Luis Suárez tem uma bonita história no Ajax, permitiu que o Liverpool revivesse alguns de seus maiores sonhos e protagonizou uma das linhas ofensivas mais destrutivas da história no Barcelona. Mas ainda que sua trajetória em clubes seja grandiosa, os feitos de Luisito com o Uruguai dão um tom épico à sua trajetória. O Pistolero parece ter sido feito aos jogos memoráveis com a Celeste. Como esquecer o turbilhão da Copa de 2010, herói na bola e no desespero? Como ignorar a Copa América de 2011, imparável na reconquista continental? Como não aplaudir sua atuação contra a Inglaterra em 2014, voltando de lesão para demolir os adversários? E o artilheiro quer mais. Promete superar em 2018 o que fez na África do Sul e no Brasil, rumo à Rússia.

Para muita gente, afinal, Suárez terminou o Mundial de 2014 como vilão. A mordida em Giorgio Chiellini, de fato, foi um momento de puro descontrole – não muito raro no goleador, ignorando a maneira como ele infernizou a defesa italiana e esbarrou em Gianluigi Buffon no duelo que garantiu os charruas nas oitavas. Ainda que a punição imposta pela Fifa, banindo o atacante por quatro meses, tenha sido bastante exagerada. Depois de tudo, Luisito quer refazer a sua imagem. E vê na próxima Copa a melhor oportunidade. Considerando os 31 anos de idade, talvez a última da carreira em alto nível.

“Quero que esta seja a minha Copa, depois de ter saído como foi em 2014. Estou muito esperançoso com o que podemos fazer, tenho muita vontade. E comprometido para que o Mundial da Rússia proporcione alegria a todo o Uruguai. Quero terminar bem a temporada com o Barça e buscar uma preparação física e mental ideal, para que faça o meu melhor na competição”, declarou em entrevista à rádio Sport 890.

Questionado sobre o sorteio da Copa, em que o Uruguai caiu em um grupo equilibrado, mas sem desafios tão pesados, Suárez foi cauteloso: “As outras seleções podem ser inferiores por nome, mas não por qualidade técnica e pelos treinadores que têm. Já nos prejudicamos em outras ocasiões em que enfrentamos rivais fáceis de nome. Precisamos aprender com isso. É necessário entrar com vontade e confiar no companheiro, mas sem que isso signifique um relaxamento”. A Celeste está no Grupo A, ao lado da anfitriã Rússia, da Arábia Saudita e do Egito.

Nas últimas Eliminatórias, Suárez não foi preponderante quanto em outros tempos ao Uruguai, até por ter cumprido parte de seu gancho pela Copa de 2014 no início da campanha. Ainda assim, anotou cinco gols, ajudando a Celeste a fugir da repescagem, terminando com um inédito segundo lugar no atual sistema de disputa. E se quiser mesmo arrebentar na Rússia, a fase pelo Barcelona depõe a seu favor. O Pistolero começou a temporada errando demais, sem parecer letal quanto em outros anos, até pelos problemas musculares que enfrentava. Seu crescimento nas últimas semanas, contudo, é assombroso: são 12 gols nos últimos 10 jogos, passando em branco apenas uma vez no período. Não surpreenderá se, ao lado de Edinson Cavani, ele fizer estrago desde as etapas iniciais na Rússia.


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