Não é somente a saída de José Mourinho que auxilia Paul Pogba a ressurgir no Manchester United. O desafeto se foi e o meio-campista volta a desfrutar uma sequência maior em campo. Mas, além disso, ele também reencontra um velho conhecido. O francês trabalhou com Ole Gunnar Solskjaer no início de sua carreira, antes de sair para a Juventus. Foi o norueguês quem ajudou a talhá-lo nas categorias de base, promovendo sua estreia no time reserva dos mancunianos. A convivência de alguns meses foi interrompida em 2011, quando o comandante seguiu ao Molde, e se retoma nesta temporada. Assim, depois da vitória por 3 a 1 sobre o Huddersfield Town, o técnico exaltou a postura de seu atleta e a boa relação que possuem.

“Estou passando mais tempo com os jogadores, logicamente, e tentando ficar mais próximo de cada um individualmente. Realmente gostei da atuação de Paul. No jogo anterior ele criou dois ou três gols, agora ele anotou dois. Acho que ele curtiu a noite. Esse é o Paul que eu conheço. Esse é o Paul que eu conheço desde que estava na base. Sempre foi um rapaz alegre, sempre teve um grande sorriso no rosto e, quando você marca um ou dois gols, está feliz. Quando você joga pelo Manchester United, tem que estar contente. É uma responsabilidade defender este clube, mas também uma honra e um privilégio. Paul ama jogar pelo United, ele é uma cria da casa. É um garoto que sabe o que significa atuar pelo United”, declarou Solskjaer.

Pogba se mostra bem mais leve neste novo momento do Manchester United. Mesmo com José Mourinho, o meio-campista chamava a responsabilidade para si e resolveu algumas partidas, mas não rendia o máximo de seu potencial e serviu de bode expiatório ao treinador. Já nas duas últimas partidas, mostrou sua felicidade e correspondeu com ótimas atuações. Ante o Huddersfield, assinalou dois belos gols. Após o apito final, celebrou com a torcida longamente, sendo o último a deixar o campo. Inclusive, recebeu aplausos ao dar sua camisa a um fã.

Neste sentido, o novo treinador também ressaltou que valoriza seus jogadores como seres humanos, além das cifras que representam: “Quando você joga com o emblema do United no peito, há certa responsabilidade, nós jogamos de certa maneira. Não acho que o dinheiro gasto deveria incomodar ninguém. Porque o futebol hoje em dia é maluco, não é mesmo? Quando eu jogava, pensava que aquele era o topo, mas tudo continuou crescendo. Não acho que o valor das transferências é culpa dos jogadores. Eles são jogadores, são seres humanos. O preço que o clube paga não aborrece a mim ou a eles, não deveria ser assim de qualquer maneira”.

E mesmo garantindo que suas ideias estão apenas no início, o norueguês espera uma postura mais agressiva do United: “Não, você não faz nada em uma semana. Mas a mentalidade mudou. Quero que meu time jogue de certa maneira e você dá a eles pequenas dicas, aqui e ali. Isso é trabalho em progresso. Vai levar tempo para ter os detalhes que quero, fiz alguns ajustes, por isso vai melhorar com o passar do tempo. Estava dizendo para a comissão técnica: na próxima semana nós teremos Sánchez e Martial de volta, contaremos também com Lukaku, então poderemos realmente partir para cima”.

Não dá para saber se Solskjaer será o grande treinador que o Manchester United precisa. Mas é fato que a injeção de ânimo dada pelo antigo ídolo funciona. Além de ser uma figura que conhece Old Trafford muito bem, as palavras do norueguês se encaixam perfeitamente ao momento. Antes do encontro com o Huddersfield, por exemplo, ele ofereceu uma ótima entrevista sobre seus planos aos Red Devils.

“Não tenho ilusões quanto ao tamanho do desafio à frente. Todos nós temos muito trabalho para levar este clube de volta ao lugar em que deve estar. Não apenas devemos melhorar nossos resultados, temos que relembrar as pessoas do que o United é feito. Precisamos mostrar a todo mundo quem realmente somos. Esse é um clube construído no entretenimento e na empolgação, ao dar aos jogadores jovens a oportunidade de se expressarem. Há muito talento no elenco e esta é uma ótima oportunidade para eles mostrarem por que jogam por este grande clube. Quando marcarmos um gol, queremos o segundo. Quando marcarmos o segundo, queremos o terceiro. Esta é a natureza deste time, deste clube. Você sempre tem que ir e atacar”, apontou. E a boa vitória sobre o Huddersfield foi um sinal.

O Manchester United volta a campo no próximo domingo, quando recebe o Bournemouth. Depois, pega o Newcastle  em St. James’ Park e estreia na Copa da Inglaterra encarando o Reading. O primeiro grande embate de Solskjaer acontece em 13 de janeiro. Na data, os Red Devils viajam a Wembley, desafiando o Tottenham – responsável por uma das piores atuações do time com Mourinho. Já as maiores cobranças se concentram entre fevereiro e março, quando os mancunianos encaram em sequência: Paris Saint-Germain (C), Liverpool (C), Crystal Palace (F), Southampton (C), Paris Saint-Germain (F), Arsenal (F) e Manchester City (C). A prova de fogo ao treinador interino e aos seus redimidos comandados.