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O West Ham gastou muito dinheiro nas últimas duas temporadas, com taxas de transferências e salários, mas muitas contratações não têm rendido o que se esperava, o que pode ser ilustrado pelo fato de o clube londrino, 18º faturamento da Europa, chegar à pausa de inverno dentro da zona de rebaixamento da Premier League. David Moyes avalia que há um problema de conceito por trás da estratégia de mercado.

Em sua segunda passagem pelo leste da capital, Moyes usou o exemplo do seu excelente trabalho pelo Everton, quando praticamente não tinha orçamento de transferência e gastava o que recebia pela venda de jogadores. A sua visão, afirma, é trazer jovens com fome que queiram tornar o West Ham melhor e que tenham valor de revenda no futuro.

O West Ham de fato tem dado uma atenção especial ao que considera ser o “produto pronto” nos seus últimos mercados. Contratou jogadores como Pablo Zabaleta, Joe Hart, Jack Wilshere, Carlos Sánchez, Andrii Yarmolenko e Lukasz Fabianski, todos com idade mais avançada e, em diferentes níveis, carreiras estabelecidas e passagens por grandes clubes.

Não é incomum, quando um clube adquire poder de investimento, que fique um pouco deslumbrado pela possibilidade de contratar jogadores famosos e, como em alguns casos citados acima, raramente eles justificaram os altos salários que essa notoriedade lhes rendeu. A folha salarial do West Ham está na casa de 70% do faturamento de 2018/19 – proporção bem alta –, que foi um recorde, mas o período também registrou prejuízo de aproximadamente £ 30 milhões.

Acontece que apostar em jogadores “jovens e com fome” também não é uma fórmula mágica porque há alguns de muita qualidade no West Ham, como Issa Diop, Pablo Fornals e Sebastién Haller, e o problema parece mais amplo. De qualquer maneira, esse perfil citado por Moyes está presente na contratação mais interessante do West Ham durante o mercado de janeiro e também em reforços promissores de outros clubes do meio da tabela da Premier League, que, em comum, apareceram bem na fase de grupos da Champions League desta temporada.

O Slavia Praga, como esperado, terminou seu grupo na lanterna, mas causou problemas para Barcelona, Borussia Dortmund e Internazionale. Um dos seus destaques, já eleito melhor jogador do Campeonato Tcheco, é Tomas Soucek, de 24 anos. Volante de 1,92 metros, com uma incrível capacidade de fazer gols: foram 18 na temporada 2018/19 e 12 na atual antes de se mudar para Londres.

O West Ham soltou € 4,5 milhões pelo empréstimo de uma das peças centrais do bom toque de bola do Slavia Praga. Há a opção de compra por mais € 20,5 milhões, que deve ser exercida caso os Hammers se mantenham na Premier League. Sua posição bate com Declan Rice, mas Moyes descartou vender o jovem da seleção inglesa e disse que Soucek pode atuar mais recuado ou como meia-atacante também. Ambos podem fazer uma dupla de qualidade no centro do meio-campo.

O mercado para volantes altos estava aquecido. O Sheffield United surpreendeu ao anunciar Sander Berge, cuja altura de 1,95 metros pode ter algo a ver com os seus pais terem sido jogadores de basquete na Noruega. Ele esteve no radar de clubes como Sevilla, Tottenham, Napoli e Fiorentina e também se destacou na Champions League, com a camisa do Genk, nos dois jogos contra o Liverpool. Foi chamado de “um jogador interessante, muito interessante” por Jürgen Klopp.

Berge tem apenas 21 anos. Começou a se destacar no Valerenga, da Noruega, e chegou ao Genk, em 2017, para o lugar de Wilfried Ndidi, que iria para o Leicester. Ajudou o clube belga a caminhar às quartas de final da Liga Europa em 2016/17 e estava preparado para sair no começo da atual temporada, mas queria disputar a Champions League. Ao fim da campanha, custou € 22,5 milhões ao Sheffield United, que faz uma excelente e surpreendente campanha na Premier League.

Apesar do físico, é muito veloz. Uma fonte do Genk passou ao The Athletic os resultados dos seus testes em piques de 10, 20 ou 40 metros, sempre entre os primeiros colocados do clube. Costuma atuar como o jogador mais recuado do meio-campo, com boa qualidade de passe, mas também tem chegada à área, e deve acrescentar talento ao forte e organizado meio-campo de Chris Wilder.

Daniel Podence é mais baixo. Bem mais baixo: com 1,65 metros, é um ponta rápido e habilidoso que foi formado na base do Sporting e passou uma temporada e meia no Olympiacos. Cliente de Jorge Mendes, foi contratado pelo Wolverhampton, que tem ligações próximas ao super-agente português, mas também faz sentido do ponto de vista esportivo. Suas qualidades se casam com as características do time de Nuno Espírito Santo, muito forte no contra-ataque e na rápida transição. Pode ser uma alternativa interessante a Diogo Jota ou Adama Traoré no trio de frente.

Uma consequência natural do poder financeiro cada vez maior da Premier League é ver clubes menores fazendo grandes contratações, muitas vezes iludidos por nomes fortes e carreiras pesadas, mas esses três jogadores, todos na casa de apenas € 20 milhões, mostram que também há muito valor na boa observação do mercado.

Kick and rush

– Ainda é cedo para ter certeza dos efeitos de Carlo Ancelotti no Everton, ainda mais diante de tragédias como a derrota para os moleques do Liverpool na Copa da Inglaterra e o empate do Newcastle, após estar vencendo por 2 a 0. O italiano conseguiu, pelo menos, virar um jogo de Premier League, o que não aconteceu em toda a passagem de Marco Silva: a última virada pela liga inglesa havia sido em 2017, contra o Swansea, ainda com Sam Allardyce no comando. O Everton está há quatro rodadas invicto e, embora seja muito difícil, consegue vislumbrar uma possível vaga em competições europeias. Até mesmo a Champions Leage. O Chelsea, em queda, está a oito pontos de distância, a 13 rodadas do fim, e nenhum dos quatro times entre os dois – Tottenham, Sheffield United, Manchester United e Wolverhampton – parece insuperável.

– José Mourinho sempre adotou um personagem diante da opinião pública, às vezes rabugento demais, mas foi impagável a sua reação no jogo contra o Manchester City. Estava satisfeito que o árbitro não havia dado um pênalti sobre Sterling, mas, alertado pelo auxiliar que o atacante adversário já tinha cartão amarelo e poderia receber o segundo pela simulação, foi de 0 a 100 kms em menos de 10s para reclamar com o quarto árbitro. Foi provavelmente uma encenação, mas pelo menos uma simpática.

– O Burnley vai pouco a pouco subindo na tabela e deixando a zona de rebaixamento mais distante. Na última rodada, veio um ponto inesperado. Pela primeira vez desde que retornou à Premier League, em 2014/15, não foi derrotado pelo Arsenal. Foram dez derrotas nesse período antes do empate por 0 a 0 no Turf Moor.