Entre tantos clubes bem maiores ao redor do mundo, St. Pauli e Rayo Vallecano conseguem se destacar. E não precisam exatamente de títulos ou mesmo da primeira divisão para serem reconhecidos. A fama não se concentra na bola, mas sim na postura de ambas as instituições. Nem a diretoria e muito menos a torcida escondem o engajamento. Misturar política e futebol não é problema para os alemães e para os espanhóis, ao abraçarem causas sociais e lutarem contra o “futebol moderno”. E ambos os times aproveitaram a pré-temporada para o clássico: neste sábado, os times celebraram a amizade com um amistoso disputado no Estádio Millerntor, em Hamburgo.

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A vitória do St. Pauli por 4 a 2, animando para buscar o retorno à Bundesliga, acabou sendo o de menos. Mais do que um jogo, os dois clubes aproveitaram para realizar um evento cultural e social. Com seus tradicionais bandeirões, a torcida alemã celebrou os visitantes e aproveitou para bradar alguns de seus principais cânticos na luta por liberdades. Além disso, algumas dezenas de espanhóis também estiveram em Hamburgo.  O jogo marcou a reinauguração de uma das tribunas do Estádio Millerntor e também contou com uma série de show de rock oferecida pelos anfitriões.

Nesta temporada, uma das questões encampadas por ambas as diretorias é a luta contra a homofobia, com referências nos uniformes tanto do St. Pauli quanto do Rayo Vallecano. As origens da postura ideológica, contudo, vão muito além. O Rayo surgiu em um bairro operário de Madri e sempre se opôs aos gigantes Real Madrid e Atlético de Madrid, cujas diretorias sempre estiveram próximas do poder e parte das torcidas possuem ligações fascistas. Na última temporada, a torcida alvirrubra aproveitou as arquibancadas para protestar contra a federação e a opressão, assim como a direção protagonizou um baita gesto ao ajudar uma senhora despejada em Vallecas.

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Já o St. Pauli, nascido em um bairro boêmio na portuária Hamburgo, abraçou as causas especialmente se contrapondo ao neonazismo crescente entre as décadas de 1980 e 1990. Recentemente, a equipe liderou uma campanha para ajudar centenas de africanos, vítimas de um naufrágio na costa do Mediterrâneo. Além disso, também encabeçou uma série de manifestações nas divisões de seu país contra a interferência de empresas no futebol.

Os torcedores alemães e os espanhóis possuem até mesmo o apelido em comum: piratas. Reconhecidos tanto pelo fanatismo quanto pelos ideais que levam também às arquibancadas. Você pode até não concordar com todas as posturas políticas de St. Pauli e do Rayo Vallecano. Mas é este ativismo que ajuda a tornar o futebol mais vivo. Paixões que, mais do que um clube, defendem também uma causa.


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