveis. Ao contrário do que Simunic tentou justificar em 2013, este não é um “símbolo de nacionalismo e de história para a Croácia”. É um sinal de ódio, que não pode ganhar força pelo futebol, por mais que algumas correntes políticas e grupos de ultras forcem isso.