Maior contratação da história do Arsenal, Nicolas Pépé pouco impressionou em seus primeiros meses no clube. O ponta de 24 anos indicou certas dificuldades na adaptação e, apesar de algumas boas atuações pontuais, não apresentou a consistência esperada. Nesta quarta-feira, em compensação, o novato deu motivos para a torcida aplaudi-lo bastante. O marfinense encarnou o espírito dos Gunners em uma ótima apresentação contra o Manchester United dentro do Estádio Emirates. Encabeçou uma equipe intensa e ávida pelo gol, que fez outro ótimo primeiro tempo e, desta vez, não entregou o placar na volta do intervalo. Merecido triunfo por 2 a 0, o primeiro sob as ordens de Mikel Arteta. A fama de Ole Gunnar Solskjaer nos “jogos grandes” esteve distante de se justificar, com os Red Devils muito aquém do esperado.

O chute de Marcus Rashford logo no primeiro minuto, defendido com segurança por Bernd Leno, seria o único lance minimamente perigoso do Manchester United até o fim da etapa inicial. Afinal, o Arsenal dominou a primeira metade do confronto por completo. Como se viu contra o Chelsea no clássico da rodada anterior, Mikel Arteta já consegue montar uma equipe taticamente sólida e bastante ligada no jogo. Os 45 minutos iniciais desta quarta-feira foram ainda melhores do que os observados no último domingo.

Com boas ultrapassagens dos jogadores e compactação do time, o Arsenal tinha a posse de bola e pressionava no campo de ataque. Os anfitriões precisaram de oito minutos para anotar o primeiro gol. Nicolas Pépé começou a aparecer. Sead Kolasinac fez o avanço pela esquerda e cruzou na linha de fundo. A bola desviou no primeiro poste, mas sobrou limpa para o marfinense chutar de primeira, no contrapé de David de Gea. Dois minutos depois, Pépé ainda puxou outra jogada, mas Pierre-Emerick Aubameyang não conseguiu aproveitar.

O Arsenal não criava tantas finalizações, mas trabalhava a bola com qualidade e mal deixava o United passar do meio-campo. O encaixe dos Gunners era ótimo e a equipe voltou a rondar o segundo gol com o passar do tempo. Pépé incendiava pelo lado direito e arrancava um ruído das arquibancadas. Quando ele serviu Alexandre Lacazette, aos 30, o compatriota pegou na orelha da bola e mandou para fora. Logo depois, Lucas Torreira mandou ao lado da trave. Os londrinos cresciam contra um oponente atônito.

Pépé carimbou a trave aos 38. Depois de uma saída de bola errada de De Gea, o marfinense recebeu e limpou a marcação, antes de mandar o chute no cantinho, que não entrou por um triz. Nada para o Arsenal se desesperar, até porque a equipe ampliou aos 43. Pépé cobrou escanteio pela direita, Lacazette se antecipou para dar uma casquinha e, depois que De Gea rebateu, Sokratis Papastathopoulos encheu o pé com a meta escancarada à sua frente. A diferença era mais condizente à superioridade dos Gunners. Somente nos acréscimos é que o United finalizou de novo, em bola na área que Harry Maguire não aproveitou.

Assim como aconteceu contra o Chelsea, o Arsenal perdeu sua intensidade no início do segundo tempo. O Manchester United voltou com outra postura e tentou pressionar os Gunners, que deixaram de acertar suas transições. Fred voltou a testar Leno e Solskjaer sentiu o momento favorável, ao realizar duas trocas, com as entradas de Andreas Pereira e Mason Greenwood. Andreas, aliás, criou a melhor chance do time na primeira participação. Com pouco ângulo, soltou uma bomba e balançou a rede pelo lado de fora.

Desta vez, porém, o Arsenal não seria tão passivo. E Arteta surpreendeu, ao tirar o estelar Pépé, que teve algumas discussões em campo com os adversários e o árbitro. Reiss Nelson veio no lugar do marfinense. A partir de então, os Gunners deixariam de sofrer grandes apuros. A defesa se acertou com um nível de atenção altíssimo e os principais medalhões do setor ofensivo se desdobrando para ajudar nos combates. Além disso, com o passar dos minutos, os londrinos começaram a armar diversos contragolpes. Poderiam ter matado a partida aí, não fossem os muitos erros no passe final.

O Manchester United, que precisava aumentar sua rotação durante os minutos finais, pouco realizou em busca da reação. A defesa do Arsenal merece elogios pela solidez ao longo de todo o tempo. Leno esteve bem protegido e, quando foi convocado ao serviço, realizou uma corajosa saída de gol nos acréscimos para bloquear Marcus Rashford. A disciplina dos londrinos prevaleceu até o fim. E, após o apito derradeiro, a torcida no Emirates deu sinais de empolgação durante os aplausos ao time.

Ainda é cedo para fazer qualquer afirmação mais incisiva sobre o trabalho de Arteta, mas não se nega que os primeiros sinais são positivos. Há um clima favorável, que se percebe pela atitude dos jogadores. Ofensivamente o time produz mais e defensivamente tem atravessado bons momentos durante as partidas, apesar dos erros pontuais. Resta encontrar um equilíbrio e uma constância dentro dos 90 minutos. Já o Manchester United, que chegou a indicar sua ascensão recentemente, volta a andar em círculos com a irregularidade.

O Arsenal fecha a rodada na décima colocação, encerrando a série de quatro rodadas sem vencer e o jejum de sete partidas no Emirates. São 27 pontos aos Gunners. O Manchester United tem 31 e continua ocupando a quinta colocação, em rodada na qual a maioria absoluta de seus concorrentes diretos perdeu. Os mancunianos estão a cinco pontos do Chelsea, que só empatou com o Brighton e ainda assim aumentou sua vantagem no G-4.

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