Daniel Sturridge chegou ao Liverpool como uma contratação de janeiro, sem holofotes, do rival Chelsea, mas, durante um tempo, foi um dos melhores atacantes da Inglaterra. Uma série de problemas físicos impediu que ele desse sequência ao seu grande momento e custou anos importantes da sua carreira, bem no momento em que estaria no auge físico e técnico. Nunca mais voltou a ser o mesmo, embora seus chutes de perna esquerda continuassem precisos. Após seis anos e meio, o campeão europeu confirmou que não renovará o contrato do atacante, que merece ir embora com a lembrança dos gols que marcou e não das lesões que sofreu.

Cria da base do City, Sturridge havia passado três anos e meio no Chelsea, sem grande destaque, quando chegou ao Liverpool no mesmo mercado de Coutinho. Ainda muito veloz, saiu das pontas, onde costumava atuar bastante, para se firmar como um centroavante letal e móvel, fazendo 11 gols em 16 partidas na segunda metade daquela temporada. O ápice viria em 2013/14, quando formou um setor ofensivo poderoso com Suárez Sterling e Coutinho e quase conquistou a Premier League para o Liverpool pela primeira vez em 24 anos. A escorregada de Gerrard e a derrocada contra o Crystal Palace custaram o título, mas Sturridge anotou 21 gols em 29 rodadas da Premier League, segundo artilheiro atrás de Suárez (31).

O uruguaio foi vendido, e Sturridge também se tornou baixa do Liverpool porque sofreu graves lesões que limitaram seu número de jogos a apenas 18 jogos em 2014/15. Jürgen Klopp chegou na temporada seguinte e estabeleceu Roberto Firmino como comandante do ataque, e mais uma vez Sturridge sofreu com problemas físicos e entrou em campo apenas 25 vezes. Pelo menos, teve uma boa taxa de gols, com oito em 14 rodadas da Premier League e três na Liga Europa, sendo um na semifinal contra o Villarreal e outro na decisão contra o Sevilla. À medida que o time do Liverpool evoluía, ele perdia espaço, mesmo com menos lesões, e chegou a ser emprestado por seis meses para o West Brom.

Quando esta temporada começou, a última do seu contrato, parecia que Sturridge estava fadado a ser negociado, mas uma boa pré-temporada valeu uma chance no elenco que eventualmente ganhou a Champions League. Reserva a maior parte do tempo, marcou apenas quatro gols, mas um deles foi muito especial: um chutaço de fora da área no ângulo de Kepa para arrancar o empate contra o Chelsea, na sétima rodada, aos 44 minutos do segundo tempo.

Em uma carta publicada no seu Facebook, Sturridge agradeceu todo mundo: torcedores, companheiros, comissões técnicas, equipe médica, cozinheiros e funcionários em geral, além dos dirigentes, do presidente Tom Werner aos donos Mike Gordon e John Henry: “O que posso dizer? Foi uma grande trajetória neste lindo clube. Estivemos juntos por sete temporadas, com um breve intervalo no meio. Tivemos altos e baixos juntos, mas continuamos juntos através deles, sabendo que um dia teríamos que nos separar. O momento é agora”.

“Quero agradecer os torcedores. Amo todos vocês. Vocês me fizeram sentir muito bem-vindo e abraçado com braços abertos. A dança do Sturridge ficou famosa em Anfield e nunca esquecerei a primeira vez que a fiz à frente da Kop. Estou muito feliz que fiz parte da sexta conquista da Champions League porque todos os torcedores mereceram-na pelo apoio que deram a mim e ao clube durante minha passagem. Desejo o melhor a todos no futuro e mais sucesso para o clube. Obrigado pelas memórias. Como sempre disse: red or dead (vermelho ou morto)”, completou.

Embora a descrição de Jürgen Klopp soe exagerada – “um dos grandes da era moderna do Liverpool” – Sturridge foi importante em um momento que poderia ser crucial para o Liverpool e, nunca acusado de fazer corpo mole, fica apenas na imaginação o que poderia ter sido não fossem as lesões. Concretas são as palavras finais da do treinador alemão para ele e para Alberto Moreno, que também sairá do clube: “Vamos sentir a falta de vocês, mas podemos dizer adeus com as duas melhores palavras possíveis: rapazes, vocês vão embora como campeões europeus”.

Assista à versão pela qual “um dos melhores finalizadores” que KLopp já viu merece ser lembrado em Anfield, a da temporada 2013/14, um top 10 de seus gols e depois todos os 67 tentos em 160 partidas com a camisa do Liverpool:

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