A decisão da Champions League vê muitos candidatos a protagonistas despontando antes do duelo no Wanda Metropolitano. E, principalmente, protagonistas de nacionalidades que não eram muito óbvias até umas décadas atrás na competição continental. Son Heung-min, Mohamed Salah e Sadio Mané não são apenas decisivos ao longo da temporada. Eles se candidatam como os melhores jogadores da história de seus países. Sobretudo, servem de retrato a um futebol cada vez mais globalizado, com oportunidades que vão além dos grandes centros. A ampla rede de intercâmbio no esporte permite que o talento floresça nos mais variados cantos.

Foi assim, afinal, que Sadio Mané saiu de um vilarejo na fronteira de Senegal com Guiné-Bissau e, fugido de casa, passou no teste da academia Génération Foot. Também foi assim que Salah saiu de uma cidadezinha no interior do Egito e, após longas viagens diárias até o Cairo, virou revelação do Arab Contractors.  Que Son ganhou espaço após ser preparado por seu pai no norte da Coreia do Sul. Ou que o queniano Victor Wanyama, sem a mesma badalação dos colegas, se tornará pioneiro de seu país em uma final de Champions.

As fronteiras que se expandem, ainda assim, não são uma novidade à Champions. Elas marcam a história da competição continental, desde a sua primeira edição, em 1956. Desta forma, aproveitando a peculiaridade da final de 2019, decidimos recontar este passado de uma maneira diferente: quem foram os atletas nascidos em “países alternativos” que entraram em campo na decisão do torneio e como isso ajuda a recontar, além da história do futebol, um pouco da geopolítica que envolveu o planeta desde a segunda metade do Século XX.

Abaixo, listamos 21 jogadores. Eles foram selecionados conforme o território em que nasceram, mesmo que alguns deles ainda fossem colônias dos países europeus. Foram selecionados atletas não só pela importância esportiva, mas também pela peculiaridade da nacionalidade ou pelo contexto da época. Indo além dos países mais tradicionais da Europa ou da América do Sul, eles ajudam a mostrar como as fronteiras se romperam na captação de jogadores pelos principais clubes – e como isso, em boa parte das vezes, refletiu movimentos mais amplos. São, acima de tudo, pioneiros de um esporte que ajuda a ensinar sobre a sociedade e que promove um inegável trânsito cultural.

Just Fontaine, Marrocos 

Ainda que os times fossem majoritariamente compostos por jogadores locais na década de 1950, era comum ver um ou outro estrangeiro integrando os elencos nas primeiras decisões da Copa dos Campeões. Eles vinham de Brasil, Argentina, Uruguai, Hungria, Suécia ou outras potências do futebol na época. Fontaine foi o primeiro jogador nascido no continente africano a disputar uma final de Champions. Já consagrado como artilheiro da Copa do Mundo de 1958, o centroavante fez sua estreia na decisão de 1959, quando o Stade de Reims perdeu diante do Real Madrid. Vale lembrar, entretanto, que ele não tinha origens étnicas no continente. Seu pai era francês e sua mãe era espanhola. A família mudou-se para Marrakech, onde o pai trabalhava em uma companhia estatal. Ainda assim, ele iniciou a carreira no USM Casablanca. Entre outros jogadores nascidos nas colônias do norte da África, vale mencionar ainda o juventino Claudio Gentile, que deixou a Líbia na infância, logo após o fim da colonização italiana. Seria vice com a Velha Senhora em 1983.

Eusébio, Moçambique

Dentro da realidade colonialista, o Benfica se tornou o clube que mais aproveitou a qualidade importada da África. O time bicampeão europeu era repleto de jogadores que nasceram no continente, seja em Angola ou em Moçambique, devido ao amplo trabalho de captação realizado pelos times lusitanos. Entre os angolanos, o nome mais sobressalente é o do capitão José Águas, de família portuguesa. Já entre os moçambicanos, além da importância de Mário Coluna, a referência inescapável é Eusébio. O Pantera Negra era mestiço, filho de uma moçambicana negra e de um angolano branco de origem portuguesa. O prodígio seria integrado ao time encarnado entre um título e outro. Os benfiquistas deram um “chapéu” no Sporting e levaram o adolescente que despontava na filial leonina em Lourenço Marques. Chegou ao time justamente às vésperas da final de 1961, embora tenha mesmo arrebentado no bi de 1962. A influência das colônias sobre os finalistas portugueses, aliás, permaneceu em outras aparições, sobretudo na década de 1980. Mesmo depois da independência, ganharam espaço jogadores como o angolano Vata e o bissauense Samuel.

Victor Benítez, Peru

A primeira edição da Copa dos Campeões teve dois argentinos entre os campeões, Héctor Rial e Alfredo Di Stéfano. Um ano depois, Julinho Botelho seria o primeiro brasileiro finalista, vice com a Fiorentina. E a terceira edição contou com dois uruguaios se enfrentando, José Santamaría e Juan Alberto Schiaffino. Brasileiros e argentinos sonharam aos montes com a Orelhuda, enquanto os uruguaios voltaram a ter presença marcante nos últimos anos. Enquanto isso, é raro ver jogadores dos demais países sul-americanos em campo na final da Champions. Antonio Valencia permanece como o único equatoriano a jogar uma decisão, Cuadrado é o único colombiano, Vidal é o único chileno. Por isso mesmo, o feito de Victor Benítez deve ser valorizado. Ele foi o primeiro e único peruano a ser titular em uma finalíssima, e isso em tempos nos quais o trânsito de futebolistas era bem mais escasso. O volante surgiu no Alianza Lima e se transferiu ao Boca Juniors, antes de ser contratado pelo Milan em 1962. Apesar da curta passagem pelo clube, conquistou a taça em 1963. Claudio Pizarro poderia tê-lo igualado em 2010, mas não saiu do banco pelo Bayern de Munique.

Gérard Janvion, Martinica

Os jogadores dos territórios ultramarinos franceses se tornaram corriqueiros nos últimos anos. Para ficar apenas em alguns nomes, Jocelyn Angloma e Lilian Thuram se tornaram notáveis na Champions, após saírem de Guadalupe. O primeiro foi Gérard Janvion, defensor do Saint-Étienne vice-campeão em 1976. Ele nasceu na Martinica e começou sua carreira na ilha caribenha, com a camisa do Case-Pilote. Foi descoberto em 1972 pelos Verts, aos 19 anos, e se mudou à França. Apelidado de Cérbero, por seu trabalho defensivo, ele chegaria a atuar pelos Bleus em duas Copas do Mundo. Após a aposentadoria, virou treinador da incipiente seleção martinicana. Outro “estrangeiro” naquele Saint-Étienne era o líbero Christian Lopez, que nasceu nos tempos coloniais da Argélia. Antecipariam um movimento corriqueiro entre os clubes franceses, principalmente pela intensificação da migração nos anos 1970 e 1980.

Massimo Bonini, San Marino

Entre os países nanicos, Massimo Bonini certamente é um herói. O maior jogador da história de San Marino teve um papel importante na Juventus dos anos 1980, disputando a final da Champions em duas oportunidades e conquistando o título em 1985. Dono de uma enorme resistência física, o volante começou a carreira no Juvenes, um clube de seu território. De lá saiu para um clube da quarta divisão italiana e começou a ascender, defendendo o Cesena antes de ser contratado pela Juventus. É uma raríssima exceção entre as nações com menos de um milhão de habitantes. Embora tenha passado pelas seleções italianas de base, nunca quis renunciar sua nacionalidade samarinesa e passaria a defender a equipe nacional a partir de sua oficialização, em 1990.

Bruce Grobbelaar, África do Sul

O Liverpool iniciou sua hegemonia na Champions como a maioria dos clubes britânicos – com seus talentos concentrados entre jogadores “das ilhas”, algo motivado também pelas limitações nas transferências do país. A primeira grande exceção foi Bruce Grobbelaar, goleiro no título de 1984. E, por todo o “globalismo” de sua história de vida, ele indicou alguns movimentos que ocorriam ao redor do planeta. Nascido em Durban, na África do Sul, vinha de uma família africâner. Mudou-se à Rodésia (atual Zimbábue) ainda bebê e era reconhecido por seu talento no críquete. Já sua ascensão no futebol aconteceu no local Highlanders FC. Por conta das tensões no país, porém, a carreira esportiva do arqueiro chegou a ficar em xeque ao final da adolescência. Ele foi convocado pelo exército nacional e lutou na Guerra Civil da Rodésia. Deixaria a África em 1979, descoberto pelo Vancouver Whitecaps, então time da antiga NASL. Ainda seria emprestado ao Crewe Alexandra, de Londres, antes de estourar no Canadá e ser pinçado pelo Liverpool. Ídolo em Anfield, construiu sua carreira internacional com a própria seleção do Zimbábue, após estrear em 1977. Outro africano do Liverpool campeão em 1984 era Craig Johnston. O camisa 10 nasceu em Joanesburgo, mas tinha origem australiana e cresceu na Oceania.

Norbert Nachtweih, Alemanha Oriental

A queda do Muro de Berlim causou uma ampla transferência de jogadores da Alemanha Oriental para os clubes da Bundesliga, mesmo antes da formalização da unificação. O processo intenso é protagonizado por Matthias Sammer, craque do Borussia Dortmund campeão europeu em 1997. Porém, é interessante notar que um finalista de Champions “pulou o muro” antes da queda – algo raríssimo em tempos de repressão. Norbert Nachtweih era zagueiro do Bayern de Munique no vice de 1987. Cresceu na Alemanha Oriental e chegou a defender o Chemie Halle na antiga Oberliga. Sua mudança para o lado ocidental aconteceu em 1976, aos 19 anos. Ele viajava com a seleção sub-21 pela Turquia quando desertou e assinou com o Eintracht Frankfurt. Por conta disso, chegou a ser suspenso pela Fifa por um ano. Era um ótimo defensor, a ponto de ser cotado ao Nationalelf, embora seu histórico nas seleções de base impedisse a convocação. Além de Nachtweih, foram poucos os jogadores da Cortina de Ferro em uma final de Champions pelos clubes do lado capitalista. As raras exceções ganhavam a permissão para se transferir já com a carreira estabelecida, como o polonês Zbigniew Boniek.

Rabah Madjer, Argélia

Rabah Madjer tem uma importância imensa na história da Champions. E não apenas por seu gol de calcanhar, decisivo na conquista do Porto em 1987. O atacante também se tornou o primeiro jogador de seleção africana a se tornar uma estrela inegável do torneio. O argelino fazia parte da geração de seu país que cresceu já depois da independência e criou raízes com a equipe nacional. Disputou dez torneios com as Raposas do Deserto, incluindo duas Copas do Mundo. Após começar a carreira no Hussein Dey, transferiu-se ao Racing de Paris em 1983, um ano após o seu primeiro mundial, e foi contratado pelo Porto em 1985. Viraria um dos grandes ídolos portistas, sobretudo pelo poder de decisão. No fim dos anos 1980, indicava um trânsito de atletas que começava a se ampliar, em especial do norte da África aos países do sudeste da Europa. Um ano depois, o marroquino Hajry Redouane seria finalista com o Benfica.

Stevan Stojanovic, Kosovo

É preciso ter consciência que a geopolítica da Europa mudou bastante entre o início da Copa dos Campeões e a fase atual da Champions. O número de países no continente se multiplicou, sobretudo diante da cisão das nações do Leste Europeu. E, ainda que jogassem sob a mesma bandeira, os finalistas iugoslavos são o melhor exemplo. Embora se concentrasse entre sérvios, o Partizan Belgrado de 1966 proporcionava essa integração entre eslovenos, montenegrinos e kosovares. Já o maior caldeirão era o Estrela Vermelha de 1991. Dos 11 titulares, a única das repúblicas com as quais não havia ligação étnica era a Eslovênia. Misturavam-se sérvios, bósnios, croatas, macedônios e montenegrinos. O capitão era Stevan Stojanovic, de origem sérvia, mas nascido no atual Kosovo. Começou a carreira no pequeno Rudar Rudnik, antes de ser descoberto pelos alvirrubros e se mudar a Belgrado. O Partizan de 1966 ainda tinha dois kosovares, entre eles o lateral Fahrudin Jusufi, parte dos goranos – um povo de muçulmanos eslavos que habita a região.

Abedi Pelé, Gana

Se Madjer se distingue por sua representatividade, Abedi Pelé ampliou esse significado para a África Subsaariana. Foi o primeiro jogador negro das seleções africanas a brilhar em uma final de Champions. O camisa 10 do Olympique de Marseille disputou duas decisões, conquistando o título em 1993. A trajetória do ganês, aliás, é singular. Ele começou sua carreira no futebol local e, depois de estourar na CAN 1982, aceitou uma proposta do Al Sadd. Jogou pouco no Catar, antes de seguir à Suíça e voltar à África, atuando também no Benin. Foi só quando aportou na França que sua carreira por clubes deslanchou, passando por Niort e Mulhouse até assinar com o Olympique. Depois de Abedi, os jogadores das seleções africanas ganhariam amplo espaço na Champions. Outro atleta nascido no continente a ser campeão com os marselheses foi Basile Boli, marfinense que se mudou à França na infância e optou por defender os Bleus. Didier Drogba, Claude Makélélé, Samuel Eto’o foram digníssimos herdeiros desta rota de imigrantes.

Hristo Stoichkov, Bulgária

Basicamente, até o fim dos anos 1980, os países da Cortina de Ferro estariam representados por seus jogadores na final da Champions se a alcançassem. Raras foram as exceções, como mencionado acima. O fim dos regimes comunistas abriu as fronteiras a vários talentos que desabrochavam na região e ganharam a permissão de se provar nas ligas mais fortes, atraídos pela bonança financeira. Um processo contínuo que abrangeu as melhores seleções do período, como a Iugoslávia, a Romênia e a Bulgária. Assim, o primeiro búlgaro a figurar em uma decisão foi Hristo Stoichkov. Craque do CSKA Sofia, já tinha recebido até a Chuteira de Ouro em 1990, quando a queda do governo permitiu que antecipasse os processos e se transferisse ao Barcelona de Johan Cruyff. Ganhou o título em 1992, além da frustração pela derrota em 1994.

Jari Litmanen, Finlândia

O título do Ajax em 1995 é simbólico de várias maneiras, especialmente pela forma como ele marca a cisão do futebol antes da Lei Bosman. Todavia, há também fortes traços de globalização no elenco de Louis van Gaal. Coroam-se os dois primeiros campeões nascidos no Suriname, Edgar Davids e Clarence Seedorf – mencionados com mais detalhes abaixo. O time também consagrou os dois primeiros nigerianos, Nwankwo Kanu e Finidi George. Já o camisa 10 era Jari Litmanen, o improvável craque da Finlândia. Olhar para os talentos nórdicos sempre foi comum na Europa, especialmente pelo longo amadorismo que prevaleceu no futebol desses países. De qualquer maneira, o meia-atacante mostrava como as observações se ampliavam além de Suécia, Dinamarca e Noruega. Tinha chegado a Amsterdã em 1992, após passar pelo MyPa.

Clarence Seedorf e Edgar Davids, Suriname

A revolução dos surinameses no futebol da Holanda se encorpou a partir dos anos 1980. Foi quando os descendentes de imigrantes começaram a estourar, com menção inescapável a Frank Rijkaard e Ruud Gullit – cujos pais eram amigos e desembarcaram juntos em Amsterdã, antes do nascimento dos garotos na cidade. Já a geração de atletas nascidos no próprio Suriname apareceu um pouco depois, consequência da migração massiva ocorrida a partir de 1975. Apesar da independência do país naquele ano, a busca de oportunidades na antiga metrópole se tornou frequente. Nesta onda se inserem Edgar Davids e Clarence Seedorf, ambos nascidos em Paramaribo na década de 1970 e que se mudaram à Holanda ainda na infância. O futebol se tornou um elemento em comum, até serem descobertos logo cedo pelo Ajax. Colocaram o país de origem definitivamente no mapa da Champions durante a final de 1995. Naquele time, ainda tinham a companhia de Rijkaard, Michael Reiziger e Patrick Kluivert, todos descendentes.

Dwight Yorke, Trinidad e Tobago

Depois de Davids e Seedorf, outro jogador a representar a região do Caribe  na final da Champions durante os anos 1990 foi Dwight Yorke. Ele nasceu em Trinidad e Tobago, até ser descoberto de forma surpreendente pelo técnico Graham Taylor. O então comandante do Aston Villa fazia uma viagem com o clube pelas chamadas Índias Ocidentais e se encantou com o rapaz de 17 anos. Embora muitos caribenhos tenham se mudado ao Reino Unido nas décadas de 1970 e 1980, vendo essa migração se refletir no futebol, Yorke acaba a representando de maneira distinta. Continuou mantendo os seus laços com os trinitinos, convocado pela primeira vez à seleção em 1989 e presente na Copa do Mundo de 2006, após já ter se consagrado com o Manchester United campeão continental de 1999.

Hasan Salihamidzic, Bósnia

A geopolítica da Europa nos anos 1990, como dito acima, passou a contar com novos países. E alguns territórios começaram a ser representados não apenas pelos jogadores nascidos por lá, mas também pelos imigrantes que seguiram a centros mais desenvolvidos, seja por oportunidade de emprego ou fugindo da guerra. Sérvios, montenegrinos e croatas já tinham figurado na final da Champions após a Guerra de Independência da Iugoslávia quando Hasan Salihamidzic fez sua estreia na decisão, em 1999. Mas, além de ser o primeiro bósnio, o jovem foi o primeiro refugiado a brilhar. Destaque na base do Velez Mostar, estava em Belgrado com a seleção iugoslava sub-16 quando aconteceu o cerco a Sarajevo, em 1992. Fugiu com o pai para Alemanha e ganhou uma chance no Hamburgo, antes de ser contratado pelo Bayern.

Kakha Kaladze, Geórgia

De maneira paralela com o que aconteceu na Iugoslávia, os jogadores das repúblicas que formavam a antiga União Soviética começaram a aparecer na decisão da Champions depois da dissolução do país. Os primeiros só foram surgir em 2003, com uma dupla de respeito no Milan: Andriy Shevchenko e Kakha Kaladze. O caminho de Sheva era mais óbvio, considerando a força e a reputação do Dynamo Kiev até os anos 1990. Kaladze é quem foge um pouco do roteiro. Atacante convertido em defensor, começou a carreira no Dinamo Tbilisi e de lá seria pinçado pelo Dynamo Kiev, brilhando no timaço de Valeriy Lobanovskyi. De lá seguiria ao Milan, em 2001, reencontrando-se com Sheva. São três finais no currículo, em sucesso que o impulsionou na carreira política. Após a aposentadoria, foi Ministro da Energia da Geórgia, Vice Primeiro Ministro e atualmente ocupa o cargo de prefeito de Tbilisi. Outros ex-soviéticos pioneiros em decisões são o bielorrusso Aleksandr Hleb e o russo Dmitri Alenichev.

Shabani Nonda, Burundi

Progressivamente, os países africanos foram expandindo seus representantes nas decisões da Champions. Marfinenses, sobretudo, viraram figurinhas carimbadas na final. E surgiu espaço até para regiões menos visadas no esporte, indicando o maior fluxo aos grandes centros do futebol europeu. Shabani Nonda talvez seja o grande reflexo disso. Nascido em Burundi, ele mudou-se para a Tanzânia em 1994, quando o genocídio deixou centenas de milhares de mortos em seu país. Já apresentando seu talento no futebol, logo integrou a base de um clube tanzaniano e passaria também pela África do Sul, até se transferir para o Zurique em 1996, aos 19 anos. Defendeu o Rennes, antes de virar um dos artilheiros do Monaco que disputou a final em 2004. Como seus pais tinha origem congolesa, optou por defender a seleção da República Democrática do Congo no nível principal – sinal também das misturas étnicas pela África.

Harry Kewell, Austrália

O primeiro jogador nascido na Oceania a disputar uma final de Champions foi Christian Karembeu, da Nova Caledônia, que sempre defendeu a seleção francesa. O meio-campista era titular no Real Madrid campeão em 1998, mesmo ano no qual faturou a Copa do Mundo. Harry Kewell se tornou o primeiro atleta de uma seleção local da Oceania – e, até hoje, o único. Foram duas finais do camisa 7 com o Liverpool, em 2005 e 2007. Nascido em Sydney, ele é filho de um inglês e logo começou a torcer pelos Reds. Fez o caminho comum a outros jogadores de elite do país, ingressando nas categorias de base do Leeds United quando tinha 15 anos. Foram oito anos jogando em Elland Road, até realizar o sonho de se transferir para Anfield.

Keylor Navas, Costa Rica

Só três jogadores nascidos na América do Norte ou Central (excluindo-se o Caribe) disputaram uma final de Champions. Rafa Márquez rompeu a barreira ao ser campeão com o Barcelona, pouco antes de ver Chicharito Hernández segui-lo. No entanto, nenhum deles foi tão bem sucedido quanto Keylor Navas. O costarriquenho, tricampeão pelo Real Madrid, indica como os caminhos no futebol se encurtaram neste século. Ele chegou ao futebol europeu por intermédio de Luis Gabelo Conejo, goleiro tico eleito entre os melhores da Copa de 1990, quando o país estreou em Mundiais. Foi levado do Saprissa para o Albacete, antigo clube do veterano, antes de deslanchar com o Levante.

Park Ji-sung, Coreia do Sul

A Ásia foi o continente que mais demorou a ter um jogador em campo durante a final da Champions. Poderia ter sido Ali Daei, mas ele não saiu do banco pelo Bayern de Munique em 2001. O próprio Park Ji-sung ficou próximo de antecipar o feito, mas sua exclusão entre os relacionados na final de 2008 o atrapalhou. Seu pioneirismo enfim se rompeu em 2009, quando foi titular do Manchester United na derrota para o Barcelona. Ele começou sua carreira no futebol universitário local e já tinha sido convocado à seleção quando se profissionalizou com o Kyoto Purple Sanga, do Japão. Chegou à Europa pelo PSV, em 2003, após disputar a Copa do Mundo no ano anterior. Son é quem segue seus passos, podendo se tornar o primeiro asiático campeão. Ao que tudo indica, esta é a nova fronteira à taça da Champions.