Gritos de “olé” e cânticos de “você será demitido na próxima manhã”. Se José Mourinho esperava dar uma resposta imediata após a conturbada semana do Manchester United, com direito à eliminação na Copa da Liga Inglesa diante do Derby County e briga com Paul Pogba, o seu pesadelo acabou se tornando maior. Os Red Devils foram presa fácil ao West Ham no Estádio Olímpico de Londres, em grande atuação do time de Manuel Pellegrini. Apresentando um futebol mais solto e de bons momentos ofensivos, os Hammers abriram vantagem no primeiro tempo, suportaram a pressão no segundo e, quando a reação dos mancunianos parecia tomar forma, os anfitriões fecharam a conta em 3 a 1. Resultado categórico para assinalar o embalo dos londrinos e permitir que sua torcida se esbaldasse com a crise do outro lado.

Mourinho escalou o Manchester United de uma maneira pouco usual, com 5-3-2 sem a bola, em que Scott McTominay dava sustentação na zaga e Nemanja Matic servia de vértice no meio-campo, ao lado de Paul Pogba e Marouane Fellaini. Não funcionou. O West Ham foi amplamente superior durante o início da partida, aproveitando o seu bom toque de bola e a movimentação de seus jogadores mais ofensivos. Assim, o gol não demorou a sair. Aos cinco minutos, Pablo Zabaleta avançou pela direita e fez um cruzamento rasante. Felipe Anderson apareceu na área para completar de letra, anotando um golaço.

Somente por volta dos 15 minutos é que o Manchester United começou a encaixar mais o seu sistema de jogo. Ainda assim, tinha dificuldades em realizar as jogadas, diante da consistente marcação do West Ham. Na melhor jogada, o cruzamento de Ashley Young saiu na medida para Romelu Lukaku, que desviou de cabeça, em bola que triscou a trave. O belga era um dos raros jogadores dos Red Devils que ofereciam algo diferente, a partir de sua mobilidade. No entanto, os mancunianos não forçaram uma defesa sequer de Lukasz Fabianski ao longo da primeira etapa. E pouco antes do intervalo, com os Hammers voltando a crescer a partir das bolas paradas, saiu o segundo gol. Após uma cobrança de escanteio, a bola sobrou a Andriy Yarmolenko, que arrematou. O chute ricocheteou na marcação e tirou completamente David de Gea do lance.

Durante o segundo tempo, o Manchester United tentou se impor mais no campo de ataque, o que dava mais espaços aos contragolpes do West Ham. Já os Red Devils partiam ao abafa, com a entrada de Marcus Rashford no lugar de Victor Lindelöf, alterando seu sistema de jogo. Os visitantes demoraram a criar lances de perigo, dependendo basicamente das bolas paradas. Aos 18 minutos, Fabianski operou um verdadeiro milagre em cabeçada de Fellaini para baixo, afastando em cima da linha. Rashford dava um respiro à equipe, chamando a responsabilidade e aparecendo bastante.

Aos 25, Mourinho tiraria Paul Pogba de campo. Depois de todo o imbróglio envolvendo os dois no meio da semana, o meio-campista não fez uma boa partida e deu lugar a Fred. Curiosamente, o United descontou logo em seguida. Cobrança de escanteio de Luke Shaw e Rashford se antecipou no primeiro pau, com um belo desvio de calcanhar. O problema é que a comemoração dos visitantes não duraria mais do que quatro minutos. Aos 29, Mark Noble deu uma enfiada de bola na medida, aproveitando o desleixo da defesa adversária. Marko Arnautovic saiu de frente para o gol e, com liberdade, voltou a ampliar a diferença para o West Ham. Depois disso, a partida praticamente acabou. Os Hammers administravam o resultado e ouviam os gritos de “olé” da torcida. Já os visitantes viviam de espasmos, sem qualquer sinal de reação.

Felipe Anderson merece elogios pela partida que fez, sobretudo no primeiro tempo, se movimentando para dar opções ao ataque e recompondo bem o sistema defensivo. Saiu aplaudidíssimo nos minutos finais. Além dele, Issa Diop e Fabián Balbuena fizeram um jogo bastante firme no miolo de zaga. Depois de um mercado movimentado, em que trouxe vários jogadores interessantes, o West Ham começou mal a Premier League, com quatro derrotas consecutivas. Já dá sinais de recuperação e, depois de enfiar 8 a 0 sobre o Macclesfield na Copa da Liga, o triunfo por 3 a 1 sobre o Manchester United serve para asseverar este crescimento da equipe de Manuel Pellegrini. Afastam-se um pouco mais da zona de rebaixamento, com sete pontos, já aparecendo no meio da tabela. Do outro lado, é ver até quando a situação insustentável em Old Trafford irá se sustentar. Os Red Devils tomaram fôlego depois da derrota para o Tottenham, mas já acumulam a segunda rodada consecutiva em jejum. E com uma derrota para incomodar qualquer um. A equipe de José Mourinho fica provisoriamente no oitavo lugar, com dez pontos – com mais tropeços que vitórias até o momento na campanha.