Este colunista bem poderia destilar linhas e mais linhas para abrir alas para a escolha dos melhores atletas em cada posição, na temporada recém-encerrada do Campeonato Italiano. Mas você sabe tanto quanto eu que todos passariam logo para a lista dos 11. Pois bem, então vamos pular as preliminares: leia os nomes e argumente nos comentários!

Goleiro

Federico Marchetti (Lazio) — Se o time da capital sonhou tão alto, muito deve a seu goleiro. O auge de Marchetti na temporada se deu no empate sem gols com o Napoli — seus três milagres seguraram a Lazio na zona da Liga dos Campeões por um tempo. Seria justo que o camisa 22 estivesse na pré-convocação para a Euro. Marchetti levou 35 gols em 31 jogos, muito pouco para uma defesa que teve Stankevicius, Ledesma e Zauri improvisados como zagueiros.

Defensores

Stephan Lichtsteiner (Juventus) — Não há concorrentes nem dúvidas, aqui. O suíço se sagrou, com folga, o melhor lateral direito da temporada e deve parte disso à pior safra italiana de laterais na história do país. O primeiro turno de Lichtsteiner chegou perto da perfeição e o caminho só desandou no returno, quando o atleta teve de jogar mais adiantado, no 3-1-4-2 da Velha Senhora. Ainda assim, se destacou pelo passe, pelo fôlego e pelos cruzamentos.

Danilo (Udinese) — O melhor brasileiro do Campeonato Italiano é, novamente, um zagueiro. Ao contrário do que havia sido Thiago Silva na temporada passada, Danilo foi uma grata surpresa. Ninguém esperava que o bom beque do Palmeiras substituísse tão bem Zapata, mas ele fez ainda melhor. Ótimo no desarme e no jogo aéreo, liderou a defesa da Udinese classificada para a Liga dos Campeões, que não sofreu gol nas últimas cinco rodadas. E só perdeu um jogo do torneio.

Andrea Barzagli (Juventus) — Sempre concentrado, o melhor zagueiro italiano da atualidade teve um campeonato com pouquíssimas falhas. Bom no posicionamento, Barzagli é o vinho da defesa alvinegra e só melhora com o passar dos tempos. Tranquilo, comandou a defesa que só levou 20 gols em 38 jogos e ainda bancou uma de gerente da defesa, saindo para o jogo com passes curtos e de cabeça erguida.

Giovanni Marchese (Catania) — A maior surpresa da seleção é o menos pior entre os laterais que atuaram no campeonato. Marchese colecionou boas atuações contra os grandes italianos: fez belos gols contra Napoli e Roma, foi bem nos dois jogos contra a Inter e acabou como melhor em campo quando o Catania recebeu o favorito Milan. Meio destrambelhado, o lateral tem um chute potente, mas é bom mesmo na defesa, tanto que chegou até a ser usado como zagueiro, em duas partidas.

Meio-campistas

Andrea Pirlo (Juventus) — Acabaram os adjetivos para Pirlo, melhor jogador do Campeonato Italiano 2011-12. Na memória do torcedor juventino, ficarão as fintas de corpo que clareavam o jogo antes de moldá-lo com algum passe perfeito, seja com a bola parada ou rolando. E tudo isso em um ano livre de lesões, no qual o maestro alvinegro pôde crescer na reta final do torneio. Brilhante.

Claudio Marchisio (Juventus) — No ano do título italiano invicto, veio a consagração para a principal revelação da Juventus dos anos 2000. Marchisio começou a temporada voando. Empilhou gols e fez ótimo trabalho na defesa antes de sentir a queda física — era o melhor jogador do primeiro terço do campeonato, indiscutivelmente. Sólido nas divididas e excelente na hora de recompor a defesa, tornou-se uma espécie de novo Antonio Conte.

Antonio Nocerino (Milan) — Acredite, o vice-artilheiro do Milan é um volante. E um volante que custou só meio milhão de euros para ser contratado. Nocerino aliou o bom posicionamento e a boa técnica no chute de média distância à liberdade que o 4-3-1-2 de Allegri lhe concedia para anotar 10 gols no campeonato. Só falta melhorar no jogo aéreo e nas divididas para se tornar o melhor marcador italiano da atualidade.

Atacantes

Zlatan Ibrahimovic (Milan) — O sueco marcou 28 gols e ainda anotou 10 assistências, mas poderia ter feito mais pelo Milan. Frequentemente melhor em campo, Ibrahimovic sumiu em alguns jogos que pareciam menos importantes (Bologna e Fiorentina, por exemplo), mas que, no fim, lhe custaram o título italiano. A visão de jogo continua apuradíssima e a finalização, letal. Ah, com um pouco menos de egoísmo…

Antonio Di Natale (Udinese) — Nenhum jogador da Serie A puxa contra-ataques tão bem quanto o veterano Di Natale, que participou de 63,5% dos gols da Udinese na competição e voltou a colocar o time provincial na Liga dos Campeões. O impacto dos 23 gols marcados por Totò foi tamanho que até voltar para a seleção italiana ele conseguiu, às portas da Eurocopa.

Sebastian Giovinco (Parma) — As sete vitórias consecutivas na reta final do campeonato são um recorde na história do Parma e foram conseguidas sob o comando de Giovinco. O time, que ia mal das pernas, trocou de treinador em janeiro. Donadoni botou a Formiga Atômica para comandar o ataque parmigiano e fez-se a luz. Ninguém deu mais assistências que o camisa 10 na Serie A (foram 15, além de 15 gols marcados por ele mesmo). Depois das apresentações espetaculares, há até quem diga que o Barcelona queira levá-lo.

Pallonetto

– Claro que existem muitos merecedores de uma menção honrosa. Foi difícil deixar Gillet (Bologna), Legrottaglie (Catania), Vidal (Juventus), Destro (Siena), Cavani (Napoli) e Klose (Lazio) de fora da lista.

– E a seleção das decepções? Vamos lá: Julio Sergio (Lecce); De Silvestri (Fiorentina), Kjaer (Roma), Lúcio (Inter), José Ángel (Roma); Seedorf (Milan), Constant (Genoa), Krasic (Juventus); Forlán (Inter), Alexandre Pato (Milan), Zé Love (Genoa).

– Da mesma forma, também foi difícil não elencar Tzorvas (Palermo), Ranocchia (Inter), Zauri (Lazio), Olivera (Fiorentina), Birsa (Genoa), Bojan (Roma), Zárate (Inter), Mutu (Cesena) entre os piores…

– Bom, não pode faltar a seleção Trivela da 38ª rodada: Puggioni (Chievo); Rossi (Genoa), Domizzi (Udinese), Paletta (Parma), Dossena (Napoli); Gattuso (Milan), Candreva (Lazio), Asamoah (Udinese), De Rossi (Roma); Del Piero (Juventus) e Di Natale (Udinese).

– A última rodada italiana marcou a despedida de Del Piero, Nesta, Seedorf, Gattuso, Inzaghi, Córdoba, Di Vaio e Kaladze dos seus times. Destes, apenas Kaladze deve realmente pendurar as chuteiras. Os outros querem mais é sombra e água fresca.

– Cesare Prandelli surpreendeu na pré-convocação italiana para a Euro, ao chamar Verratti, que talvez seja o maior talento do Pescara sensação da Serie B. Se o garoto for mantido para a convocação final, é bola dentro.