Lille e Lyon viveram uma inversão entre esperança e dissabor após a quinta rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Se o LOSC estava à beira da eliminação e renasceu com o triunfo fora de casa sobre o CSKA Moscou, o Lyon praticamente se despediu do torneio com o melancólico 0 a 0 diante do Ajax em pleno Gerland. O OL, que poderia se igualar ao time holandês, agora torce por um milagre.

Se ainda mantinha uma certa pose de rei, o Lyon teve uma prova cabal de como seu reino caiu por terra. Como se não bastasse a perda da hegemonia na Ligue 1, o OL agora vê sua condição quase intocada na Liga dos Campeões se esfacelar. O empate por 0 a 0 com o Ajax em Gerland praticamente sepultou as esperanças de classificação da equipe para as oitavas, interrompendo uma longa sequência.

Ir para o mata-mata pela nona temporada consecutiva se tornou tarefa hercúlea. Nem mesmo os retornos de Lisandro López e Michel Bastos serviram para acordar o Lyon. Calcados em um 4-4-2 ofensivo, os lioneses perderam a batalha no meio-campo para um Ajax privado de seus melhores elementos ofensivos. Com a obrigação de se impor, o OL falhou e assistiu passivamente ao adversário assustar Lloris.

O OL foi incapaz de incomodar uma defesa que tomou nada menos do que oito gols nas duas últimas partidas na Eredivisie (6 a 4 para o Utrecht e 2 a 2 diante do NAC Breda). As melhores chances vieram mais na base do desespero, já no fim, quando o fiasco estava desenhado. Há quatro jogos sem ganhar e com a LC praticamente perdida e de forma precoce, o treinador Rémi Garde conhece seu primeiro grande questionamento desde que assumiu o comando da equipe.

O provável fracasso na Champions apenas confirma a fase descendente do Lyon. A perda do status de “um dos melhores clubes da Europa” significa um golpe profundo na filosofia da direção do clube, cujo orgulho por esta condição de clube europeu (acima do francês) se tornou um mantra em Gerland. Ir para a Liga Europa, embora esteja longe de ser uma vergonha, soará como uma das maiores humilhações sofridas pelos lioneses nos últimos tempos.

Bastou apenas um jogo para o Lille passar de patinho feio para potencial classificado para as oitavas. Os atuais campeões franceses se superaram ao conquistar uma improvável vitória diante do CSKA Moscou por 2 a 0 na casa dos rivais e decidem sua sorte contra o Trabzonspor – um triunfo sobre a equipe turca no Stadium Nord será o suficiente. Foi apenas a primeira vitória do LOSC nesta edição do torneio, mas de fundamental importância para sua sobrevida.

Quando recebeu o CSKA Moscou, o Lille abriu uma vantagem de 2 a 0 e parecia ter o resultado nas mãos, mas permitiu a reação dos visitantes e amargou um empate por 2 a 2. No jogo seguinte, contra o Trabzonspor, o mesmo filme: os Dogues saíram na frente e lamentaram o 1 a 1. Desta vez, o LOSC demonstrou ter aprendido a lição e exibiu maior solidez e frieza para defender o placar.

O Lille manteve-se alerta o tempo todo e não relaxou um minuto sequer. No total, foram 14 chutes a gol. Claro, a ausência de Honda e Doumbia diminuiu demais a força ofensiva do CSKA Moscou, mas o LOSC soube se impor após um início de algumas imprecisões. A figura emblemática desta mudança de postura se chama Éden Hazard. Apático nas partidas anteriores, o jovem belga enfim mostrou a que veio na LC e teve atuação destacada. O sonho dos Dogues está mais vivo do que nunca.

Em pane

 

O Paris Saint-Germain viveu momentos ruins nos últimos dias. Como se não bastasse ouvir de David Beckham que ele jamais conversou com Leonardo sobre uma possível transferência, o clube ainda sofreu uma dura derrota dentro de campo. Em pleno Parc des Princes, o time da capital foi surpreendido pelo Nancy e perdeu por 1 a 0. O PSG só não deixou a liderança por conta de sua vantagem no saldo de gols para o Montpellier.

Muito se falou sobre a vinda de Beckham ao Paris Saint-Germain, como se a negociação já estivesse fechada. Houve até quem dissesse que o envolvimento de Victoria, esposa do meia, com o mundo da moda faria o clube do Parc des Princes o lugar ideal para o futuro da família. Muita calma nessa hora. O PSG viu com toda essa expectativa em torno da chegada (ou não) do Spice Boy como também é ruim ser rico. A quantidade de especulações em torno de quem vestirá a camisa da equipe já seria capaz de montar pelo menos uns cinco times, todos repletos de galácticos.

Beckham disse que seu único contato recente com Leonardo foi uma mensagem de boa sorte enviada pelo diretor esportivo do PSG antes da decisão da Major League Soccer. Claro, também não dá para ser ingênuo e achar que o dirigente tomou esta atitude apenas para ser bonzinho. Os qatarianos adorariam contar com um astro do porte do inglês no time. Leonardo também sabe da importância que o inglês tem para explorar mercados até então adormecidos para o clube da capital. Isso sem contar, claro, no que o jogador poderia oferecer em campo – muito embora ele já esteja em fase descendente.

Enquanto a dúvida em torno de Beckham persiste, o PSG enfrenta problemas na Ligue 1. Diante do Nancy, penúltimo colocado antes da partida, o time da capital penou contra a retranca armada pelo adversário. Ao repetir falhas preocupantes, o time dá sinais de fraqueza em um momento dos mais perigosos na temporada – leia-se a alguns dias do clássico contra o Olympique de Marseille.

O Nancy entrou em campo disposto a se fechar na defesa e, se possível, explorar u ou outro contra-ataque. A tática deu certo. Com cinco defensores e um amontoado de jogadores à frente de sua área, o ASNL conseguiu parar um insípido ataque parisiense. Como os donos da casa estavam sonolentos, os visitantes se animaram, partiram para cima e conseguiram o golzinho salvador. Sirigu ainda salvou o PSG de sofrer vexame maior, mas o estrago já estava feito.

O esgotamento de Javeir Pastore fica mias evidente a cada rodada. O meia não teve descanso: esteve a serviço da seleção argentina em jogos complicados pelas eliminatórias da Copa do Mundo-2014 e enfrentou longa viagem para voltar a tempo de defender o PSG. O jogador, que já estava em queda de rendimento, praticamente não foi notado em campo contra o Nancy. Até então imune às críticas, o atleta ouve algumas contestações.

Pastore reconheceu estar cansado, principalmente com o último bate-volta na América do Sul. Escalado 17 vezes por Antoine Kombouaré, o meia precisa urgentemente parar um pouco para se recuperar. Com um clássico pela frente e tantas dificuldades, o PSG está ameaçado de voltar a mergulhar em crise quando pensava que nunca mais as veria no Parc des Princes. Ou seriam elas o verdadeiro motor da equipe?