Conhecido mundialmente como o clube que revelou Michel Platini para o futebol, o Nancy passa por dificuldades nesta temporada. Último colocado da Ligue 1 com apenas seis pontos em 13 jogos, o time já se preocupa em apenas evitar o rebaixamento há três anos. Apesar disso, trata-se de um clube muito organizado e correto, de acordo com o zagueiro brasileiro André Luiz, que está há oito temporadas no clube.

Aos 32 anos, André Luiz é o capitão do time e quarto jogador na história a disputar mais partidas pelo Nancy na primeira divisão. Com passagens pelos profissionais de Tupi e Atlético Mineiro e esde 2005 no clube, o zagueiro sempre foi titular, com uma média de 33 jogos por temporada. E optou por ficar, mesmo afirmando ter recebido propostas de vários clubes, como São Paulo e Wolfsburg. O zagueiro, no entanto, revelou à Trivela em entrevista exclusiva que deseja voltar ao Brasil no ano que vem e fará o possível para que isso aconteça.

Confira a entrevista:

Você já está há oito temporadas no Nancy. Por quê tanto tempo no clube?

Quando cheguei aqui, meu objetivo era ficar apenas dois anos, para buscar um centro maior, um clube maior. A adaptação foi difícil, mas me firmei rapidamente e eles logo propuseram um novo contrato, o Nancy sempre me valorizou. Em 2007, cheguei a ter uma proposta do São Paulo. Conversei muito com o Milton Cruz, cheguei a tentar a liberação com o Nancy, mas o São Paulo queria o empréstimo de graça, e o Nancy não aceitou. Tive também uma proposta concreta do Wolfsburg, mas o negócio não foi para a frente. Hoje, sou capitão do clube e o quarto jogador com maior número de partidas pela Ligue 1 pelo Nancy.

E recentemente, houve alguma proposta?

Sim. O Montpellier, atual campeão francês, me mandou até um pré-contrato para eu assinar, porque eu estava livre. Era uma proposta para jogar a Liga dos Campeões. Mas o Nancy soube disso e me fez uma contraproposta muito boa.

Muitos jogadores falam que tiveram problemas com a falta de um intérprete na França, e que não contaram com a ajuda do clube no início. Você também passou por esse problema?

Não. O clube logo me disponibilizou um intérprete, que se tornou meu amigo. O Nancy sempre me ajudou, sempre foi muito correto comigo, e eu com eles. É um clube intermediário na França, mas muito organizado.

É organizado, mas está na última colocação na Ligue 1. Na sua opinião, quais os motivos dessa campanha ruim (apenas uma vitória em 13 jogos)?

O clube está com dificuldades há pelo menos três anos e precisou baixar a folha salarial. Com isso, perdeu jogadores que eram titulares absolutos e repôs com atletas jovens, alguns vindos da segunda divisão. É normal que isso se reflita dentro de campo, mas acredito que as coisas irão melhorar.

O Nancy é um clube conhecido mundialmente por ter revelado Michel Platini. Qual a importância dele para o clube atualmente? A torcida lembra dele nos jogos?

Nos jogos não, mas o Platini é muito importante para o clube sim. Os pais dele ainda moram aqui, o pai dele está meio doente agora, mas antes disso ia em todos os jogos e até em alguns treinos. Ele foi diretor esportivo do clube e tem uma relação muito próxima com todos por aqui. E às vezes o próprio Platini aparece nos jogos.

Você pensa ainda em jogar no futebol brasileiro?

Sim, penso. Quero voltar ao Brasil quando o meu contrato acabar.

O Vasco é um dos clubes interessados?

Não sei. Não houve nada de concreto. Apenas uma conversa do meu empresário (N.R: Paulo Nehmy) com o Daniel Freitas, que é o diretor de futebol. Pelo que sei, apenas uma sondagem.

O Ricardo Gomes foi técnico na França durante um bom tempo. Achas que isso pode facilitar a negociação?

Acho que sim (risos). Enfrentei o Ricardo Gomes várias vezes aqui na França e sempre tive a felicidade de jogar bem contra ele. Acho que ele daria o aval sim, e se viesse uma proposta de volta agora, faria o possível para retornar ao Brasil já no início de 2013. Se não der, espero o fim do meu contrato, que é na próxima temporada.

Você já está com 32 anos. Além de voltar ao Brasil, você tem algum outro objetivo na carreira?

Sim. Nesse último contrato com o Nancy, assinei um acordo com eles para que eu, depois de me aposentar, represente o clube na América do Sul, escolhendo jogadores para a base, atuando como consultor técnico. Mas isso é para o futuro. Nunca me machuquei, sou um jogador que me cuido, não saio para a noite, então pretendo jogar mais uns cinco anos pelo menos.