Southampton teve fé em sua convicção, colheu os frutos e premiou Hasenhüttl com novo contrato

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“Nunca tive dúvida que Ralph é o cara certo para liderar nosso clube”, e, quando colocamos na conta que esse clube, o Sothampton, levou 9 a 0 do Leicester oito meses atrás, fica clara a força da convicção do executivo-chefe Martin Semmens nas capacidades do austríaco Ralph Häsenhuttl, com novo contrato que o vincula aos Saints pelos próximos quatro anos.

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Renovar com o treinador que levou a maior goleada da história da era moderna do Campeonato Inglês, ao lado da sapatada do Manchester United sobre o Ipswich Town, em 1995, não espanta. É até natural considerando a reviravolta que Häsenhuttl liderou desde aquele 25 de outubro do ano passado. O anormal da situação foi ele não ter sido demitido.

Gostamos de destacar a impaciência de dirigentes brasileiros, sem dúvida um artigo de excelência internacional que temos, mas dirigentes europeus não são muito mais tolerantes ou convictos de suas escolhas. A diferença talvez seja que, em vez de demitir o técnico depois de seis resultados ruins, eles o fazem depois de dez, com exceções e contextos que levam em conta de quem estamos falando. Profissionais como Guardiola e Klopp dificilmente cairão por sequências ruins porque seus currículos inspiram a confiança de que uma hora as coisas encaixam.

Ralph Hasenhüttl tinha apenas dois bons anos pelo RB Leipzig para segurá-lo no cargo quando Jamie Vardy marcou o nono gol do Leicester de pênalti, em um St. Marys chuvoso e já vazio, e a goleada aconteceu em meio a uma sequência de apenas uma vitória em nove partidas – contra o Portsmouth, da terceira divisão, pela Copa da Liga – e ainda assim ele foi mantido.

Hasenhüttl não é um treinador comum. Comemora vitórias reunindo os amigos para vê-lo tocar Bohemian Rhapsody no piano e espiava treinos do Borussia Dortmund de binóculos, após pedalar até uma posição privilegiada. O Klopp dos Alpes, pela semelhança de estilo com o treinador do Liverpool e por também gostar de comemorações efusivas na lateral do gramado, ganhou um voto de confiança do Southampton. Pesaram o fato de que ele conseguiu salvá-lo do rebaixamento com sobras quando assumiu o time em 19º lugar no meio da temporada 2018/19 e também porque ele tem potencial para ser um segundo Mauricio Pochettino.

O Southampton subiu em 2011/12 e, depois de um 14º lugar, alçou-se para oitavo na primeira campanha completa com o ex-comandante do Tottenham. As bases foram estabelecidas para sucessos ainda maiores com Ronald Koeman – 7º e 6º -, especialmente a formação de muitos jogadores jovens que depois seriam comprados pelo Liverpool. Hasenhüttl, como Pochettino, tem personalidade, ideias diferentes e desenvolve os atletas. Impossível saber se irá tão longe, mas é uma tentativa válida, merece mais tempo e é certamente mais empolgante do que Claude Puel, Mauricio Pellegrino ou Mark Hughes, seus antecessores.

Hasenhüttl ajudou a diretoria a perceber isso com uma recuperação que teve seis vitórias e apenas duas derrotas em 10 rodadas da Premier League, suficiente para deixar o Southampton em 14º lugar, com sete pontos de folga para a zona do rebaixamento. A goleada serviu como um momento de reflexão para o treinador, que retornou às origens com um esquema 4-2-2-2, em vez dos três zagueiros que o haviam ajudado a escapar do rebaixamento na temporada anterior, e principalmente, com uma postura mais positiva durante as partidas.

“Eu acho que foi a primeira vez que eu aceitei um trabalho de tão longo prazo na minha carreira, o que significa que há algo especial”, disse Hasenhüttl, ao site do Southampton. “Quando assinei meu primeiro contrato aqui, dois anos atrás, estava clara a maneira como queríamos seguir em frente juntos. É um clube famoso pela sua categoria de base e por desenvolver jovens jogadores para jogar na Premier League. Eu sabia que seria assim quando cheguei”.

“Tivemos bons momentos no começo e depois um momento muito difícil durante o outono, quando realmente estávamos mal, mas nós nos recuperamos e encontramos uma maneira melhor de jogar. Eu sei que ainda estamos no meio da jornada, mas acho que estamos na direção certa neste momento”, acrescentou.

Hasenhüttl também precisa de melhor material humano para voltar à parte de cima da tabela. As últimas fornadas de jovens não foram as melhores, nem as garimpadas de jogadores, como no passado foi feito com Sadio Mané, Virgil Van Dijk, Dejan Lovren e outros que renderam boas libras. De qualquer maneira, há um projeto em andamento, de sucesso ainda incerto, mas promissor, e o Southampton acerta em dar tempo para ver no que vai dar.

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