O Atlético de Madrid tinha uma grande vantagem para defender em Turim. Os 2 a 0 no Wanda Metropolitano foi um resultado maiúsculo. Parecia um obstáculo enorme para a Juventus devolver o resultado e, ao menos, levar à prorrogação. O que se viu em campo, porém, pareceu um jogo da Serie A da Juventus contra um time pequeno qualquer. Se tirasse a camisa do Atlético e colocasse outra (ou deixasse a que usaram mesmo, que é horrível e nem parece dos Colchoneros), ninguém perceberia a diferença. O time do Atlético foi mal em campo, mal atacou, sequer conseguiu se defender tão bem quanto já vimos outras vezes. A eliminação ao tomar 3 a 0 poderia ser difícil de prever antes do jogo, mas assistindo à partida, é completamente compreensível.

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O desempenho do Atlético tem que ser cobrado de Diego Simeone. O time tinha recursos, e jogadores, capazes de fazer algo melhor do que se viu em campo. Foi um time que se defendeu, sem a eficiência de outros momentos, e que poucas vezes conseguiu atacar. O time escalado, em nomes, não era fraco, longe disso. O time tinha talento no time para ficar com a bola. A estratégia do time, porém, foi marcar bem atrás, sendo que em alguns momentos até os atacantes Antoine Griezmann e Álvaro Morata. Nenhum dos dois conseguiu fazer muita coisa. Mal tocaram na bola, efetivamente.

Simeone não pode reclamar de falta de recursos. Tem um time recheado de jogadores renomados e de qualidade reconhecida. Griezmann é atualmente um dos melhores do mundo; Oblak certamente está entre os melhores goleiros do futebol europeu; Diego Godín e José Giménez são zagueiros de alta qualidade; Koke e Saúl são jogadores de nível de seleção espanhola, tal qual Morata. Lemar é a maior contratação da história do clube, mas foi mal novamente. Um time recheado de bons jogadores que jogou, mais uma vez, muito pouco para quem sonhava em conquistar o título em casa, já que a final da Champions nesta temporada será no estádio do Atlético. Mais uma vez, o sonho foi adiado, com aquele que talvez seja o melhor elenco que o Atlético montou em todas as campanhas de 2013 para cá, quando passou a ser competitivo neste nível na Europa.

No jogo, o Atlético mal conseguia chegar ao gol. Foram cinco chutes no total dos Colchoneros. Nenhum acertou o alvo. O time de Simeone foi uma sombra de si mesmo. Defendendo sem eficiência, sem conseguir atacar. Simeone é um grande técnico, já provou isso, mas o que se viu em campo nesta terça-feira, dia 12 de março de 2019, foi um Atlético jogando um futebol insuficiente. Independente do estilo, é preciso ser capaz de agredir o adversário, de ter contra-ataques, além, obviamente, de se defender bem. Não fez nem uma coisa, nem outra. Viu a classificação escapar entre os dedos diante de um adversário que é seu algoz. Nas últimas cinco eliminações do Atlético nos mata-matas da Champions, Cristiano Ronaldo esteve envolvido em todos:

– Final 2013/14 [Real Madrid]

– Quartas de final 2014/15 [Real Madrid]

– Final 2015/16 [Real Madrid]

– Semifinal 2016/17 [Real Madrid]

– Oitavas de final 2018/19 [Juventus]

Para quem tem o time que tem, Simeone precisava entregar mais futebol. A eliminação vem de forma totalmente merecida para um time que decidiu não jogar e contar apenas com a sua defesa. Não foi eficiente, porque também do outro lado tinha um dos melhores de todos os tempos, o senhor Champions League. Poderia ter causado problemas marcando um gol, usando o talento de Griezmann, mas o time preferiu tentar segurar. Não segurou e viu o adversário vir para cima de forma avassaladora.

Está mais do que na hora de Simeone ser cobrado por esse tipo de jogo do Atlético. Quem joga tão pouco eventualmente acaba sendo eliminado. E mesmo o pênalti questionável no final do jogo a favor da Juventus vira algo menor diante da falta de futebol do time de Madri. Um time que deveria voltar para casa se questionando se não poderia fazer mais. Jogando tão pouco, não há contratações suficientes para tornar o time melhor. Enquanto o Atlético se limitar a jogar tão pouco futebol, sendo pouco eficiente mesmo em uma proposta de contra-ataque, o sonho da Champions não passará mesmo de um sonho.