Mais do que nunca, Luis Suárez joga sob pressão. Foi a isso que se habituou desde que chegou ao Barcelona, em 2014. Agora, no entanto, esse peso aumenta, com a sombra da chegada de um novo camisa 9 tomando forma cada vez mais clara. Em entrevista ao jornal uruguaio Ovación, o atacante reconhece a possibilidade e a classifica como “a realidade do futebol”. Sabe que, em breve, um time de tamanho patamar com o Barça irá atrás de alguém mais novo.

“A exigência no Barcelona é imensa. Aqui, a cada três dias, você tem que fazer um exame. Não há descanso, porque não perdoam sequer uma partida ruim sua. Não é fácil vir jogar em um clube como o Barcelona, se adaptar e ganhar seu espaço. É preciso levar em conta que já estou há cinco anos no clube, convivendo com a mesma pressão e sempre tentando responder da mesma maneira”, contextualiza ao veículo.

“Que o clube esteja buscando ou queira trazer um outro nove, não é nada estranho, é a realidade do futebol”, completa Luisito.

Se em campo Suárez pode por vezes não transparecer grande equilíbrio, fora dele fala com calma e consciência de si e dos arredores. “Como já disse há algum tempo, vai chegar a hora em que a minha idade não permitirá estar à altura do que o Barcelona precisa para competir.”

Apesar da constatação, não se intimida pelo momento. Dá as boas-vindas a novos atacantes, que, para ele, fariam bem a todos, inclusive a ele próprio: “Enquanto eu puder, enquanto tiver força, é muito melhor que me tragam concorrência. Será melhor para mim, porque trará exigência, será melhor para o clube, porque alimentará a concorrência, e será melhor para o futuro, porque poderão ir preparando um jogador com a ajuda de todos os grandes jogadores que o Barcelona tem”.

Apesar de ocupar outra posição, a chegada de Griezmann já jogou um pouco de pressão sobre Suárez. Ansu Fati, de apenas 17 anos, vai pedindo passagem também, mesmo ocupando também outro lugar no campo. Ainda assim, isso vai aumentando a disputa por vagas no ataque.

Perto de completar 33 anos, Suárez entende que seu tempo no clube, ao menos com o status de titular dos últimos anos, pode estar acabando. Pelo menos desde dezembro de 2018, já rolam na imprensa conversas sobre o interesse do Barça em outros atacantes, com Lautaro Martínez, da Inter, liderando as possibilidades.

Sobre seu futuro, Suárez pouco sabe dizer. Não consegue projetar por quantos anos mais estará no gramado e nem onde estará jogando daqui a alguns anos. “Nunca descartei voltar ao Uruguai, para jogar no Nacional”, aponta. A Luisito, os laços familiares são muito importantes, e isso favoreceria um retorno ao país. Menciona ainda um carinho antigo pelo San Lorenzo, da Argentina. Tendo nascido no fim da década de 1980, era uma criança apaixonada por futebol na época em que Bernardo Romeo brilhou no time de Almagro, entre 1998 e 2001.

O que Luisito consegue, sim, apontar, é um desejo para um futuro um pouco mais previsível. Perguntado sobre sua vontade de jogar a Copa de 2022, no Catar, foi claro: “Espero que sim. Na verdade, estou convencido de que sim”.