Marc-André ter Stegen atravessa o melhor momento da carreira. Titular absoluto do Barcelona, o goleiro se tornou protagonista do clube nesta temporada. Não dá para querer ser o melhor em um elenco que conta com Lionel Messi ou que tem Luis Suárez faminto por gols. Ainda assim, o excelente desempenho dos blaugranas no Campeonato Espanhol, sobretudo, se deve à fase excepcional do alemão. Confiança que permite ao time de Ernesto Valverde sonhar alto, sobretudo com as fases decisivas da Liga dos Campeões se aproximando.

Às vésperas do encontro com o Chelsea, Stegen deu uma longa entrevista exclusiva à ESPN americana. Falou sobre diversos assuntos, desde a maneira como se tornou goleiro até a concorrência com Manuel Neuer na seleção. E é interessante observar a mentalidade do arqueiro: frio e focado, planejando cumprir seu trabalho com as mãos e também com os pés. Por suas palavras, fica mais fácil de entender por que atualmente contam-se nos dedos os goleiros tão bons quanto ele. Abaixo, separamos os principais trechos:

O início como goleiro

“Eu comecei como jogador de linha. Jogava como atacante. No início, era tudo sobre diversão. Eu me divertia muito. Mas quando tinha 10 anos, mais ou menos, um técnico me disse que eu corria de maneira estranha. Eu estava quase abandonando… Tinha uma decisão para tomar: ou saía ou ficava, mas como goleiro. Às vezes, eu jogava no gol e ele ficava muito contente com isso. E eu estava bem, tinha confiança no gol, jogava ali um pouco no meu tempo livre, em jogos menores e coisas do tipo, então estava OK”.

A titularidade de Neuer na seleção

“Ninguém pensa em outra opção. Certamente, não. Quando ele voltar, ele é o número um, merece muito respeito e acho que todos nós estamos tentando ajudá-lo a estar em seu melhor. No final, é uma situação coletiva, nós queremos ter sucesso na seleção, então sempre tentamos motivar nossos companheiros”.

Qual o melhor goleiro do mundo

“Sendo honesto, eu não assisto aos jogos de outros goleiros. Fui perguntado se estou acompanhando Courtois. Respondi que não assisto muito à Premier League e não estou focado nos outros goleiros. Vejo os melhores momentos, que é o mínimo, mas como estamos jogando a cada três ou quatro dias, preciso pensar no que fazemos, em mim. E não preciso decidir em que lugar estou entre os melhores do mundo. Sempre tento estar lá, me manter 100%, ter concentração e mostrar a cada vez o que posso jogar. É apenas sobre o time, nada além. Quero dizer que, se eu estiver jogando bem, os outros se sentirão confiantes, eles estarão bem e é isso que eu preciso fazer”.

Como lidar com as críticas e os erros

“Claro, as críticas não são boas às vezes, mas essa é nossa profissão. Tento sempre estar feliz e confiante. Isso pode ser difícil: se você falhar uma vez, verá o erro em qualquer vídeo de melhores momentos. Mas isso torna tudo mais interessante, faz parte da emoção. Eu amo meu trabalho. Sou humano e é claro que posso errar, mesmo se ninguém permitir isso. Adoro as críticas dos torcedores, amo quando eles tentam te fazer inseguro e, se vaiarem, melhor. Sempre sorrio, porque isso é ótimo. Seria estranho se eles não te vaiassem. No final das contas, não importa como você lida com isso, mas você precisa render em campo. Eu estou tentando aprender com meus erros. Eles irão acontecer e minimizá-los é o mais importante. Quando você erra, não muda isso nunca mais. Você precisa pensar na próxima bola. Sempre tento ficar concentrado, sem pensar muito no que se passou. Quando você pensa sobre a última situação, você falhará na próxima igualmente. Eu acredito nos meus companheiros 100% e eles fazem o mesmo comigo. Tento devolver isso. Sempre estou relaxado e tento estar focado na próxima situação”.

A adaptação ao Barcelona

“Eu me sinto em casa agora. São três anos e meio, quase quatro. Eu me sinto bem, minha esposa está feliz, nós dois estamos tentando nos adaptar o mais rápido possível à mentalidade. É por isso que queria falar a língua o quanto antes. Estou feliz que tudo tenha se passado assim. No começo, eu não estava tão contente, mas agora, depois de um ano e meio como goleiro titular, é bastante diferente”.

As dificuldades ligadas ao estilo de jogo do Barcelona

“Eu me sinto bem, feliz aqui. A pressão é maior, lógico, mas é isso que acontece em um grande clube. Não estou sentido muita pressão externa, assim como tento estar sempre concentrado. Mas é verdade que esse foco é super difícil de se alcançar. Às vezes você não é ameaçado em 90 minutos e, nos acréscimos, vem um chute. Você precisa estar concentrado e é o que te deixa cansado. Às vezes eu falo comigo mesmo. Tento falar para ficar focado. Talvez o chute aconteça, ou nem isso, e você precisa estar lá para defender. Porém, você sempre tem a chance de participar: joga com os pés, passa, tem as situações de jogo. Tento ser mais um jogador de linha quando temos a bola, dando opções para ajudar meus companheiros a encontrarem boas situações”.

A concorrência com Claudio Bravo

“Quando Bravo estava aqui, era um ótimo goleiro e sempre tivemos uma relação especial. Sim, eu sabia que apenas um jogaria. Claudio também tem muito valor e possuía as mesmas intensões que eu: jogar 100% das partidas, não apenas as copas ou a liga. Eu sempre queria ir ao máximo e ele o mesmo. No final, o clube precisou decidir, foi uma situação bem difícil também para nós. Claudio decidiu sair. Estou convencido que ele segue trabalhando bem, tentando dar seu máximo. Mesmo se ele não está jogando agora, o tanto quanto gostaria, ele tomou uma decisão importante para sua vida. Espero que ele volte à Espanha, você nunca sabe. Mas naquele momento, era ele ou eu. E o clube decidiu por mim”.