Santos e Vasco atravessam momentos completamente distintos. Enquanto os paulistas confiam em Jorge Sampaoli para criar um projeto de longo prazo na Vila Belmiro, os cariocas tateiam seu futuro após a demissão de Alberto Valentim. O favoritismo no confronto naturalmente recaía sobre o Peixe e a partida na Vila Belmiro, com uma boa vitória por 2 a 0, aproximava a equipe da fase seguinte da Copa do Brasil. O reencontro nesta quarta, porém, guardou um drama muito maior do que se esperava. O Vasco, com todas as suas limitações, não se entregou. Encarou as lesões de dois de seus principais jogadores nos primeiros minutos e ainda assim vendeu caríssimo a eliminação. Os santistas estiveram longe de sua melhor forma, mas respiram aliviados no fim. Em uma noite agonizante, a vitória cruzmaltina por 2 a 1 acabou não sendo suficiente para provocar a festa em São Januário.

A partida começou preocupante ao Vasco. E não exatamente só por apuros relativos à bola. Logo no primeiro minuto, Leandro Castán sentiu uma lesão na coxa. Ainda tentou voltar ao gramado, permanecendo por algum tempo, mas não tinha condições. Deu lugar a Ricardo Graça. Paralelamente, o Santos dominava o jogo e fez o sinal de alerta dos vascaínos soar mais alto, quando Jean Mota bateu por cobertura e carimbou a trave. No entanto, a sorte dos cruzmaltinos mudaria aos 12 minutos. A partir da pressão na saída de bola, os anfitriões realizaram o desarme no campo de ataque e Maxi López ajeitou para Raul abrir o placar, batendo na saída do goleiro Everson.

O Santos continuava tentando administrar a posse de bola, mas tinha dificuldades para construir jogadas no ataque. Os oponentes se fechavam bem. Já aos 23 minutos, o Vasco precisou queimar sua segunda substituição. Fernando Miguel também sentiu lesão muscular, na panturrilha, e saiu para Alexander assumir a meta. Era uma atuação valente dos cruzmaltinos, diante de todos os percalços. E o time da casa fazia um bom trabalho para bloquear a saída de bola santista, trazendo problemas aos adversários e neutralizando uma pressão maior. Não era um jogo vistoso, de qualquer forma. Alison protagonizou a melhor chance dos paulistas, em chute para fora, mas os cariocas eram mais contundentes quando ameaçavam. Conseguiram aumentar a vantagem aos 38 minutos. Em escanteio cobrado ao segundo pau, a defesa bobeou e Ricardo Graça mandou para dentro. Neste momento, os cruzmaltinos forçavam os pênaltis.

Para o segundo tempo, Soteldo entrou no lugar de Alison e o Santos parecia mais disposto a romper sua passividade, se postando de vez no campo de ataque. O gol da classificação aconteceu aos oito minutos. Soteldo cruzou e a sobra ficou na entrada da área. Apesar da pressão na marcação, Jorge conseguiu acertar um lindo chute. Bomba que saiu do alcance de Alexander e morreu nas redes. Era o que o Peixe precisava para se tranquilizar. Marrony até poderia ter anotado o terceiro do Vasco na sequência, graças a uma saída errada de Everson, mas errou o alvo. Faltava mais organização aos anfitriões, em partida fraca tecnicamente. Mesmo os santistas abusavam dos erros, embora esfriassem o ímpeto do outro lado.

Se o jogo ganhou uma pitada de emoção no fim, foi mais por desespero em busca da classificação do que por outro motivo. Sampaoli seria expulso aos 34 minutos, por reclamação. Enquanto o Vasco ia com tudo para cima, o Santos tinha mais espaço para os contra-ataques. Diego Pituca e Rodrygo ganharam boas oportunidades para empatar, sem sucesso. Todavia, o ritmo do jogo nos minutos finais acabou determinado pelo abafa cruzmaltino. Faltava mais vigor físico aos cariocas, claramente desgastados pelas alterações utilizadas precocemente, mas ainda assim eles persistiam, sobretudo nas bolas alçadas. Já nos acréscimos, quando Ricardo Graça balançou as redes outra vez, a arbitragem anulou o tento por impedimento. E o suspiro final da partida aconteceu aos 51. Gustavo Henrique deu uma furada bisonha na entrada da área e Maxi López partiu sozinho, de frente para o gol. Everson tentou abafar, só que o argentino bateu para fora. A entrega dos vascaínos seria insuficiente.

Fora da Copa do Brasil, o Vasco se preocupa com o Brasileirão. E será uma longa caminhada, considerando a falta de um norte neste momento. Não há muitos motivos para se empolgar, apesar das conversas para contratar Jorge Jesus. Já o Santos, ainda que possua um treinador de primeira, não está com o seu jogo redondo e sofre com carências no elenco. Falta matar as partidas, algo que se repetiu em outras ocasiões, mesmo que desta vez a lista de problemas tenha sido mais vasta. A continuidade na Copa do Brasil, ao menos, confere uma expectativa a mais para a torcida santista.