Sterling apoia manifestações antirracistas nas ruas: “Precisamos de mais do que apenas palavras”

No passado recente, Raheem Sterling se tornou um porta-voz da luta contra o racismo no futebol, tendo sido ele próprio vítima de discriminação racial diversas vezes, seja por parte de torcedores adversários, no estádio e nas redes sociais, ou pelas mãos de tabloides ingleses. Diante da comoção pela morte de George Floyd nos Estados Unidos pela polícia, o jogador do Manchester City mais uma vez usa sua plataforma no combate ao racismo, desta vez pedindo por mais ação e menos palavras: “Assim como com a pandemia, queremos encontrar uma solução para parar isso”.

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Em entrevista à BBC na noite de domingo (7), o jogador do Manchester City e da seleção inglesa apoiou os protestos que têm acontecido não só nos Estados Unidos, como em todo o mundo, reforçando, no entanto, o pedido de que as manifestações sejam pacíficas.

“Assim como com a pandemia, queremos encontrar uma solução para parar isso. Ao mesmo tempo, isso é o que todos esses manifestantes estão fazendo. Eles estão tentando encontrar uma solução e uma maneira de acabar com a injustiça que estão vendo. Estão lutando por sua causa. Contanto que o façam de maneira pacífica e segura, sem machucar ninguém ou invadir lojas, que continuem protestando desta maneira pacífica.”

No Reino Unido, diversas cidades tiveram mais um fim de semana de protestos. Milhares de pessoas se reuniram em Londres, Manchester, Bristol, Wolverhampton, Nottingham, Edimburgo e Glasgow em manifestações antirracistas, e a frase que conectou todos esses protestos foi: “O Reino Unido não é inocente”.

Sterling considera as manifestações na rua essenciais para o combate ao racismo sistêmico, dizendo que não bastam publicações em redes sociais: “Eu sigo dizendo isso. Vejo muita gente nas redes sociais apoiando a causa. Mas isso é algo que precisa de mais do que apenas palavras. Precisamos de fato implementar mudanças e jogar luz sobre os lugares que precisam de mudanças”.

De sua parte, o jogador garante que seguirá buscando fazer exatamente isso, chamando atenção para o racismo presente no futebol. Ele torce para que figuras de outras esferas façam o mesmo em seu próprio espaço.

“Isso é algo que eu continuarei a fazer, estimulando esses debates e fazendo com que pessoas da minha indústria olhem para si mesmas e pensem o que elas podem fazer para dar às pessoas uma chance igual neste país. Espero que outras indústrias possam fazer isso, assim como a sociedade e o sistema.”

Questionado se o fato de se posicionar dificulta sua vida como jogador de futebol, Sterling foi frontal: “Em primeiro lugar, não penso no meu trabalho quando coisas assim acontecem. Eu penso no que é certo. E, atualmente, as pessoas têm um limite para o que conseguem aguentar. Existe um limite para o que as comunidades e pessoas de outros panos de fundo conseguem aguentar, especialmente as pessoas negras. Isso tem acontecido há centenas de anos, e as pessoas estão cansadas, estão prontas para uma mudança”.

A mudança pode não ser imediata ou mesmo afetar diretamente Sterling enquanto jogador de futebol, mas, em entrevista no ano passado, ele afirmou que luta para que as próximas gerações não precisem enfrentar o que ele já enfrentou e tem enfrentado. “Nós estamos tentando, não apenas eu, fazer uma mudança para que, em dez anos, os jogadores mais jovens não precisem pensar nisso em uma partida e nem sofram abusos, porque os torcedores no estádio irão saber quais serão as consequências”, afirmou, em abril de 2019.

Sterling é apenas uma das mais recentes vozes do futebol a se posicionar publicamente após o assassinato de George Floyd. A indignação ganhou força, atravessou fronteiras, se espalhou por diferentes continentes e encontrou expressões em diversos campos. Na Bundesliga, primeira grande competição europeia a ser retomada após a suspensão por causa da pandemia do novo Coronavírus, os protestos têm se multiplicado nos gramados, com a Federação Alemã garantindo que não irá punir os atletas que se posicionarem contra o racismo.