O Sporting reinaugurou o gramado do estádio Alvalade na tradicional partida de apresentação do elenco aos sócios. Depois de ser completamente refeito, o piso agradou, pelo menos neste primeiro teste, acompanhado por 30 mil pessoas nas arquibancadas.

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O que não agradou foi o futebol apresentado pela equipe de Jorge Jesus. Nem tanto pela derrota por 1 a 0 para o Lyon, da França, mas sobretudo pelo fraco futebol demonstrado pelos leoninos. Na atual pré-temporada, são agora quatro  derrotas e duas vitórias em seis partidas disputadas.

O resultado ruim diante dos franceses tem desculpas prontas e plausíveis. Além da adaptação tanto à parte física quanto ao entrosamento – comuns neste momento de preparação –, o time jogou bastante desfalcado e nem sequer contou com os atletas que estavam na seleção portuguesa campeã da Eurocopa (a exceção foi o goleiro Rui Patrício, que atuou no segundo tempo).

Sem citar nomes, Jorge Jesus disse após a partida que, do time que tem na cabeça como titular, apenas “um ou dois” atuaram desde o início em Alvalade. Ele ainda ressaltou uma melhora no setor defensivo e lembrou que será preciso mais qualidade no ataque, possivelmente com a contratação de reforços.

Tudo isso seria parte de um noticiário absolutamente comum de uma equipe em pré-temporada, se esse time não fosse justamente o Sporting. Pródigo em conflitos internos e polêmicas desnecessárias, o clube alviverde entra nesta temporada como o mais observado do futebol português.

O Benfica vive momentos de tranquilidade na relação com sua torcida. A gordura acumulada com tantos títulos e boas participações em competições europeias nos últimos tempos é capaz de evitar qualquer grande conflito caso nenhum troféu seja erguido em 2016/17. O Porto, por sua vez, vem de uma temporada tão ruim que qualquer melhora será sentida e comemorada desta vez.

Mas o Sporting é a bola da vez. Depois de toda a reestruturação administrativa e financeira feita pelo presidente Bruno de Carvalho e da contratação de Jorge Jesus, ganhar o campeonato nacional é praticamente uma questão de honra – ainda mais se lembrarmos que o título da temporada passada foi perdido numa derrota em casa para o Benfica.

O problema é que quase nada no ambiente leonino caminha com tranquilidade. Ainda que as vitórias aconteçam, as polêmicas estão sempre por lá. O presidente e o próprio técnico, inclusive, são figuras que costumam mais incendiar do que apagar o fogo das confusões.

Em 2016/17, nenhum clube português será tão cobrado para ser campeão como o Sporting. Elenco forte, jogadores experientes, torcida atuante e capacidade técnica para isso, o clube tem. Mas deve também aprender com os erros cometidos no passado recente.

Plantar a harmonia interna e a fuga de conflitos desnecessários poderá significar, ao fim da temporada, colher o título tão desejado.