O forte depoimento de Sofia Sena, do Sport, revelando más condições de treinamento no clube após a derrota por 9 a 0 da equipe pernambucana para o Santos no dia 13, pela Série A1 do Campeonato Brasileiro, viralizou nas redes sociais e causou incômodo interno. Na sexta-feira (26), conforme noticiado por Olga Bagatini, do Yahoo Esportes, Sofia foi desligada da equipe.

Em entrevista ao blog do Yahoo Deixa Ela Jogar, Nira Ricardo, treinadora da equipe feminina do Sport, disse que Sofia estava criando mal-estar com suas declarações e que companheiras de clube estariam incomodadas.

“Ela havia acabado de chegar e, logo no segundo jogo, já estava denegrindo a imagem do clube. Até fiquei calada, a defendi, achei que era pelo calor da goleada, que foi infeliz nas palavras, e também me culpei porque não a orientei”, disse a técnica.

Ao Yahoo, por sua vez, Sofia disse que as ex-colegas a apoiaram: “Me abraçaram, algumas com lágrimas nos olhos, dizendo que alguém tinha que falar o que eu falei, que ainda bem que eu tinha chegado e tinha tido coragem para falar”.

Entretanto, após a partida do Sport contra o Audax, na terça-feira (23), Sofia Sena voltou a criticar o clube publicamente, desta vez com uma publicação em que aparecia com as mãos tapando a boca, indicando que era impedida pelo clube de fazer as críticas.

Para Nira, essa foi a gota d’água. “Até agora estou sem entender por que ela fez aquilo se ninguém estava a proibindo de falar coisa alguma. Então, falei para ela: ‘Não tenho mais condições de trabalhar com você, está criando um mal-estar’. Ela está jogando no Sport, levo para viajar com o time, e ela fica postando essas coisas nas redes sociais”.

Milton Bivar, presidente do Sport, disse após a primeira declaração de Sofia que o clube não tinha como aumentar o investimento na equipe feminina.

“No caso da Sofia, a ‘bichinha’ não tem… Se ela imaginar que, se voltar a estrutura que tinha antes, ela vai ter que sair para dar lugar a jogadoras profissionais. O que acontecia no Sport? Nós tínhamos quase 30, um bom número de atletas profissionais. Chegamos a ser vice-campeão da Copa do Brasil, em 2008. Nós tivemos que tirar, porque essas meninas eram todas de fora. Não tinha pernambucana. Nós tínhamos que dar moradia, alimentação diária, preparação diária e salário. Elas eram todas assalariadas. Era uma média de R$ 2.000 a R$ 2.500. Não dá para manter.”

As palavras de Bivar incomodaram Sofia, que deu a sua versão ao blog Deixa Ela Jogar: “Me dispensaram… Fui chamada direto pela Nira, e ela me desligou do quadro e disse assim: ‘Eu falei que não era mais para dar entrevista, tentei amenizar, e você bateu de frente com o presidente’. Eu, porém, falei: ‘E quem gostaria de ser chamada de bichinha? Eu faria tudo de novo. Ninguém nasce profissional, existe preparação para isso”, afirmou, em referência à fala do dirigente apontando que ela não era profissional.

A Trivela entrou em contato com Sofia Sena para ouvi-la e atualizará a publicação em caso de resposta.

Confira abaixo o vídeo inicial da jogadora que viralizou nas redes: