O Sion conseguiu escapar do rebaixamento no Campeonato Suíço. No playoff contra o Aarau, vice-campeão da Liga Challenge, a segunda divisão, a equipe do polêmico dono/presidente Christian Constantin venceu o primeiro jogo por 3 a 0 em casa e perdeu o segundo, fora, por 1 a 0.

Foi o desfecho de uma temporada digna das trapalhadas de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias para o time que ganhou o noticiário internacional graças às atitudes e declarações pouco ortodoxas de seu mandatário.

Vale recordar. Por ter escalado jogadores irregulares, o Sion foi eliminado pela Uefa da Liga Europa, mesmo tendo conquistado dentro de campo a classificação para a fase de grupos. Depois, por ter desafiado a própria Uefa e a Fifa na Justiça Comum, a entidade máxima do futebol mundial exigiu que a Associação Suíça de Futebol punisse a equipe com a perda de 36 pontos no campeonato nacional. Se isso não ocorresse, a própria Suíça poderia ser afastada do quadro da Fifa, causando prejuízos enormes ao futebol do país.

E assim foi feito. O Sion iniciou a segunda metade do Suição 2011/12 com cinco pontos negativos e só não esteve fadado ao rebaixamento direto porque contou com a sorte (para ele) da falência do Neuchâtel Xamax, que acabou excluído da competição. Assim, restou ao time tentar tirar a diferença para Lausanne e Grasshopper, para fugir do playoff do rebaixamento.

A tarefa, como se viu, era impossível. Apesar das más campanhas dos adversários, a diferença na pontuação era grande demais e o Sion acabou mesmo em penúltimo, à frente apenas do Xamax e nove pontos atrás do Grasshopper. Veio, então, o playoff contra o Aarau, equipe que havia conquistado o vice-campeonato da Segundona de forma emocionante, batendo o Bellinzona no saldo de gols.

E aí pode-se dizer que o coitado do Aarau teve um azar danado. Afinal, o adversário que enfrentou no playoff era, de direito, o vice-lanterna da Super League. Mas, de fato, tratava-se do terceiro colocado do Campeonato Suíço. Não fosse punido, o Sion teria feito 53 pontos (15 vitórias, oito empates, 11 derrotas) e terminado a competição no terceiro posto, com uma vaga na Liga Europa da próxima temporada.

Assim, sabia-se que a missão do time da pequena cidade de Aarau, com seus 20 mil habitantes, era quase impossível, dada a disparidade técnica entre os times. Tanto que os 3 a 0 para o Sion no primeiro duelo já deram o tom de quem ficaria na primeira e quem ficaria na segunda divisão.

A partida da volta foi disputada em plena segunda-feira (não é só o calendário brasileiro que tem suas loucuras), no estádio Brügglifeld, em Aarau, lotado por 8,8 mil apaixonados torcedores do time da casa. E o que se viu foi um belo exemplo de raça por parte dos jogadores e de um sadio fanatismo por parte dos torcedores.

O Aarau venceu por 1 a 0, mas jogou para fazer mais. Não fossem as várias boas defesas do goleiro Vanins e a falta de pontaria dos atacantes, poderia até complicar a vida do Sion. Nas arquibancadas, a torcida empurrou o time o tempo todo, cantando sem parar.

Claro que, se o jogo envolvia o Sion, pelo menos uma polêmica haveria de ter. O meio-campista Die Serey estava suspenso por ter agredido um gandula, mas obteve autorização especial para jogar, o que provocou revolta na diretoria do Aarau.

Quem visse as imagens assim que o jogo terminou, poderia até se confundir e achar que o Aarau é quem havia conseguido a classificação. Os jogadores foram retribuir o carinho dos torcedores e deram uma espécie de volta olímpica no gramado, que chegou até a ser invadido por alguns mais fanáticos. Estava, literalmente, na cara dos fãs do Aarau o orgulho pela equipe ter chegado onde chegou, mesmo sem o acesso.

Do outro lado, a turma do Sion festejava timidamente. Christian Constantin, com seus inseparáveis paletó cinza e óculos escuros, esboçou um sorriso, enquanto os jogadores foram cumprimentar a pequena torcida que havia viajado 235 quilômetros para ver o jogo.

E não havia mesmo motivo para festa. Qualquer pessoa de bom senso, seja do elenco, comissão técnica ou torcedor, sabe que a temporada 2011/12 do Sion entrou para a história de forma negativa. Será sempre lembrada como aquela em que o time quase caiu por trapalhadas do seu dirigente maluco. A permanência na primeira divisão foi, no final das contas, apenas um prêmio de consolação.

E assim o playoff do rebaixamento na Suíça transformou-se num dos poucos exemplos em que o perdedor sai de cabeça erguida, orgulhoso, e o ganhador quer esquecer que um dia precisou passar por essa disputa.