A reformulada Supercopa da Espanha, transformada em um torneio caça-níquel na Arábia Saudita, não anima tanto os torcedores espanhóis. Os fãs do Real Madrid, entretanto, podem ao menos festejar a ótima atuação de seu time nesta quarta-feira, na primeira semifinal da competição nacional. Zinedine Zidane recheou o meio-campo de opções e os merengues corresponderam, com domínio total diante do Valencia. A vitória por 3 a 1 em Jeddah até ficou barata, considerando a ampla superioridade dos merengues, que colecionaram golaços. Agora aguardam seu adversário na final, marcada para o próximo domingo.

Apesar da recuperação recente, o Valencia seria um mero sparring ao Real Madrid na Arábia Saudita. E o domínio dos merengues começou desde os primeiros minutos, com uma postura diferente da usual. Zidane optou por escalar o seu trio de volantes titular, enquanto deixava Luka Modric e Isco mais soltos na ligação à frente, apoiando Luka Jovic como referência. Desta maneira, os madridistas trabalhavam bem a bola e se colocavam à frente, empurrando os valencianos contra a parede.

O Real Madrid não demorou a criar chances de gol. Logo aos cinco minutos, Jaume Domènech realizou grande defesa em cabeçada à queima-roupa de Raphaël Varane. Já o primeiro tento saiu aos 15 minutos, unindo a inteligência e a precisão de Toni Kroos. O alemão percebeu Domènech mal posicionado e cobrou o escanteio rapidamente. A batida venenosa fez uma curva fechada e entrou direto, sem que o goleiro pudesse salvar. Gol olímpico, que nem a transmissão conseguiu captar no momento. Foi o primeiro tento do tipo anotado pelos merengues desde 1997, com Davor Suker.

Com a vantagem estabelecida, o Real Madrid ditava o ritmo das ações, mas carecia de mais velocidade nas definições das jogadas. Ainda assim, a partida seguia nas mãos dos merengues, ante um Valencia que mal conseguia pressionar a marcação ou se aproximar da área adversária. O segundo gol saiu aos 39 minutos, a partir de uma boa ação de Federico Valverde pela direita. O chute de Modric esbarrou na marcação, mas a sobra ficou com Isco, que matou no peito e acertou um lindo sem-pulo para balançar as redes.

O terceiro gol quase aconteceu na sequência, antes do intervalo, em bate-rebate dentro da área. Isco acertou a trave e Domènech salvou na sobra. Nada que fizesse falta ao Real Madrid. O segundo tempo continuou na mesma toada, com superioridade dos madridistas, e o próximo tento surgiria naturalmente. Modric deixou o seu golaço aos 21. O veterano recebeu de Jovic, pedalou para cima da marcação e acertou um chute fabuloso de trivela, para furar a barreira à sua frente e tirar do alcance do goleiro.

Depois disso, o Real Madrid se acomodou um pouco mais e pôde desfrutar dos aplausos. Só então o Valencia conseguiria sair mais ao ataque e forçaria a primeira intervenção de Thibaut Courtois, aos 29 minutos, pegando o arremate de Maxi Gómez. Zidane também passou a gastar suas alterações, colocando em campo Marcelo, James Rodríguez e Mariano. Por fim, no apagar das luzes, os Ches descontaram. O árbitro revisou um toque no braço de Sergio Ramos e assinalou o pênalti, convertido por Dani Parejo. O estrago, todavia, já estava feito.

O Real Madrid fará um clássico no domingo, aguardando quem passará na outra semifinal – Barcelona ou Atlético de Madrid. Possivelmente, Zidane deverá entrar com força máxima para disputar o título, por menos motivante que seja a Supercopa. Mas bem mais valiosos são os testes realizados pelo treinador. E essa formação técnica vista em Jeddah, com tantos meio-campistas de qualidade, poderá render frutos nas principais competições da temporada.