A seleção argentina enfrenta uma quantidade de problemas sem fim. Como se não bastassem os desmandos internos e as dificuldades de organização da AFA, os resultados em campo não aparecem. A qualidade dos jogadores não vem sendo suficiente para Edgardo Bauza armar um time eficiente. Pior, nesta terça ainda aconteceu um baque e tanto, com a suspensão de Lionel Messi. E, sem seu craque, a Albiceleste perdida acabou sendo atropelada pela Bolívia. Os argentinos tiveram os seus momentos em La Paz. No entanto, La Verde foi muito mais intensa e mereceu o triunfo por 2 a 0 no Estádio Hernando Siles. Inclusive, poderia até mesmo ter feito mais. Resultado que complica um bocado a Argentina na tabela das Eliminatórias da Copa.

Bauza realizou diversas mudanças em relação ao time que venceu o Chile no sufoco durante a última semana. Além de Messi, Gonzalo Higuaín, Javier Mascherano, Lucas Biglia e Lucas Otamendi estavam suspensos pelo acúmulo de cartões. Apenas Sergio Romero, Marcos Rojo e Ángel Di María permaneceram na escalação titular entre uma partida e outra. No ataque, Lucas Pratto e Ángel Correa serviam de referência. Enquanto isso, a Bolívia voltou com força máxima, após alguns destaques terem sido poupados na derrota fora de casa para a Colômbia, incluindo Alejandro Chumacero e Pablo Escobar.

Quando a partida começou no Hernando Siles, La Verde tentou se aproveitar das benesses da altitude. O time da casa começou em alta voltagem, pressionando e atacando com velocidade. A Argentina vivia um pandemônio em sua área, tentando se livrar do perigo como podia. A defesa ainda conseguia afastar os cruzamentos e bloquear os chutes dos bolivianos, mas a ameaça era constante. Marcelo Moreno, Escobar e Chumacero, sobretudo, orquestravam o bombardeio andino. Durou cerca de 20 minutos.

A Argentina precisou esperar para começar a respirar. Passou a encontrar um pouco mais de espaço nos contra-ataques e nas bolas paradas. Entretanto, esbarrou no goleiro Carlos Lampe. O camisa 1 espalmou chute forte de Éver Banega, antes de salvar no mano a mano com Di María, em tentativa na qual a incompetência do ponta foi mais gritante. Erro que custou caro demais. Três minutos depois, aos 31, a Bolívia abriu o placar. A defesa de Bauza se posicionou mal e, após cruzamento de Escobar, Juan Carlos Arce desviou de cabeça. Mesmo de costas para o gol, venceu Romero. A partir de então, o desespero bateu na Albiceleste. Os visitantes sequer ameaçados e precisaram aturar os gritos de ‘olé’, diante da posse de bola e das boas trocas de passes dos adversários.

Na volta para o segundo tempo, a Argentina até deu indícios de que poderia ser mais agressiva. Todavia, suas intenções ruíram de vez aos sete minutos, em mais uma falha de seus marcadores. Jorge Flores avançou à linha de fundo e cruzou. Encontrou Marcelo Moreno completamente livre, com tempo de dominar e fuzilar Romero. Pouco adiantaram as entradas de Sergio Agüero e Marcos Acuña. A Albiceleste mal conseguia criar e finalizava sem qualquer precisão. Mesmo sem transmitir segurança, Lampe mantinha sua meta a salvo. Enquanto isso, quando a Bolívia atacava, também deslumbrava. Em tabelas envolventes, tiveram mais algumas chances de balançar as redes. Chumacero, principalmente, gastava nos dribles. O toque final para a humilhação dos visitantes. Ao apito final, muita festa nas arquibancadas, em verde e branco.

A Argentina não sai da zona de classificação nesta rodada, mas, com as vitórias parciais de Colômbia e Chile, cai para a quinta colocação. E a tabela, embora preveja duelos em casa contra Peru e Venezuela, não é nada afável nas visitas a Uruguai e Equador. A situação, que não é tranquila, fica pior se não conseguirem recorrer a suspensão de Messi. Ainda assim, pior do que tudo é a falta de futebol do time de Bauza. A maneira como a Bolívia mandou em boa parte do jogo desta terça é emblemática.