Galvão Bueno é o autor de algumas das grandes frases da narração esportiva no Brasil. O carioca costuma dizer uma frase que se tornou conhecida, mas de outro esporte, a Fórmula 1: “Chegar é uma casa, ultrapassar é outra”. Dá para fazer um paralelo com a Champions League e o jogo desta quarta-feira em Paris. O Paris Saint-Germain chega mais uma vez às quartas de final e contra um time forte, o Barcelona. Apesar da força dos franceses, é como diz a frase cunhada por Galvão: chegar é uma coisa, passar é outra. O Barcelona chega e passa com frequência – desde 2008, só em 2014 não chegou às semifinais. Com uma atuação eficiente e o brilho de Luis Suárez sobre o zagueiro David Luiz, o Barcelona fez 3 a 1 e deu um grande passo em direção à semifinal. O PSG mais uma vez chega às quartas de final, mas passar dali é uma missão muito mais difícil.

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Sem Zlatan Ibrahimovic e Marco Verratti, o técnico Laurent Blanc escalou o time com Rabiot no meio-campo, ao lado de Cabaye e Matuidi, e o tio de ataque formado por Pastore, Lavezzi e Cavani.  Não adiantou. Os desfalques fizeram falta e o Barcelona, sem brilhantismo, mas com tranquilidade e eficiência, matou o jogo quando teve a chance. O placar pode até dar a impressão de que o Barcelona passou como um trator sobre os franceses. Não foi o que aconteceu. Mas não dá para discutir também que os 3 a 1 foram merecidos. Os catalães foram superiores mesmo nos momentos em que o PSG tentou pressionar, na base do abafa, e obrigou Ter Stegen a fazer uma grande defesa, como em um chute de Cavani no segundo tempo. Messi, por sua vez, já tinha acertado a trave e levado muito perigo.

Aos 18 minutos, a defesa do PSG saiu jogando com Marquinhos e Rabiot, mas o volante perdeu a bola. Com Marquinhos fora da sua posição, Messi ficou com a bola e enfiou para Neymar entrar em diagonal, aproveitando o espaço vazio deixado pelo zagueiro compatriota. O atacante finalizou com tranquilidade para marcar e abrir o placar. O gol nasceu de uma falha defensiva, algo que custaria caro ao PSG. Jogando em casa, o time já tinha chegado uma vez com perigo em um cruzamento que Pastore furou. Depois, teve chance em um contra-ataque com Cavani, que acabou se enrolando com a bola. Cavani, aliás, mais uma vez se mostrou esforçado, mas não conseguiu ser decisivo para o time.

No segundo tempo, David Luiz, que entrou ainda na etapa inicial no lugar do lesionado Thiago Silva, tornou-se protagonista. Negativamente, é bom dizer. Porque o destaque mesmo do jogo foi Luis Suárez. O PSG tentava pressionar e tinha voltado animado para o segundo tempo, mas foi aquela melhora insuficiente. Primeiro, aos 22 minutos, quando Suárez recebeu no lado direito, colocou entre as penras de David Luiz, passou por Marquinhos, se livrou de Maxwell e chutou para marcar 2 a 0. Um segundo gol que acabou sendo um golpe psicológico no time.

O Barcelona tinha mais posse de bola, mas o PSG era incisivo no ataque. A entrada de Lucas aguçou o poder de ataque do time francês, mas que sentia falta de um jogador de peso, decisivo. Pastore não foi, Cavani também não, Lavezzi não poderia ser. Lucas também não foi. E aí, veio o que seria decisivo para o andamento do jogo: Suárez recebeu pelo meio e deu um drible desconcertante em David Luiz, novamente colocando entre as pernas do zagueiro. Saiu na cara do gol e chutou no Ângulo de Sirigu, sem qualquer chance de defesa. Um 3 a 0 sonoro.

Veio o gol do PSG, em um chute de Van der Wiel que Mathieu desviou e matou o goleiro Ter Stegen, que teve boa atuação. O placar diminuiu para 3 a 1, mas a missão ainda parece difícil demais. Vencer em Barcelona, e por três gols de diferença, é o jeito. Por dois gols, só fizer 3 a 1, para levar aos pênaltis, ou aumentar o placar para 4 a 2. Muito complicado. O PSG terá que atuar como nunca, enquanto o Barcelona nem precisa do seu melhor jogo. Só precisa ser eficiente.

Messi nem precisou fazer um grande jogo, Neymar teve uma boa atuação, mas nem de longe uma das suas melhores. Já Luis Suárez foi absolutamente decisivo e fez o que se espera de um jogador que custou tão caro quanto ele. O difícil de marcar o Barcelona é isso: o ataque tem três jogadores muito acima da média e basta um deles estar bem para ser capaz de decidir. E ainda fez isso com estilo: com duas canetas maravilhosas em cima de David Luiz. Suárez, o especialista em canetas, deixou o Parc des Princes consagrado. E o Barcelona bem perto da classificação, a ser decidida na terça-feira que vem, no Camp Nou, no jogo de volta.

OS GOLS:

Neymar:

Suárez:

Suárez:

Van der Wiel: