Pela primeira vez desde que começou seu tratamento contra a leucemia, o técnico Sinisa Mihajlovic, do Bologna, concedeu entrevista. Falando a diversos jornalistas durante coletiva na sexta-feira (29), o treinador, que recebeu alta do hospital há pouco mais de uma semana, em 20 de novembro, se emocionou ao falar de sua luta, agradeceu aos médicos e enfermeiros que cuidaram dele, mas criticou seus jogadores pelo desempenho na temporada. Liberado e mais paciente, quer reerguer a equipe na Serie A.

Mihajlovic, que revelou a doença em julho, mas continuou como treinador, passou por três ciclos de quimioterapia e, ainda assim, esteve no banco de reservas de alguns jogos do Bologna na temporada. “Nunca tive a impressão de ser um herói, sou apenas um homem”, refletiu.

Falando da doença, Mihajlovic disse não haver motivos para ter vergonha e afirmou que “a única coisa que os pacientes não devem perder é o desejo de viver”.

“É preciso ter paciência para lutar contra essa doença horrível. Passar quatro meses dentro de um quarto sem poder respirar ar fresco não foi fácil. Espero ser um homem melhor. Na minha vida, anteriormente, a paciência não era o meu forte.”

Mihajlovic mostrou-se grato pela demonstração de apoio que mesmo torcedores adversários lhe demonstraram. Em 19 de outubro, em jogo contra a Juventus em Turim, um dos poucos em que os médicos lhe permitiram estar presente, foi aplaudido pelos torcedores. “Um ano atrás, fui insultado no jogo em Turim”, comparou.

“Eles (torcedores da Juve) foram sensíveis ao fato de eu não ter medo de me mostrar, mesmo que não estivesse em um estado apresentável”, agradeceu.

Palavras carinhosas foram dirigidas também aos médicos e enfermeiros que cuidaram do sérvio e o “aturaram”, como ele definiu. Durante seu tratamento, disse ter encontrado pessoas extraordinárias, incluindo torcedores que escreveram faixas, cartas e fizeram “peregrinações” para apoiá-lo.

“Os últimos quatro meses foram difíceis, mas sou forte, ainda estou aqui. A última vez que falei foi em 13 de julho, para comunicar a minha doença. Mas agora quero falar da minha saúde e agradeço a todos, médicos, enfermeiros, todos os anjos da guarda que me ajudaram. Os torcedores do Bologna, que me trataram como um filho. Não posso dizer todos, estou cansado de chorar.”

Quem não recebeu as mesmas palavras de gratidão foi o elenco do Bologna mesmo.

“Eu não queria que minha doença servisse de desculpa ao Bologna. Eu esperava mais dos meus jogadores no campo”, criticou Mihajlovic, lembrando que sempre tentou estar presente, indo ao estádio quando permitido, conversando por telefone e mesmo conduzindo sessões de treino “com 40 graus de febre”.

“Acima de tudo, estou bravo com os resultados e a atitude. Agora, eles precisam dar 200%. Precisamos começar a conquistar pontos e voltar a um bom caminho”, cobrou o treinador do Bologna, 16º na Serie A, a três pontos da zona de rebaixamento.

Em seu primeiro jogo depois de receber alta, Mihajlovic comandará o Bologna contra o Napoli, fora de casa, e tentará se aproveitar do momento conturbado do adversário, que, além da crise interna que vive, não venceu nenhum dos seus últimos sete jogos em todas as competições.