Jaap Stam, aquele holandês alto, careca e com cara de mal que protegeu as retaguardas de Manchester United, Lazio, Milan e da sua seleção, continuará sua carreira como treinador na Major League Soccer. Nesta quinta-feira, foi anunciado como o novo treinador do Cincinnati, novato da liga que se prepara para sua segunda temporada.

Stam substituirá o compatriota Ron Jans, que deixou o cargo em meio a uma investigação de que teria usado termos racistas enquanto cantava um rap com os jogadores nos vestiários. Ele admitiu o uso, embora tenha ponderado que “não teve más intenções” e que estava apenas querendo mostrar que também gosta de hip hop. Pediu desculpas porque “talvez tenha ferido alguns sentimentos”.

Segundo a WCPO de Cincinnati, o presidente do clube, Jeff Berding, depois de entrevistas com jogadores, identificou “experiências mais amplas que foram inapropriadas e ofensivas” e, embora a nota oficial tenha dito que Jans renunciou ao cargo, Berding disse que, após ler o relatório parcial do inquérito, a cúpula decidiu que o treinador tinha que sair. “Foi alarmante e inaceitável”, disse.

Jans deixou um desafio duro para Stam. Chegou no meio do ano passado e não conseguiu impedir que o Cincinnati fosse o pior time da Conferência Leste, com a pior pontuação da Major League Soccer – 24 pontos e apenas seis vitórias em 34 partidas contra 34 pontos do Vancouver Whitecaps, do leste, e 37 do Orlando City, o que ficou mais próximo no Leste. Uma boa chance para o ex-zagueiro se provar após um início de carreira oscilante.

A primeira oportunidade foi como interino do PEC Zwolle, ainda em 2009. Em seguida, teve experiências como assistente do Ajax e comandante do seu time secundário antes de assumir o Reading, da segunda divisão inglesa. Foi terceiro colocado e chegou à final dos playoffs, com derrota para o Huddersfield. Os resultados se deterioraram na campanha seguinte e ele saiu com apenas uma vitória nos últimos 18 jogos de liga, em 20º lugar.

No final daquele ano, em dezembro, assumiu o comando do PEC Zwolle, no qual havia começado sua carreira como jogador. Ficou pouco tempo porque alguns meses depois surgiu a oportunidade de treinar o Feyenoord, no lugar de Giovanni van Bronckhorst, que havia conseguido encerrar o jejum de títulos do clube na Eredivisie e ainda conquistou duas Copas da Holanda.

Mais um trabalho de meses: em outubro, renunciou ao cargo depois de levar 4 a 0 do Ajax, com apenas três vitórias em 11 partidas da Eredivisie. “Pensei cuidadosamente sobre o assunto há bastante tempo. Minha conclusão é que é melhor para o clube, os jogadores e para mim mesmo se eu renunciar”, disse.

O estilo de Stam dialoga com a identidade do futebol holandês, com foco na posse de bola, na construção das jogadas desde a defesa, com mentalidade ofensiva. Até agora, a execução foi razoável na mais gentil das avaliações e agora será testada no time com a pior campanha da última Major League Soccer.

.